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De guarda-costas a homem forte: como o neto de Raúl Castro ganhou poder em Cuba

Pessoas acenam com bandeiras cubanas durante uma marcha em direção à antiga Embaixada dos Estados Unidos, em protesto contra o embargo americano a Cuba, no Dia Nacional

De guarda-costas a homem forte: como o neto de Raúl Castro ganhou poder em Cuba
Pessoas acenam com bandeiras cubanas durante uma marcha em direção à antiga Embaixada dos Estados Unidos, em protesto contra o embargo americano a Cuba, no Dia Nacional da Rebeldia de Cuba, na Cidade do México, em 26 de julho de 2026. REUTERS/Daniel Becerril TPX IMAGENS DO DIA
Pessoas acenam com bandeiras cubanas durante uma marcha em direção à antiga Embaixada dos Estados Unidos, em protesto contra o embargo americano a Cuba, no Dia Nacional da Rebeldia de Cuba, na Cidade do México, em 26 de julho de 2026. REUTERS/Daniel Becerril TPX IMAGENS DO DIA

Raúl Castro estava em uma visita oficial de Estado a Paris, uma década atrás, como presidente de Cuba, quando um corpulento integrante de sua equipe de segurança chamou atenção.

O homem permanecia tão próximo de Castro enquanto os dois caminhavam pelo tapete vermelho do Palácio do Eliseu que um integrante da guarda de honra francesa tentou afastá-lo.

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Até François Hollande, presidente da França na época, fez um gesto para que ele recuasse.

O segurança que insistia em aparecer nas fotos oficiais não era outro senão o neto de Castro, Raúl G. Rodríguez Castro, coronel do Ministério do Interior.

Hoje, aquele segurança que era praticamente desconhecido se tornou uma figura importante nas negociações de Cuba com os Estados Unidos, embora nunca tenha ocupado um cargo público. Seu nome chegou a ser citado como alguém que poderia ser aceitável para o governo Trump como próximo líder de Cuba. Leia também: Taxa das blusinhas: imposto de 20% pode voltar a valer em 9 de setembro

“Ele exemplifica como aquele governo funciona”, disse Tim Rieser, assessor de política externa do ex-senador Patrick Leahy, democrata de Vermont, que se encontrou várias vezes com Rodríguez Castro. “É muito parecido com uma empresa familiar. Alguém que, há uma década, nos era descrito como o segurança do presidente Castro, por alguma razão e por algum meio, tornou-se algo muito maior do que isso.”

Mas Rodríguez Castro, que se reuniu com algumas das autoridades mais importantes do governo Trump, também pode ter usado sua considerável influência para proteger uma operação de contrabando em larga escala que retirava pessoas de Cuba e levava produtos ilícitos para o país, segundo entrevistas e documentos judiciais.

Rodríguez Castro, de 42 anos, foi acusado de ajudar a introduzir no país mercadorias compradas com cartões de crédito roubados, receber itens de luxo como propina e permitir que criminosos procurados circulassem livremente pela ilha, de acordo com entrevistas e documentos judiciais.

O esquema foi alvo de uma investigação federal que resultou na condenação de pelo menos 21 pessoas e em penas que somaram décadas de prisão. Rodríguez Castro não foi acusado.

Esta reportagem é baseada em documentos judiciais e entrevistas com quase uma dúzia de pessoas que conhecem Rodríguez Castro pessoalmente— incluindo uma pessoa próxima às negociações com os EUA— ou que estão familiarizadas com a investigação criminal na qual seu nome apareceu. Mais de economia

Rodríguez Castro não respondeu aos pedidos de entrevista enviados por canais diplomáticos formais e por meio de um conhecido em comum. Um alto funcionário cubano classificou as acusações como caluniosas.

O papel de destaque de Rodríguez Castro nas conversas com o governo Trump pareceu surpreender alguns funcionários cubanos, que o viam apenas como uma espécie de cuidador do avô.

Ainda assim, um funcionário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba publicou nas redes sociais no mês passado que Rodríguez Castro havia sido alvo de uma “campanha de difamação” na imprensa americana, com o objetivo de fazer o governo cubano parecer dividido. Leia também: Economia: Panorama da semana com inflação nos EUA e restrições da Anvisa

Enquanto ajuda o governo cubano a sobreviver e a administrar seu impasse com os Estados Unidos, pessoas que conversaram com Rodríguez Castro dizem que ele nunca escondeu sua ambição de se tornar o próximo presidente do país— embora não esteja claro se ele tem apoio interno suficiente para isso.

Os contrabandistas cubanos

A rede de tráfico de pessoas era conhecida como Máfia Cubana de Quintana Roo, nome derivado do estado do leste do México onde estava sediada.

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA e integrantes da organização criminosa que colaboraram com os promotores, o grupo usava barcos roubados da Flórida para retirar de Cuba pessoas que queriam chegar aos Estados Unidos.

Os migrantes cubanos eram levados ao México, onde permaneciam em casas usadas como esconderijos até pagar as taxas do tráfico. Segundo depoimentos em tribunal, aqueles que não pagavam eram torturados.

Dois réus no caso apontaram Rodríguez Castro como colaborador da organização, segundo documentos judiciais e entrevistas com várias pessoas familiarizadas com a investigação. José Miguel González Vidal e Reynaldo Crespo Márquez se declararam culpados e receberam longas penas de prisão por sua participação no esquema.

Uma acusação caluniosa

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