Datafolha: 40% dos brasileiros associam pobreza à preguiça
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Marina Helou
Deputada estadual (Rede-SP), é coordenadora da Frente Parlamentar pela Primeira Infância da Alesp e presidente do Comitê Paulista pela Prevenção de Homicídios na Adolescência
No início dos anos 2010, acompanhamos o surgimento e a expansão do uso dos smartphones. Os dispositivos passaram a ocupar um espaço significativo em nossas vidas mas começamos agora a questionar os limites dessas "companhias" digitais. O que parecia uma solução do futuro começa a mostrar seus limites.
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França, Dinamarca e México já decidiram que escola não é lugar de celular. Agora o estado de São Paulo poderá ser o primeiro do país a proibir seu uso nas escolas públicas e particulares, um consenso entre parlamentares de diferentes correntes e ideologias sobre os perigos do excesso de telas para o desenvolvimento integral das crianças e jovens.
Essa experiência pode ser o início de um compromisso nacional, com outros estados e o governo federal olhando para o tema com a urgência necessária. Leia também: Jair Renan Bolsonaro anuncia pré-candidatura a deputado federal por SC
Os prejuízos causados por celulares ainda não estão totalmente contabilizados, mas as evidências se acumulam mundo afora e não podem ser ignoradas. Dados de diferentes pesquisas mostram que o uso é viciante para os jovens e que a proibição contribui para a melhor concentração dos alunos e mais qualidade do ambiente escolar. Uma escola sem celulares assiste a melhora dos níveis de aprendizado, concentração e interação social.
Se mesmo os adultos têm dificuldade em se autorregular, como impor tal desafio a cérebros ainda em desenvolvimento e fortemente afetados pela liberação rápida de dopamina?
Por terem se tornado um vício, transferir a responsabilidade de moderação no uso das telas para crianças e jovens não é justo e não será efetivo. A sociedade ainda não chegou a um pacto sobre qual seria o uso adequado, e essa lição de casa cabe aos adultos.
O PL 293 chega trazendo respaldo a professores e diretores, que enfrentam uma verdadeira batalha de competição com redes apelativas, ofertas de consumo a todo momento e selfies dentro das salas de aula. Queremos resgatar os barulhos do recreio e a correria no pátio, a troca de experiências face a face, o brincar ao ar livre e as conversas espontâneas, essenciais para o desenvolvimento saudável de crianças e jovens. Essas vivências promovem habilidades essenciais, como empatia e comunicação interpessoal e não verbal, além da capacidade de resolver conflitos. Mais de politica
A tecnologia não é inimiga, ao contrário. Com a nova lei, os celulares serão permitidos em atividades pedagógicas que exijam tecnologia ou para apoiar estudantes com necessidades específicas. Nada de celulares para espiar redes sociais, mas para visitar um museu de outro continente ou participar de uma aula interativa com alunos de outra região.
Ao regular as escolas públicas e privadas, o PL também ajuda a diminuir as desigualdades educacionais de forma mais ampla, uma vez que que as escolas privadas já estão atentas ao problema, investindo e implementando soluções para controlar o uso dos aparelhos. Com a aprovação, cabe ao governo estadual regulamentar e implementar seu funcionamento, e temos uma janela de oportunidade importante com o início do próximo ano letivo. É com alegria que assistimos ao amplo apoio com que o projeto foi aprovado. Leia também: Bahia vive tensão com investigação do Master, que impulsiona ofensiva eleitoral
São estes os cinco pontos fundamentais que nos levam a argumentar contra o uso excessivo das telas: os impactos sobre (i) o aprendizado, (ii) o desenvolvimento e (iii) a saúde mental de cérebros ainda em formação; (iv) os riscos à segurança e à exposição virtual e a (v) possibilidade de ampliar desigualdades sociais já marcantes.
As escolas não podem continuar competindo com o mundo virtual; sua missão é importante demais. Para enfrentar a lógica da epidemia eletrônica, tirar os celulares dos espaços de ensino é o primeiro passo, simples e efetivo.
TENDÊNCIAS / DEBATES Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.
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