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“Crise de adolescência” no mercado que mais cresce no Brasil põe investidor em

Não à toa, esses fundos foram responsáveis por 27% do volume captado pelo mercado de capitais em abril, com o segundo maior valor de sua história – R$ 14,9 bilhões em

“Crise de adolescência” no mercado que mais cresce no Brasil põe investidor em
“Crise de adolescência” no mercado que mais cresce no Brasil põe investidor em alerta
Os FIDCs, que captam em ritmo acelerado, trazem inadimplência mais concentrada em fatia específica da classe; entenda os riscos e como se proteger
(Foto: Markus Spiske/Unsplash)
(Foto: Markus Spiske/Unsplash)

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O crescimento acelerado do mercado de crédito privado tem atraído cada vez mais investidores para os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), seduzidos por rentabilidades que muitas vezes superam com folga o CDI. Não à toa, esses fundos foram responsáveis por 27% do volume captado pelo mercado de capitais em abril, com o segundo maior valor de sua história – R$ 14,9 bilhões em ofertas no mês. As emissões são as que mais crescem: 47,6% nos quatro primeiros meses do ano.

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No entanto, um levantamento da Bless Capital, baseado em dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), acende um sinal de alerta sobre onde o risco se esconde dentro dessa indústria.

O risco dos fundos “adolescentes”

A distribuição da inadimplência nos recebíveis revelou um comportamento curioso: os extremos são mais seguros. Fundos altamente concentrados, com até 100 direitos creditórios, apresentam uma inadimplência média de apenas 0,7%.

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Na outra ponta, os gigantes do setor, que pulverizam o risco em mais de 10 mil direitos, registram 1,2% de calotes. Leia também: Medley vê venda de remédios em supermercados como chance de “democratizar

O verdadeiro gargalo está nos fundos que já cresceram, mas ainda não estão na “fase adulta”. Nos fundos “adolescentes” do chamado middle market, com carteiras que operam entre mil e 10 mil direitos creditórios, a inadimplência dispara para 4,8%.

Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, essa parcela do mercado exige atenção especial por uma questão estrutural da operação. “Não necessariamente porque todos esses fundos são ruins, mas porque essa faixa parece reunir o pior dos dois mundos: já há pulverização suficiente para gerar milhares de eventos de crédito, cobrança, conciliação e inadimplência, mas nem sempre há escala operacional para acompanhar tudo com eficiência”, analisa o especialista.

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Essa dinâmica é reforçada por Robson Casagrande, sócio e especialista em investimentos da GT Capital, que enxerga uma forte disparidade de qualidade entre os fundos intermediários. Segundo ele, as teses de pulverização funcionam com mais precisão nos extremos.

Enquanto carteiras pequenas permitem análises detalhadas e fundos gigantes diluem o risco com mais eficiência, o segmento intermediário sofre mais. “O middle market fica no pior dos dois mundos, grande demais para análise individualizada, pequeno demais para que a lei dos grandes números funcione plenamente”, diagnostica Casagrande. Mais de economia

Além do desafio estatístico, o alvo do crédito influencia na conta. O sócio da GT Capital ressalta que “boa parte dos FIDCs intermediários financia empresas médias, justamente o público que mais sente o aperto monetário e que tem menos acesso ao crédito bancário tradicional”.

O perigo da “cota irreal”

Para o investidor pessoa física, o perigo de calote é ainda maior por uma característica técnica dos FIDCs: a marcação da cota. Ao contrário dos fundos de crédito privado tradicionais, que sentem a volatilidade do mercado diariamente, as cotas de recebíveis costumam apropriar o prêmio de forma linear, ou seja, sem considerar o preço no mercado secundário, o que pode mascarar uma carteira já deteriorada.

Casagrande adverte que “a cota sobe de maneira suave, quase linear, criando uma aparência de baixa volatilidade que pode ser enganosa”. A consequência disso é que o investidor só percebe o problema quando o gestor reconhece a perda no balanço, gerando um solavanco de uma só vez no patrimônio. “A ausência de volatilidade diária nas cotas não significa ausência de risco, significa que o risco só aparece quando se materializa, e quando aparece, geralmente é tarde demais para sair”, alerta. Leia também: Maior Copa do Mundo da história tem previsão de movimentar mais de R$ 200

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O que investidor deve fazer?

Diante das incertezas, avaliar o momento de entrada exige cautela extra. A recomendação de Perri é desconfiar de promessas muito agressivas. “A primeira dica é não olhar apenas a taxa. FIDC pagando muito acima do CDI pode ser oportunidade, mas também pode ser sinal de risco de crédito, risco de estrutura ou baixa liquidez”, pondera o economista-chefe da Forum Investimentos.

“Em FIDC, a cota não é o termômetro do risco, a estrutura é”, resume Casagrande, orientando os investidores a vasculharem o Informe Mensal disponível nos sites da CVM.

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Em vez de focar no calote já consumado – pois, como ele nota, “a inadimplência indica quando o estrago já aconteceu” –, a leitura deve rastrear os créditos a vencer com parcelas em atraso e o índice de recompras da carteira.

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