Governo Lula liga alerta para risco de derrota em MP das blusinhas
Ler matéria →
Julia Braun
BBC News Brasil
O debate sobre desinformação eleitoral não é novo no Brasil. Mas a disseminação de ferramentas capazes de produzir conteúdo altamente realista elevou as preocupações de autoridades eleitorais, pesquisadores e plataformas digitais.
Nos últimos anos, ferramentas capazes de produzir vídeos, imagens e vozes sintéticas, os chamados deepfakes, passaram do uso experimental para o cotidiano de milhões de pessoas.
Leia no AINotícia: Flávio Bolsonaro: Filiado indevidamente ao Missão
E faltando poucos dias para o início oficial da campanha eleitoral, ainda não existem respostas definitivas sobre como garantir o uso seguro e responsável da inteligência artificial generativa.
Na quinta-feira (13), os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiaram uma reunião para tentar entrar em consenso sobre a punição pelo uso de IA nas eleições.
O TSE decidirá se a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) cometeu alguma irregularidade ao utilizar um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) produzido com inteligência artificial (IA) durante a convenção partidária do PL que oficializou sua candidatura ao Palácio do Planalto no final de julho. Ainda não foi divulgada uma nova data para a reunião. Leia também: Braço-direito de mulher de Tarcísio, dirigente de órgão público vai a ato
Sam Stockwell, pesquisador do Centro de Tecnologias Emergentes e Segurança (CETaS), do Instituto Alan Turing, no Reino Unido, estudou diversos casos em que ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas durante campanhas eleitorais nos últimos anos.
Na Irlanda, um deepfake divulgado poucos dias antes da eleição para presidente em 2025 mostrava a principal candidata desistindo da campanha. No mesmo ano, outros vídeos espalharam informações falsas sobre ameaças de segurança no dia das eleições parlamentares na Alemanha.
Mas segundo ele, não é possível apontar uma ligação direta entre o uso de ferramentas de IA e o resultado de uma eleição, pois há sempre muitos fatores envolvidos em uma corrida.
"Até o momento, não existem evidências conclusivas de que ferramentas de IA tenham alterado profundamente o resultado de qualquer eleição", diz.
Para Stockwell, o verdadeiro perigo da IA não está na alteração direta de votos, mas sim no efeito sutil e contínuo de semear confusão sobre o que é real, corroer a confiança nas instituições e na informação, e inflamar divisões políticas e polarização. Mais de politica
"A IA está corroendo a confiança no nosso espaço informacional e, crucialmente, também inflamando as divisões políticas num momento em que a polarização e a violência no mundo real estão, obviamente, em níveis muito elevados", afirmou em entrevista à BBC News Brasil.
E as experiências recentes de outros países ajudam a ilustrar os desafios que podem surgir durante a disputa eleitoral brasileira. Confira, a seguir, seis exemplos de como deepfakes foram usados para espalhar desinformação ao redor do mundo.
Falsa desistência a 3 dias da eleição
Um dos exemplos mais citados quando o tema são deepfakes em eleições é o que atingiu a hoje presidente da Irlanda, Catherine Connolly, no ano passado. Leia também: Mensagens, viagens e proximidade com lobistas são principais elementos
Quando a montagem foi divulgada, em outubro de 2025, ela concorria à Presidência como candidata independente.
As pesquisas eleitorais apontavam Connolly como uma das favoritas, mas três dias antes da votação, um vídeo em que ela parecia se retirar da corrida começou a circular nas redes sociais.
O vídeo falso imitava uma transmissão da RTÉ News, maior e mais popular fonte de notícias da Irlanda. Nas imagens, uma versão de Connolly criada com IA anuncia a desistência da eleição, enquanto apoiadores vaiam e lamentam a decisão.
Logo depois que o vídeo começou a circular, a campanha da candidata garantiu que ela ainda estava na corrida e alertou as plataformas de redes sociais para que ele fosse removido ou devidamente identificado como criado por IA.
Connolly classificou o vídeo como uma "tentativa vergonhosa de enganar os eleitores e minar nossa democracia".
Enxurrada de vídeos no Equador
Disseminação de pânico na Alemanha
A primeira eleição manipulada por deepfakes?
Golpe financeiro durante a eleição
Declaração de vitória direto da prisão
Tópicos relacionados
- Alemanha
- América do Sul
- América Latina
- Ásia
- daniel noboa
- Equador
- Europa
- Flávio Bolsonaro
- inteligência artificial
- Jair Bolsonaro
- justiça eleitoral
- leste europeu
- paquistão
- PL
- quito
- Reino Unido
- romênia
- Tecnologia
- TSE
- União Europeia
- Envie sua notícia
- Erramos?
- Ombudsman
Leia também no AINotícia
- Relatório aponta avanço de redes sociais e lacunas em chatbots de IAPolitica · 8h atrás
- Fundação Brumadinho defende em carta fiscalização e escuta a comunidadesPolitica · 4h atrás
- Governo Lula liga alerta para risco de derrota em MP das blusinhasPolitica · agora
- Pesquisa Quaest 2026: Lula mantém vantagem no 1º turnoPolitica · 4h atrás


