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Debates de disciplina da USP sobre desigualdade no uso das leis criminais

Bruno Lucca São Paulo A Faculdade de Direito da USP anulou nesta quinta-feira (6) um concurso para professor doutor que havia sido contestado após o candidato aprovado

Debates de disciplina da USP sobre desigualdade no uso das leis criminais
Bruno Lucca
São Paulo

A Faculdade de Direito da USP anulou nesta quinta-feira (6) um concurso para professor doutor que havia sido contestado após o candidato aprovado apresentar cartas de recomendação assinadas por ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), integrantes do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e outras autoridades.

A unidade deverá realizar um novo processo seletivo para preencher a vaga, mesmo que temporariamente. Ainda cabe recurso ao Conselho Universitário, órgão máximo da instituição.

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Essa decisão reverte o resultado do certame, alvo de questionamentos desde março do ano passado, quando a Folha mostrou que o candidato vencedor, Rafael Campos Soares da Fonseca, havia anexado ao memorial acadêmico cartas de recomendação de autoridades do Judiciário e do Ministério Público.

Rafael é filho do ministro do STJ Reynaldo Soares da Fonseca. Leia também: Governo do DF busca empresas para substituir BRB na gestão de pontos turísticos

Ministros Reynaldo Soares da Fonseca e Humberto Martins (centro) ao lado de Rafael Campos Soares da Fonseca, quando este lançou um livro no STJ
Rafael Campos Soares da Fonseca (à dir.) em lançamento de livro no STJ; ele aparece acompanhado do pai, Reynaldo Soares da Fonseca (à esq.), e de Humberto Martins (centro), ministros da corte -

A documentação gerou recurso de uma das concorrentes, que alegou violação aos princípios da impessoalidade e da isonomia no concurso.

A reportagem procurou a faculdade nesta quinta-feira (6). A assessoria de imprensa informou que não haveria manifestação sobre o caso. O contato de Rafael Campos Soares da Fonseca não foi encontrado.

Depois de apresentada a denúncia, o caso mobilizou a direção da Faculdade de Direito, que passou a analisar a regularidade do processo. A anulação encerra essa etapa administrativa e abre caminho para a realização de um novo concurso, ainda sem data anunciada.

À época, o candidato aprovado afirmou que as cartas não tinham caráter de influência sobre a banca e que apenas atestavam sua trajetória acadêmica e profissional. Mais de politica

Os textos são assinados pelos ministros do STF André Mendonça, Dias Toffoli, Edson Fachin e Gilmar Mendes. Ele também apresentou cartas dos ministros Ribeiro Dantas e Gurgel de Faria, colegas de seu pai no STJ, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, entre outros.

A apresentação desse material, porém, foi contestada por integrantes da comunidade acadêmica e pela candidata que recorreu do resultado. O argumento era que a exibição de manifestações de autoridades com elevado prestígio institucional poderia comprometer a avaliação objetiva dos candidatos, ainda que o conteúdo das cartas não fosse considerado pela banca. Leia também: Braço-direito de mulher de Tarcísio, dirigente de órgão público vai a ato

O caso teve dois relatores. Em parecer produzido em março, o professor Elival da Silva Ramos concluiu que a apresentação das cartas afrontou os princípios da impessoalidade e do julgamento objetivo que regem os concursos públicos. O argumento foi negado pela maioria.

Cinco meses depois, um novo parecer contrário a Rafael Campos Soares da Fonseca foi aprovado pela USP.

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