Milho cozido faz bem para a saúde? Entenda os benefícios desse alimento
Ler matéria →Dia do Homem: conheça o “Looksmaxxing”, trend estética masculina que oferece riscos à saúde Movimento difundido nas redes sociais incentiva jovens a recorrerem a procedimentos, hormônios e comportamentos obsessivos em busca de um padrão de beleza [No Brasil, o Dia do Homem é celebrado em 15 de julho. A data foi criada em 1992 por iniciativa do Centro São Vicente e ganhou apoio da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) como uma campanha de conscientização sobre a saúde masculina.
O principal objetivo é incentivar os homens a cuidarem mais da própria saúde, realizarem exames preventivos e procurarem atendimento médico regularmente. Mas cuidar da saúde masculina, hoje, vai muito além de incentivar consultas médicas e exames preventivos. Em um cenário em que a aparência ganha cada vez mais peso nas redes sociais, especialistas alertam para um novo fenômeno que tem colocado principalmente adolescentes e homens jovens em risco: o looksmaxxing.
Leia no AINotícia: Saúde em Panorama: CAR-T, Córnea, Parto nos EUA e Lesões de Neymar
Entenda a seguir.] Uma tendência que promete transformar homens em versões mais atraentes de si mesmos vem ganhando força nas redes sociais, especialmente entre adolescentes e adultos jovens. Conhecido como looksmaxxing (termo que pode ser traduzido como “maximização visual”), o movimento incentiva a busca por músculos aparentes, mandíbula marcada e baixo percentual de gordura corporal.
O problema é que, além desse padrão estético ser irreal, os meios utilizados para atingi-lo são perigosos e podem levar ao desenvolvimento de comportamentos obsessivos, capazes de prejudicar a saúde física e mental. O looksmaxxing tem sido difundido por influenciadores da chamada machosfera, um conjunto de comunidades digitais marcadas pela defesa de modelos de masculinidade, frequentemente associados à misoginia e ao antagonismo em relação aos direitos das mulheres e de minorias sociais, como a população negra e LGBTQIAPN+. Sua lógica parte do pressuposto de que a aparência é um determinante central no nível de sucesso de um homem na vida amorosa, profissional e social.
Produtores de conteúdo compartilham em seus vídeos supostas técnicas para melhorar o visual. Algumas “recomendações” envolvem a adoção de hábitos que costumam ser tipicamente saudáveis, como a musculação e os cuidados com a pele, mas em frequência e intensidade exageradas, ao ponto de causar desgaste no corpo. Outras “dicas” incluem o uso de substâncias anabolizantes; a realização de cirurgias invasivas, como o alongamento das pernas para ganhar altura; e procedimentos sem comprovação científica, a exemplo do chamado bone smashing, em que a pessoa golpeia repetidamente os próprios ossos do rosto para tentar remodelar a mandíbula. Leia também: Saúde: Panorama com câncer, dores, Ozempic e crises convulsivas
De acordo com um estudo publicado em 2025 na revista Sociology Health & Illness, que analisou mais de 8 mil comentários em fóruns dedicados ao looksmaxxing, a comunidade é marcada por críticas severas a aparências fora do padrão “viril” tido como exemplar. Nesses espaços, ainda é comum que, em vez de apoio para mudar o estilo de vida, os participantes sejam bombardeados por insultos e até sugestões explícitas de autolesão. Também se vê discursos naturalizados de medicalização, incentivando o uso indiscriminado de hormônios.
“Não há nada de errado em buscar o autodesenvolvimento e realizar atividades de autocuidado. Contudo, não é isso o que está acontecendo nessas comunidades”, explica o sociólogo Michael Halpin, professor na Universidade de Dalhousie, no Canadá, e primeiro autor da pesquisa, em entrevista à Agência Einstein. “Homens que praticam o looksmaxxing acreditam que apenas a aparência importa, não se trata de cuidar de si mesmos ou entrar em forma, e isso está causando problemas sérios a essas pessoas.
