MRV (MRVE3): por que as ações saltaram mais de 14% mesmo com prejuízo de R$ 626
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CSN salta e CSN Mineração cai 5% – mesmo que 2T tenha indicado “o contrário”; entenda
2T26 reforçou a percepção de que a CMIN entregou o melhor resultado operacional, enquanto a CSN segue sendo uma história mais dependente da desalavancagem do que da evolução dos negócios, mas ações reagem de "formas contrárias"
Os resultados do segundo trimestre de 2026 de CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3) foram marcados por um contraste entre a melhora operacional e a persistente pressão sobre geração de caixa e balanço patrimonial. Enquanto as duas companhias apresentaram números operacionais melhores ou em linha com as expectativas, os analistas seguem preocupados com a alavancagem do grupo e com a dificuldade de conversão de resultado em fluxo de caixa livre.
Na visão do Goldman Sachs, o trimestre foi operacionalmente positivo, com desempenho mais forte da siderurgia e novo recorde de rentabilidade no cimento compensando a desaceleração da mineração.
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Já para o JPMorgan, a CSN teve um resultado neutro, enquanto a CSN Mineração foi o principal destaque positivo da temporada.
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Contudo, as ações da CSN subiram nesta quinta-feira (13) pós-balanços, com alta de 5,56% (R$ 4,55), enquanto a CSN Mineração caíram 5,18% (R$ 5,49). Mas, vale ressaltar, CMIN3 avança cerca de 12% no acumulado do ano, enquanto CSNA3 desabam cerca de 49% no mesmo período, mostrando os investidores embolsando lucros em CMIN3 e vendo oportunidades em CSNA3 após a forte queda. Leia também: Incerteza sobre contas públicas eleva parcela da dívida atrelada à Selic
CSN: siderurgia e cimento ajudam, mas desalavancagem segue distante
O Ebitda ajustado da CSN somou aproximadamente R$ 2,6 bilhões a R$ 2,8 bilhões no trimestre, superando ou ficando ligeiramente acima das estimativas do mercado. O desempenho foi sustentado principalmente pela divisão de aço, que registrou recuperação relevante de volumes e margens, e pelo segmento de cimento, que entregou mais um trimestre de rentabilidade recorde.
Segundo Goldman Sachs, o Ebitda da operação de aço alcançou R$ 636 milhões, acima das projeções, beneficiado pela retomada dos volumes no mercado doméstico, aumento dos preços realizados e melhora dos custos unitários. O banco destacou que medidas antidumping contra importações ajudaram a criar um ambiente competitivo mais favorável no mercado brasileiro.
O JPMorgan ressaltou que os embarques domésticos cresceram 37% na comparação anual e 9% frente ao trimestre anterior, enquanto o custo caixa por tonelada recuou 3% em relação ao mesmo período de 2025.
O segmento de cimento também voltou a chamar atenção. O Ebitda cresceu mais de 45% ano a ano, impulsionado por reajustes de preços, reforçando a visão de que o negócio continua sendo uma das principais fontes de geração de valor para o grupo. Mais de economia
Apesar da melhora operacional, o mercado continua olhando para a geração de caixa. A XP avaliou que a desalavancagem voltou a ficar para depois, já que a queima de caixa permaneceu elevada, pressionada por investimentos, despesas financeiras e amortizações de contratos de pré-pagamento de minério.
O Goldman Sachs calcula que a companhia consumiu cerca de R$ 2 bilhões em caixa no trimestre. A liberação de capital de giro de aproximadamente R$ 900 milhões não foi suficiente para compensar investimentos de R$ 1,4 bilhão, despesas financeiras de R$ 1,5 bilhão e amortizações ligadas aos contratos de prepay de minério.
Como consequência, a dívida líquida da CSN avançou para cerca de R$ 40 bilhões e a alavancagem subiu para aproximadamente 3,4 vezes Ebitda, permanecendo como principal preocupação dos investidores. Leia também: Incerteza sobre contas públicas eleva parcela da dívida atrelada à Selic
CMIN surpreende em volumes e custos, mas caixa decepciona
Na CSN Mineração, o mercado teve leitura um pouco melhor, com a leitura de embarques de minério de ferro de 11,8 milhões de toneladas, volume acima das projeções de Morgan Stanley, Goldman Sachs e JPMorgan. Os preços realizados também vieram ligeiramente acima das expectativas.
O Ebitda ajustado ficou próximo de R$ 1 bilhão, vindo abaixo de algumas estimativas de consenso, mas superando as projeções de casas como Goldman Sachs e Morgan Stanley.
Segundo Goldman Sachs, a principal surpresa positiva veio da redução dos chamados “outros custos”, que ajudaram a compensar a pressão nos custos operacionais diretos. O custo caixa por tonelada caiu para cerca de US$ 29 por tonelada, melhor do que o esperado pelos analistas.
A XP destacou justamente essa dinâmica: volumes sólidos e custos menores do que o previsto ajudaram a sustentar uma rentabilidade operacional melhor que o esperado, mesmo em um ambiente de preços mais fracos para o minério.
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Lara Rizério
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