Dow Jones Futuro cai com foco em negociações entre EUA e Irã e na inflação
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O Ibovespa fechou mais uma semana em terreno negativo após as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. O cenário de dólar mais forte e juros mais altos no exterior, somado à subida das taxas longas no Brasil, tornou as expectativas mais complicadas para as empresas domésticas, o que se refletiu em novas quedas do índice, que voltou a ficar abaixo dos 170 mil pontos e acumula perda de 2% em junho.
O movimento tem uma explicação técnica: com o juro de longo prazo mais alto no pós-Copom, o mercado recalcula os preços dos ativos com uma taxa de desconto maior sobre o ganho futuro das ações, explica Cristian Pelizza, economista-chefe da Nippur Finance. Mas as quedas também abriram oportunidades.
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Mesmo quando o Ibovespa chegou perto dos 200 mil pontos, as ações brasileiras não chegaram a ficar caras em relação aos seus fundamentos, e o chacoalhão que derrubou o índice para menos de 170 mil pontos abriu oportunidades interessantes, avalia Bruno Lima, gestor de fundos de ações da Bradesco Asset.
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Domésticas e “pechinchas”: onde o valor está mais atraente
Em fevereiro e março, os preços de algumas ações esticaram demais com a forte entrada de capital estrangeiro, pontua Marcos Peixoto, head e estrategista de renda variável da XP Asset. De abril para cá, com a saída de parte desse fluxo, os preços recuaram, mas há empresas que nem haviam subido na onda de compras dos estrangeiros e que sofreram junto. “O juro mais alto, o lado fiscal ruim e o risco de eleição fizeram as empresas voltadas para o mercado doméstico serem dizimadas, e é onde o valor está mais atraente”, afirma. Leia também: Títulos colombianos sobem e indicam otimismo do mercado após eleição
Um fator positivo, segundo ele, é que a maioria dessas empresas está pouco endividada, o que deve reduzir o impacto dos juros altos. No varejo, Peixoto destaca C&A (CEAB3) e Lojas Renner (LREN3), que crescem cerca de 10% ao ano, não têm alavancagem e contam com caixa líquido. No caso da Renner, a projeção é de retorno em dividendo de quase 10% no ano somando recompras e lucros. Ambas são negociadas em torno de seis a sete vezes o lucro, após chegarem a 15 ou 20 vezes há três anos.
No setor de educação, a Cogna (COGN3) caiu de R$ 4,50 no início do ano para R$ 2,50 recentemente, sem mudanças relevantes em seu desempenho, e é negociada a cinco vezes o lucro projetado com baixo endividamento. Já na construção civil, o segmento de baixa renda tem nomes como Tenda (TEND3), Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3), que se beneficiam do programa Minha Casa Minha Vida e contam com recursos do BNDES a juros menores e demanda firme.
“A queda dessas ações reflete mais a narrativa pessimista para o setor, mas é onde o investidor tem de ser contracíclico, ir contra a manada e ver os fundamentos”, diz Peixoto. O fundo de estratégia livre da XP, o Investor, tinha 20% em caixa há três meses e está agora totalmente aplicado. Para ele, há mais oportunidade nesses fundos do que em produtos atrelados ao Ibovespa, já que as ações do índice estão de certa forma melhor precificadas pelas compras dos estrangeiros neste ano.
Dividendos e infraestrutura para menos volatilidade
Para um perfil mais defensivo, gestores convergem para fundos de dividendos e ações de infraestrutura. Lima destaca que a Bradesco Asset tem aproveitado a queda das ações do setor elétrico e de concessões rodoviárias, empresas com balanços robustos que suportam melhor um ambiente de juros mais altos. O retorno médio das concessões rodoviárias, estima ele, está em torno de 10% a 12% acima da inflação, superando o ganho das NTN-Bs, de 8% ao ano. Mais de economia
Shopping centers, setor imobiliário voltado à baixa renda e commodities, com Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3), também figuram entre as apostas da casa, assim como o setor de distribuição de combustíveis, com Ultrapar (UGPA3) e Vibra (VBBR3). Já as small caps, embora ofereçam muitas oportunidades, ainda devem sofrer por mais tempo com o cenário local mais difícil, pondera o gestor.
Na Tenax Capital, o setor preferido é o de utilities, com destaque para Equatorial (EQTL3), pela previsibilidade de receitas de longo prazo. “É uma boa alocadora de capital”, diz Alexandre Silvério, CEO da casa. Peixoto, da XP Asset, reforça a indicação de fundos de dividendos para prazos mais curtos, dada a incerteza com as eleições. “Para prazos mais longos, o ideal seriam fundos de estratégia livre e com um pouco mais de risco”, acrescenta. Leia também: SK Hynix ultrapassa Samsung e se torna a empresa mais valiosa da Coreia do Sul
O que monitorar: câmbio, juros e eleição
Apesar das oportunidades, gestores pedem cautela com setores sensíveis aos juros e ao câmbio. Silvério lembra que a decisão do Federal Reserve de mostrar maior rigor no combate à inflação fortaleceu o dólar, ampliando os efeitos da rotação de capital para inteligência artificial. No Brasil, o risco é que uma pressão excessiva sobre o câmbio acabe contaminando a inflação e complicando o trabalho do Banco Central. Por isso, a Tenax tem aumentado a posição em exportadoras, estratégia que também serve de proteção diante da incerteza eleitoral.
Pelizza reforça o recado: o momento pede diversificação, visão de longo prazo e preferência por setores mais defensivos. “Este será um ano complexo, especialmente com as eleições, que podem causar mais pressões”, diz. Peixoto lembra ainda que o investidor de varejo costuma fazer o movimento oposto ao recomendado, comprando nas máximas e vendendo nas quedas. “É no momento de pessimismo que o investidor tem de aproveitar para aumentar a diversificação”, afirma.
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Angelo Pavini
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