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Ler matéria →Do terremoto ao vodu, brasileiro se apaixonou pelo Haiti, que enfrenta o Brasil na Copa do Mundo

Crédito, Arquivo pessoal
- Author, Edison Viega
- Role, De Bled (Eslovênia) para BBC News Brasil
- Published Há 48 minutos
- Tempo de leitura: 7 min
Então aluno do curso de estudos literários da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Werner Garbers Elias Pereira, o Neno, estava especialmente animado na virada do ano 2009 para 2010. No comecinho de janeiro, ele e um grupo de estudantes iriam para o Haiti.
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Parte de um projeto acadêmico, a ideia era passar três meses no país caribenho de pouco mais de 11 milhões de habitantes. "Considerávamos o Haiti um espaço importante para que alunos de graduação criássemos nossas ferramentas de pesquisa. Meu plano era conhecer mais a literatura haitiana e o [idioma] crioulo haitiano. E depois fazer uma apresentação disso no Brasil", recorda ele.
Só que veio o dia 12 de janeiro. Naquela fatídica terça-feira, dois acontecimentos muito intensos, separados por horas, mudaram completamente o projeto de Pereira. E selariam o futuro dele— com um vínculo indissociável do povo e da história haitianos.
Naquela data ele tinha uma entrevista agendada com um grande intelectual, o escritor, cientista político e sociólogo Jean Anil Louis Juste— pesquisador que havia, três anos antes, defendido seu doutorado na Universidade Federal de Pernambuco. Leia também: Que tipo de Colômbia representam De la Espriella e Cepeda, adversários no 2º
Quando Pereira estava a caminho da casa de Juste, em Porto Príncipe, capital haitiana, deparou-se com uma grande movimentação popular. Uma tragédia, soube ele. Em um crime até hoje não esclarecido, o intelectual foi morto a tiros por um grupo de homens— que fugiu em motocicletas. "Ele denunciava muitos crimes envolvendo corrupção", lembra o brasileiro.
Horas depois, uma nova ocorrência decretaria o término daquele início de pesquisa acadêmica. Os ponteiros marcavam quase 17h quando um catastrófico terremoto, com epicentro a 25 quilômetros da capital haitiana, devastou parte considerável do país. Calcula-se que tenham sido 300 mil mortos e ao menos 1,5 milhão de flagelados.

Crédito, Arquivo pessoal

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Impacto
"Conheci o Haiti nesse contexto: tragédia natural e tragédia social", ele define. "Um professor, uma ponte para você falar com o Haiti, assassinado. E o terremoto." Mais de mundo
"Aquilo me marcou muito", conta. "Quem vem fazer trabalho humanitário aqui vem para ajudar. Eu digo que fui ajudado pelos haitianos, porque depois do terremoto era difícil até encontrar comida. Sei que sobrevivi por acaso. Foram muitas as vítimas."
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Dezesseis anos depois, Pereira conta essa história para a reportagem via chamada de vídeo diretamente da sede do Centro Cultural Brasil-Haiti, em Porto Príncipe. Ele é o diretor da instituição, mantida pela embaixada brasileira no país caribenho. E também dá aula de português a haitianos— alguns deles buscam aprender a língua pensando em imigrar para o Brasil.
Estima-se que, atualmente, vivam no Brasil de 150 mil a 200 mil haitianos. "Isso explodiu ainda mais o ensino da língua", constata Pereira. "Mas sempre houve demanda."
Quando a seleção entrar em campo contra o Haiti, na partida marcada para a noite do dia 19 de junho, é dali que ele vai assistir. Com festa, ganhe quem ganhar.
"Eu sou corintiano roxo. Uma das minhas conexões com o Brasil sempre foi o Corinthians. A seleção também, mas depois do Corinthians", diz Pereira.
A ideia é reunir cerca de mil pessoas no centro cultural para o jogo, com comes e bebes típicos dos dois países. O brasileiro explica que o Brasil é muito amado pelos haitianos— e como faz 52 anos que o time do Haiti não vai a uma Copa do Mundo, em geral a torcida era pelo escrete canarinho.

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