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Declaração sobre voto feminino reacende discussão sobre sufrágio no Brasil

Bárbara Blum São Paulo As mulheres conquistaram o direito ao voto em 1932 no Brasil

Declaração sobre voto feminino reacende discussão sobre sufrágio no Brasil
Bárbara Blum
São Paulo

As mulheres conquistaram o direito ao voto em 1932 no Brasil. Até demorou, se a gente pensar em quando o movimento pelo sufrágio feminino começou. As sufragistas inglesas, encabeçadas por Emmeline Pankhurst, se organizaram em 1903 e conquistaram o voto em 1918. Antes disso, o primeiro país a garantir o voto feminino foi a Nova Zelândia, no final do século 19.

Se olharmos para quando outros países ampliaram o direito ao voto para as mulheres, o Brasil nem está tão mal: França, Itália, Japão e China só embarcaram no pós-Guerra. Bolívia, México, Colômbia e Peru, só na década de 1950.

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Capa Sufrágio Ep.1 - A primeira eleitora
Catarina Pignato

Mesmo com quase cem anos de voto feminino no Brasil, ainda acontecem casos como o do influenciador e empresário bolsonarista Paulo Figueiredo afirmando em alto e bom tom que "mulher vota muito mal". Leia também: Fala de Paulo Figueiredo ocorre na esteira de investidas contra o voto feminino

Em um vídeo publicado em seu canal do YouTube na última quinta-feira (25), Figueiredo usou a frase para criticar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ele ainda acrescentou um tempero ao distinguir o voto das casadas do voto das solteiras. As últimas seriam piores, já que as casadas tenderiam a acompanhar o voto dos maridos.

A Folha publicou uma reportagem sobre o assunto e Figueiredo se pronunciou no X, o antigo Twitter. "Deixa eu me retratar: mulher não vota muito mal, mulher vota mal PARA CARALHO. Especialmente as solteiras. Se trabalha na Folha então, pior ainda. Como isso sequer é controverso, meu Deus?", escreveu.

Pode parecer um caso à parte, mas é uma postura compartilhada por outros homens. Em agosto do ano passado, o secretário de defesa de Donald Trump, Pete Hegseth, compartilhou um vídeo de um pastor dizendo que mulheres não deveriam votar. O Pentágono se retratou dizendo que Hegseth era a favor do voto feminino. O vai e vem deixou um gosto amargo. Mais de politica

O pastor em questão era Douglas Wilson, que falou publicamente em favor do "voto da família", isso é, um sistema em que cada família tem direito a um único voto, decidido pelo patriarca. Uma reportagem de abril do jornal americano The New York Times mostra que até algumas mulheres conservadoras advogam por isso.


Uma mulher para conhecer

A filósofa Susan Sontag - Peter Hujar/The New York Times/Peter Hujar/The New York Times

Susan Sontag (1933-2004) Leia também: Centro de Pesquisa em Campinas para IFAs da Biodiversidade Visa Reduzir

A figura da escritora Susan Sontag é difícil de ignorar. Uma das maiores intelectuais americanas do século passado, ela escreveu sobre crítica de arte, sobre estética, sobre fotografia e sobre mulheres. Além disso, escreveu romances e usou o próprio câncer como ponto de partida para reflexões sobre a doença como uma metáfora. Ela foi, ainda, crítica ferrenha da Guerra do Vietnã.

No começo desse ano li pela primeira vez o "Contra a Interpretação", de 1964, e ela não saiu da minha cabeça. No ensaio, ela alerta para uma obsessão na busca por significado na arte, quando deveríamos nos ater às percepções sensoriais. Voltei à Sontag num livro que será lançado pela editora Fósforo, "Narrar Histórias". É a transcrição de uma conversa entre Sontag e o escritor John Berger, somada a correspondências entre os pensadores. Vale a leitura.

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