” Os mais afetados por esse fenômeno são os mais novos. A adolescência é uma fase caracterizada pela construção da identidade, da imagem corporal e da inserção social.
Dessa forma, é esperado e saudável que uma pessoa jovem se preocupe com a aparência, experimente diferentes estilos de roupa, cabelo e maquiagem, pratique esportes e cuide da pele. Também é relativamente comum que faça comparações ocasionais com seus colegas e deseje ser atraente. Tudo isso faz parte do processo de desenvolvimento.
“ Quando falamos em um cuidado saudável com a aparência, estamos nos referindo a uma vaidade que melhora o bem-estar geral e a autoestima, coexistindo com outras fontes de construção de identidade, como amizades, esportes, estudos e valores pessoais”, avalia o psiquiatra Luiz Gustavo Zoldan, gerente médico do Espaço Einstein de Bem-Estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita. “ Mais de saude
Nesse contexto, o jovem consegue aceitar suas próprias imperfeições e entender que aquilo não define o seu valor pessoal. ” A situação é preocupante quando a aparência passa a ser um pensamento excessivo, que causa vergonha, ansiedade, tristeza, isolamento e queda de autoestima.
É justamente nesse momento de vulnerabilidade que discursos da machosfera podem prender a atenção, porque tendem a dar respostas simples para questões complexas e angustiantes, na percepção de alguém em sofrimento. Grupos incel e redpill, que compõem a machosfera, oferecem um forte sentimento de pertencimento. Muitos chegam a esses espaços sentindo solidão, insegurança, fracasso ou rejeição, sendo recebidos por uma comunidade que afirma que eles não estão sozinhos.
“ O problema é que essa acolhida ocorre por meio de uma ideologia extremista, que, em vez de reconhecer que relacionamentos são complexos, diz que a rejeição aconteceu porque a pessoa não é alta, não tem músculos ou não possui uma mandíbula masculina”, aponta Zoldan. Essa narrativa reforça pensamentos que colocam a mudança comportamental e física como chave para se sentir pertencente e desejado. Leia também: Afinal, café faz bem ou mal para o coração? Grande revisão científica bate
+ Riscos do looksmaxxing A exposição contínua a imagens de corpos idealizados e inatingíveis não causa, por si só, um transtorno mental.
No entanto, a prática aumenta os fatores de risco para sofrimentos psicológicos, transtornos alimentares e sensação de dismorfia corporal. “ O cérebro humano foi programado para realizar comparações sociais.
Durante séculos, essas comparações foram feitas com algumas dezenas ou centenas de pessoas do convívio próximo. Hoje, porém, um adolescente pode ser exposto diariamente a milhares de pessoas nas redes sociais”, relata o psiquiatra. Quando a aparência passa a ocupar papel central na vida, surge um fenômeno conhecido como auto-objetificação.
Nele, a pessoa deixa de se enxergar como um indivíduo com diversas qualidades e passa a se perceber apenas como um objeto que será constantemente avaliado pelos outros. Uma pesquisa publicada em 2022 na revista Current Opinion in Psychology concluiu que o uso abusivo das redes sociais causa uma série de efeitos nocivos sobre a autoestima. A exposição constante a padrões de vida e beleza idealizados intensifica a comparação social, levando muitos usuários a se sentirem inadequados ou inferiores.
Além disso, a busca incessante por validação digital, por meio de curtidas, comentários e seguidores, fragiliza a autoestima, tornando-a dependente de fatores externos e voláteis. Quando esse reconhecimento não acontece, surgem frustração, ansiedade, depressão e isolamento. Ao manter uma vigilância constante sobre si mesma, fotografando-se repetidamente, monitorando o peso a cada refeição e verificando continuamente cada curtida ou comentário na rede social, a pessoa tende a aumentar seu nível de estresse.


