Brasil foi principal destino de investimentos chineses em 2025
Ler matéria →O governo do ultraliberal Javier Milei enfrenta o pior momento à frente da Argentina em meio a escândalos de corrupção, queda nos índices de popularidade e na atividade econômica e industrial.
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A inflação, até então principal vitrine política da Casa Rosada, voltou a acelerar. Após reduzir a inflação mensal de dois dígitos, no final de 2023, para cerca de 2% ao mês, ao longo de 2025, os índices de preços voltaram a subir entre o final do ano passado e o início de 2026, chegando a 3,4% em março deste ano.
A aceleração recente fez Milei reconhecer dificuldades econômicas publicamente. “O dado é ruim”, disse em uma rede social.
Ao mesmo tempo, a atividade econômica na Argentina apresentou uma retração de 2,6% em fevereiro, se comparado a janeiro, com uma queda acumulada de 2,1% nos últimos 12 meses.
Talvez a situação mais preocupante seja a queda na produção industrial, que registrou baixa de 4% em fevereiro, acumulando uma queda de 8,7% nos últimos 12 meses. Leia também: Meio/Ideia: apesar da liderança, Lula é desaprovado por 49% dos brasileiros
Plano econômico
O professor de economia da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP) Paulo Gala comentou que o plano econômico de Milei é “simplista” e não tem dado conta de reverter completamente à situação econômica que herdou.
“As pessoas não confiam mais no peso [moeda argentina]. Elas dolarizam [cotam em dólar] os contratos, um pouco parecido com o que aconteceu com o Brasil antes do Plano Real. Com isso, com qualquer coisa a inflação volta a acelerar. Reduzir o tamanho do Estado não resolve nada”, disse.
O governo de Milei prega a redução do tamanho do Estado, com corte de gastos e austeridade fiscal, como medidas para conter a inflação e recuperar a economia.
O economista Gala avalia que o plano de Milei não deve ir muito longe, argumentando que seriam necessárias outras medidas, como instituir uma nova moeda.
Ele destacou ainda que o peso argentino está sobrevalorizado, o que tem, segundo ele, destruído a indústria do país. Mais de economia
“Esse mergulho da atividade manufatureira é fatal para o país porque esse setor é responsável por aumento de produtividade, por ganhos tecnológicos. Esse dado da indústria é muito ruim. Essa abertura comercial violenta que o Milei tem feito também destrói o pouco que restou de indústria na Argentina”, completou.
Para o especialista, a tendência é a Argentina se desindustrializar cada vez mais, focando a economia apenas no setor agroexportador de matérias-primas. Leia também: TSE cobra explicações de Lula sobre publicidade oficial após ação do PL
“Não está descartado um cenário de recessão e, possivelmente, nova crise cambial com enorme dívida em dólares”, analisa Paulo Gala.
A Argentina tem contraído novos empréstimos com bancos internacionais, em dólares, para segurar o valor do peso.
Popularidade
Além da situação econômica difícil, recentes casos de corrupção têm contribuído para a queda nos índices de popularidade do governo.
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