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De Pelé à 'Mão de Deus': a história do Azteca, o único estádio a sediar três

De Pelé à 'Mão de Deus': a história do Azteca, o único estádio a sediar três Copas do Mundo - Author, Giulia Granchi - Role, Da BBC News Brasil em Londres -

De Pelé à 'Mão de Deus': a história do Azteca, o único estádio a sediar três

De Pelé à 'Mão de Deus': a história do Azteca, o único estádio a sediar três Copas do Mundo- Author, Giulia Granchi- Role, Da BBC News Brasil em Londres- Published- Tempo de leitura: 8 min No dia, quando México e África do Sul entrarem em campo pela partida de abertura da Copa do Mundo, um estádio de quase 60 anos cumprirá um feito que nenhum outro alcançou: receber três Copas. O Estádio Azteca, na Cidade do México, já havia sido sede dos Mundiais de 1970 e 1986— e agora se torna o único do planeta a ter abrigado a competição em três edições diferentes.

Mas a relevância do Azteca para a história do futebol não se resume ao número de Copas. Foi ali que Pelé conquistou seu último título mundial e onde Diego Maradona protagonizou, em poucos minutos, o gol mais polêmico e um dos mais celebrados de todos os tempos. Um colosso erguido para o Mundial de 1970

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A construção do estádio começou em 1962, sob o projeto dos arquitetos mexicanos Pedro Ramírez Vázquez e Rafael Mijares Alcérreca, e levou cerca de quatro anos para ser concluída. O Azteca foi inaugurado em, em um amistoso entre o Club América e o Torino, da Itália, que terminou empatado em 2 a 2. Coube a um brasileiro, Arlindo dos Santos, marcar o primeiro gol da história do estádio.

Dos Santos é festejado pelo América mexicano como um dos maiores jogadores da história do clube. Concebido para mais de 100 mil espectadores, o Azteca nasceu como um dos maiores estádios do mundo e, desde o início, foi pensado como vitrine para grandes eventos. Antes mesmo de sediar uma Copa, recebeu partidas de futebol dos Jogos Olímpicos de 1968— e ali se registrou um dos maiores públicos de sua história, com quase 120 mil pessoas no jogo entre México e Brasil.

1970: a despedida triunfal de Pelé das Copas Quatro anos após a inauguração, o estádio recebeu sua primeira Copa do Mundo, em 1970. Leia também: Tudo que você precisa saber para conversar sobre a Copa do Mundo – mesmo

Considerada uma das melhores seleções de todos os tempos, a equipe brasileira chegou à competição liderada por Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. A seleção brasileira vinha dos títulos mundiais de 1958 e 1962 e era uma das favoritas ao campeonato, com jogadores como Gérson, Carlos Alberto, Tostão, Rivellino e Jairzinho no elenco. Pelé abriu o placar aos 18 minutos com uma cabeçada após receber passe de Rivellino.

Roberto Boninsegna empatou para a Itália aos 37. Mas o furacão brasileiro voltou a se impor com os gols de Gérson (21 minutos do 2º tempo), Jairzinho (25 minutos) e Carlos Alberto (41 minutos). Foi nessa partida que o Brasil conquistou o tricampeonato mundial, em um jogo que também marcou a despedida de Pelé das Copas do Mundo.

Antes da decisão, o estádio já havia sido palco de uma das partidas mais lembradas da história das Copas. Na semifinal entre Itália e Alemanha Ocidental, os alemães empataram a partida por 1 a 1 aos 90 minutos e levaram o confronto para a prorrogação. O tempo extra se transformou em uma sequência frenética de reviravoltas: cinco dos sete gols da partida foram marcados em apenas 30 minutos, em um duelo que terminou 4 a 3 para os italianos.

A Fifa descreve aquela prorrogação como "uma das meias horas mais magníficas que uma audiência de massa já viu no futebol". O confronto ficou conhecido como o " Jogo do Século"

e foi tão marcante que o Estádio Azteca instalou posteriormente uma placa para eternizar a partida disputada em. 1986: a 'Mão de Deus' e o 'Gol do Século' Dezesseis anos depois, com o México novamente como anfitrião, o Azteca voltou a ocupar o centro da Copa. Em, nas quartas de final entre Argentina e Inglaterra, Maradona marcou dois gols no intervalo de poucos minutos— e cada um deles entrou para a história por motivos opostos. Mais de mundo

O primeiro saiu da mão esquerda do camisa 10, em uma infração ignorada pela arbitragem. Anos mais tarde, o próprio Maradona resumiria o episódio como um gol marcado "

com a cabeça de Maradona e a mão de Deus". O segundo, no entanto, foi indiscutível: uma arrancada que driblou metade da defesa inglesa e que a Fifa elegeria, em votação, como o melhor gol da história das Copas.

A Argentina venceu por 2 a 1, em uma partida marcada pela tensão política deixada pela Guerra das Malvinas, ocorrida quatro anos antes. Na final de 1986, a Argentina superou a Alemanha Ocidental por 3 a 2. Com isso, o Azteca consolidou uma marca singular: é o único estádio do mundo a ver tanto Pelé quanto Maradona se sagrarem campeões mundiais. Leia também: Acompanhe a cerimônia de abertura da Copa do Mundo 2026 e os principais

Foi também na Copa de 1986 que a "ola"— a onda feita pela torcida nas arquibancadas— ganhou projeção global. Historiadores do esporte costumam associar a popularização mundial do gesto justamente ao público mexicano daquele Mundial. Para os mexicanos, porém, o Azteca também está associado a um dos maiores momentos da história esportiva do país: a conquista da Copa das Confederações de 1999, quando a seleção local derrotou o Brasil por 4 a 3 diante de mais de 110 mil torcedores.

Até hoje, trata-se do principal título da equipe principal masculina do México em competições organizadas pela Fifa. O estádio também foi palco de um dos episódios mais traumáticos para o futebol mexicano. Em 2001, a Costa Rica venceu o México por 2 a 1 nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002, impondo aos anfitriões sua primeira derrota em casa em partidas classificatórias para Mundiais.

O resultado ficou conhecido como " Aztecazo". Reforma, novo nome e o terceiro Mundial

Para a Copa de 2026— disputada por 48 seleções, a maior da história, em sedes do México, dos Estados Unidos e do Canadá —, o Azteca passou por uma ampla reforma, iniciada em 2024 a pedido da Fifa. As obras incluíram melhorias de conforto, novos assentos, conectividade para os torcedores e gramado híbrido, com a capacidade ajustada para cerca de 90 mil lugares. As reformas recentes não foram as primeiras a gerar controvérsia.

Ao longo das últimas décadas, o estádio passou por intervenções que reduziram gradualmente sua capacidade e ampliaram áreas VIP, camarotes e suítes corporativas, mudanças criticadas por parte dos torcedores por alterarem a estética e a experiência tradicional do Azteca. O gramado também já esteve no centro de polêmicas. Em 2018, a NFL, liga de futebol americano dos EUA, cancelou uma partida de temporada regular que seria disputada no estádio mexicano após reclamações sobre as condições do campo, afetado por eventos realizados fora do futebol.

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