A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo divulgou, nesta quinta-feira, suas demonstrações financeiras referentes ao exercício de 2025, revelando um passivo total inédito de R$ 2 bilhões. O número, que assinala um aumento de mais de cinco vezes em relação ao primeiro balanço da SAF em 2022 (R$ 401,7 milhões), vem à tona em um momento de profunda crise de gestão, disputa societária e um processo de recuperação judicial em curso. Apesar do faturamento bruto recorde de R$ 1,4 bilhão, a auditoria independente BDO se absteve de emitir opinião sobre os resultados, levantando sérias preocupações sobre a continuidade operacional do clube, segundo o GE.

Aumento Exponencial da Dívida e Patrimônio Líquido Negativo

Os números apresentados pelo Botafogo SAF são alarmantes. O passivo total, que soma as obrigações de curto e longo prazo, atingiu a marca de R$ 2 bilhões em 2025. Desse montante, mais de R$ 1,3 bilhão corresponde a obrigações circulantes, ou seja, dívidas de curto prazo a serem pagas em até 12 meses, conforme detalhado pelo GE. Embora a SAF considere o valor real da dívida em R$ 1,8 bilhão, desconsiderando cerca de R$ 260 milhões em receitas antecipadas, a situação financeira é grave.

Além disso, o patrimônio líquido da SAF permaneceu negativo, alcançando seu pior índice em 2025, com um déficit de R$ 431,917 milhões. Este indicador sugere que, mesmo que a SAF vendesse todos os seus bens, os valores arrecadados seriam insuficientes para quitar suas obrigações. Leia também: Getafe desafia padrões de LaLiga e mira Champions com 'antijogo' eficaz

Faturamento Recorde Impulsionado por Venda de Jogadores

Em contraste com o cenário de endividamento, o balanço de 2025 destacou um faturamento bruto recorde de R$ 1,4 bilhão. Uma parcela significativa desse valor, cerca de R$ 733 milhões, foi proveniente da venda de jogadores, representando um crescimento impressionante de 661% em comparação com 2024. O ativo total do clube foi avaliado em R$ 1,5 bilhão, segundo informações do GE. No entanto, o passivo de transferências de atletas também é expressivo, com R$ 1,1 bilhão em contas a pagar por jogadores como Montoro, Arthur Cabral, Artur, Danilo, Jair, Barrera, Nathan Fernandes, Rwan Cruz e Santi Rodriguez. A SAF também recorreu a nove empréstimos e financiamentos com sete empresas diferentes, totalizando R$ 88,3 milhões em curto prazo e R$ 50,6 milhões em longo prazo.

Auditoria Se Abstém e Questiona Continuidade Operacional

A consultoria BDO, responsável pela auditoria independente do balanço, tomou a rara decisão de se abster de opinar sobre os resultados financeiros da SAF Botafogo. Entre as justificativas apresentadas, a BDO apontou a incerteza sobre a continuidade operacional da SAF, diretamente relacionada às dívidas de curto prazo. A auditoria também mencionou a ausência de confirmações externas de instituições financeiras e fornecedores, e a falta de acompanhamento na contagem física dos estoques. Um dos pontos críticos destacados pela BDO foi a interrupção do pagamento de parcelas do programa fiscal federal PERSE (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos) em nome do clube social, o que reativou integralmente a dívida com a União. A BDO ainda ressaltou a medida cautelar para o processo de recuperação judicial e a briga societária pelo poder na SAF, bem como a relação com o Lyon e a Eagle Football Group, como fatores que justificaram sua abstenção, de acordo com o GE.

Crise de Gestão e Busca por Soluções Imediatas

O cenário financeiro conturbado é agravado pela crise nos bastidores da gestão. John Textor, ex-gestor da SAF, foi afastado por determinação do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV) devido a uma disputa societária com a Eagle Bidco, acionista majoritária. Durcesio Mello, ex-presidente, foi nomeado diretor geral interino e já sinalizou a busca por receitas imediatas para honrar compromissos, como o pagamento de salários. A SAF do Botafogo já iniciou um processo para entrar em recuperação judicial, buscando reestruturar suas dívidas e garantir sua sustentabilidade. Em 2025, o Botafogo pagou R$ 80 milhões em dívidas do clube social, reduzindo o passivo para R$ 547.992. Mais de esporte

O que se sabe até agora

A complexa teia de dívidas, faturamento recorde e uma gestão em crise impõe desafios monumentais ao Botafogo. A recuperação judicial, aliada à busca por novas fontes de receita e à resolução das disputas societárias, será crucial para definir o futuro do clube e sua capacidade de competir e se sustentar no cenário do futebol brasileiro. Leia também: Atlético-MG fecha 2025 com R$ 882 mi de prejuízo e dívida de R$ 2 bi

Este conteúdo é informativo. Não é recomendação de investimento. Consulte assessor certificado (CVM).

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Dívida do Botafogo SAF Explode para R$ 2 Bilhões em 2025, Aponta Balanço

Apesar de faturamento recorde impulsionado , clube vê passivo quintuplicar em três anos, com auditoria se abstendo de opinar e questionando continuidade operacional.

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