
Crédito, Reprodução
- Author, Vitor Tavares
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Published Há 3 horas
- Tempo de leitura: 9 min
O filme Dark Horse (algo como O Azarão, em tradução livre) pretendia ser um relato heroico da trajetória recente do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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Retratando Bolsonaro entre a vida e a morte no leito de hospital após levar uma facada na campanha das eleições de 2018 em Juiz de Fora (MG), o filme foi descrito como um thriller de "baixíssimo orçamento" para padrões americanos pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro e principal idealizador da produção.
Apesar da intenção de projetar o bolsonarismo, Dark Horse acabou se tornando o centro de uma crise para Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência da República. E o "baixíssimo orçamento" é parte do cenário.
Flávio admitiu ter pedido dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para custear "parcelas de patrocínio" da produção que estariam atrasadas — o pré-candidato veio a público depois de a informação ser revelada na quarta-feira (13/5) pelo site The Intercept Brasil, que disse que o valor negociado chegou a R$ 134 milhões. Leia também: Preso pela PF, pai de Daniel Vorcaro é ligado a empresas com quase R$ 500
O pedido foi feito em novembro de 2025, pouco antes da prisão de Vorcaro e de o escândalo do Master, que investiga fraudes financeiras, ter tomado as proporções que tomou.
Após a revelação do pedido de dinheiro, Flávio emitiu nota oficial justificando a conversa com Vorcaro.
"O que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet", disse ele. "Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem", afirmou o senador.
Em vídeo, Flávio também afirmou que o filme "está pronto" e convidou "a todos para assistirem a essa obra-prima".
A ideia, segundo o diretor do longa, Cyrus Nowrasteh, disse em entrevista à BBC News Brasil, é de que o lançamento ocorra em 2026, em setembro, a um mês eleições presidenciais. Mais de mundo
Entenda abaixo o que se sabia até então sobre financiamento do filme as ligações da produção com a direita global.

Crédito, Reprodução/Dark Horse
Produtora recebeu emendas parlamentares
A produção do filme Dark Horse está a cargo da emprea Go Up Entertainment, de Karina Ferreira da Gama.
Gama também é presidente da Academia Nacional de Cultura (ANC), empresa que já recebeu, via emendas parlamentares de deputados do PL, R$ 2,6 milhões para produção de uma série sobre "heróis nacionais".
A empresária é ainda sócia do Instituto Conhecer Brasil, que recebeu mais de R$ 100 milhões da prefeitura de São Paulo para fornecer internet Wi-Fi em comunidades de baixa renda da cidade no último ano, segundo reportagem do Intercept Brasil.
Esse instituto também recebeu em 2025 duas emendas de R$ 1 milhão cada do deputado Mário Frias, idealizador do filme sobre Bolsonaro. Os projetos financiados por Frias eram de incentivo ao esporte e outro de letramento digital.
Arma bolsonarista na 'guerra cultural'

Protagonista atuou em 'O Som da Liberdade'

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