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Crédito, AFP via Getty Images
- Author, Iara Diniz*
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Published Há 26 minutos
- Tempo de leitura: 11 min
Quando Cristiano Ronaldo entrar em campo nesta quarta-feira (17/6), na estreia de Portugal contra a República Democrática do Congo na Copa do Mundo 2026, ele alcançará mais um marco em uma carreira repleta de recordes.
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Vestindo a camisa da seleção portuguesa, ele disputará seu sexto Mundial e passará a dividir com o argentino Lionel Messi e o mexicano Guillermo Ochoa o posto de jogador com mais participações em Copas do Mundo.
Mas esse não é o único feito recente do português. No ano passado, Cristiano Ronaldo também atingiu uma marca inédita para um jogador de futebol: tornou-se bilionário. Segundo estimativas do índice Bloomberg, seu patrimônio estimado é de US$ 1,4 bilhão.
Aos 41 anos, Ronaldo continua ativo no futebol profissional e segue sendo uma das figuras mais influentes do esporte no mundo. Sua trajetória financeira atingiu o auge após sua transferência para o Al-Nassr, da Arábia Saudita, em 2023, contrato que teria ultrapassado os 200 milhões de dólares anuais. Leia também: Por que é improvável que brasileiro preso pelo governo Trump seja chefe do PCC
Mas, para entender como um garoto da Ilha da Madeira, em Portugal, chegou a esse patamar, é preciso voltar ao início: a uma infância marcada por dificuldades e a uma carreira construída com disciplina extrema e ambição incomum.
Infância sem presentes no Natal
Nascido em 1985 na Ilha da Madeira, território português no Oceano Atlântico, Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro é o caçula de quatro irmãos.
Sua mãe, Dolores Aveiro, trabalhava como cozinheira e faxineira, enquanto o pai, Dinis Aveiro, era jardineiro municipal. Durante boa parte da vida, Dinis lutou contra a depressão e o alcoolismo.
Ronaldo cresceu em uma casa pequena, dividindo o quarto com os irmãos e vivendo uma infância marcada pela escassez. Em diferentes entrevistas, contou que ele e os irmãos chegavam a esperar do lado de fora de um McDonald's da cidade na esperança de receber hambúrgueres que sobravam ao fim do expediente.
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O contato com o futebol veio cedo. Seu pai trabalhava meio período como roupeiro do Andorinha, um clube local onde Ronaldo começou a jogar aos sete anos. Seu talento logo chamou a atenção.
Em menos de um ano, conquistou seu primeiro prêmio individual em um campeonato infantil ao ser eleito o melhor jogador. Apesar da habilidade, ele tinha dificuldades para lidar com as emoções dentro de campo. Leia também: STF condena Eduardo Bolsonaro por articular ações do governo Trump
De acordo com sua mãe, Dolores, Ronaldo se irritava e chorava facilmente quando os colegas não lhe passavam a bola ou não jogavam do jeito que ele queria— o que fez com que ele ganhasse o apelido de "Chorão".
Aos nove anos, o português deixou as competições infantis da ilha e foi transferido para o maior clube da Madeira, o Nacional. A transferência foi paga com 20 bolas e equipamentos para o time infantil.
Aos 12 anos, ele deu o passo que mudaria sua trajetória. Após ser aprovado em testes no Sporting, de Lisboa, mudou-se sozinho para a capital portuguesa. A distância da família e as provocações de colegas por causa do sotaque madeirense transformaram esse período em "um dos mais difíceis de sua juventude", segundo o jogador.
Dois anos depois, Ronaldo foi expulso da escola após jogar uma cadeira em um professor. De acordo com seu relato, o docente havia feito um comentário sobre a pobreza de sua família. O episódio marcou o fim de sua vida escolar. Com o apoio da mãe, decidiu abandonar os estudos e se dedicar integralmente ao futebol.
Um ano depois, Ronaldo seria diagnosticado com um problema cardíaco que quase o tirou dos campos: seu coração batia de forma irregular e, mesmo em repouso, acelerava. Para salvar sua carreira, ele passou por uma cirurgia. Dias após o procedimento, já estava de volta aos treinos.
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