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Curva de juros tem inclinação com mercado vendo Copom leniente com inflação

Às 12h39, a taxa do DI para janeiro de 2027 estava em 14,255%, em ‌baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de 14,303% da sessão anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro

Curva de juros tem inclinação com mercado vendo Copom leniente com inflação
Dinheiro (Foto: Unsplash)
Dinheiro (Foto: Unsplash)

SÃO PAULO, 18 Jun (Reuters)– As taxas dos ⁠DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curtíssimo prazo operam em baixa nesta quinta-feira, enquanto as taxas ⁠com prazos longos têm altas firmes, com o mercado de juros reagindo ao comunicado do Banco Central na ‌véspera, visto como mais ‘dovish’ (suave) no combate à inflação, e ao aumento das apostas de que o Federal Reserve subirá juros até o fim do ano.

Às 12h39, a taxa do DI para janeiro de 2027 estava em 14,255%, em ‌baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de 14,303% da sessão anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,6%, com alta de 25 pontos-base ante o ajuste de 14,349%.

Leia no AINotícia: Economia: Panorama do Mercado e Política em Destaque

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou na noite de quarta-feira um corte de 25 pontos-base da taxa básica Selic, para 14,25% ao ano. Ao mesmo tempo, adotou na visão de vários analistas uma postura “dovish” (mais suave no combate à inflação), ao estender o horizonte relevante da ⁠política ‌monetária— do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028— para que a inflação possa convergir à meta ⁠de 3%.

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Na prática, o BC ‘adiou’ o atingimento da meta de 3% do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028, reforçando a percepção de que pode haver novo corte da Selic em agosto.

‘A curva (de juros) não tem juízo de valor. A parte curta fecha porque entende-se que o BC quer continuar cortando (a Selic), e a longa abre porque entende-se que haverá mais inflação no longo prazo e que os juros estarão ​mais altos’, avaliou Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management. Leia também: PGR pede rejeição de ações que pedem suspensão imediata da Lei da Dosimetria

‘Se o BC quer cortar agora, em algum momento no futuro as taxas terão que ser mais altas’, disse Olivares, ao justificar a inclinação da curva nesta ​quinta-feira.

CORTE EM SETEMBRO

Alguns analistas ouvidos pela Reuters nesta quinta-feira pontuaram que o comunicado até mesmo traz a possibilidade, após nova flexibilização em agosto, de um corte adicional da Selic em setembro— algo que até então estava totalmente fora do radar.

‘Hoje, à luz do que se tem hoje, a chance de corte em agosto aumentou. Em agosto vem (corte da Selic) e em setembro também há uma chance’, disse o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano.

Em análise publicada após a decisão, a equipe da Genial Investimentos também viu uma comunicação ‘dovish’. Mais de economia

“O grande destaque ficou por conta justamente da rolagem do horizonte relevante em um trimestre à frente, sinalizando que ⁠o comitê… opta por buscar uma justificativa que ​sustente um corte de juros, ​mostrando uma postura mais propensa a riscos inflacionários”, avaliou a Genial.

Alguns analistas ouvidos pela Reuters ponderaram que, ao sinalizar mais leniência com a inflação, o ⁠BC pode impactar negativamente as expectativas do mercado para a inflação. Leia também: PGR pede a Moraes para enviar inquérito da Abin paralela à primeira instância

‘Ao ​sinalizar que vai cortar (a Selic), na prática ele diminuiu mais ainda o espaço que ele tem para cortar’, resumiu Olivares, que disse esperar que o BC corrija a comunicação na ata do encontro do Copom, a ser divulgada na próxima terça-feira. ‘Mas o estrago já ​está feito.’

FED

O movimento na curva brasileira ocorre em meio ao aumento das apostas no exterior de que o Federal Reserve poderá subir juros pelo menos uma vez até o fim de 2026. Isso ​porque a instituição anunciou na tarde ⁠de quarta-feira a manutenção de sua taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, mas passou indicações de que um aumento pode ocorrer ⁠até o fim do ano.

Após o avanço da véspera e em meio à queda do petróleo Brent nesta quinta-feira, às 12h38 o rendimento do Treasury de dois anos— que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo— mostrava estabilidade, aos 4,16%. No mesmo horário, o retorno do título de dez anos— referência global para decisões de investimento— caía 3 pontos-base, a 4,436%.

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