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Copa perde força como motor de vendas para indústria de televisores

Em 2026, porém, o torneio não está produzindo o mesmo efeito observado em edições anteriores

Copa perde força como motor de vendas para indústria de televisores

A Copa do Mundo costuma ser um dos principais motores de vendas para a indústria de televisores no Brasil. Em 2026, porém, o torneio não está produzindo o mesmo efeito observado em edições anteriores. Apesar do crescimento de 11% da indústria de eletroeletrônicos nos cinco primeiros meses do ano, as vendas de TVs avançaram apenas 3%, resultado considerado abaixo das expectativas do setor.

Os números foram divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) durante a abertura da 19ª edição da Eletrolar Show All Connected, realizada no Distrito Anhembi, em São Paulo. Segundo a entidade, os fabricantes venderam 5,6 milhões de televisores ao varejo entre janeiro e maio. A expectativa é encerrar o ano com cerca de 14,1 milhões de unidades comercializadas pela indústria.

Leia no AINotícia: Economia: O que movimentou o setor nesta semana

Para o presidente da Eletros, José Jorge do Nascimento, o resultado reflete um cenário econômico ainda desafiador para produtos tradicionalmente adquiridos por meio de parcelamento. “Três por cento de crescimento é pouco, especialmente em ano de Copa, quando historicamente se espera expansão de dois dígitos. O setor continua enfrentando os efeitos dos juros elevados e do alto nível de endividamento das famílias, fatores que afetam diretamente a decisão de compra”, afirma. Leia também: Trump diz que fará “o que for preciso” caso Irã não cumpra acordo

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Embora o futebol continue movimentando o varejo, o impacto sobre a venda de televisores parece mais moderado do que em ciclos anteriores. Dados da NielsenIQ mostram que as vendas no varejo cresceram 8% no primeiro trimestre, impulsionadas principalmente por modelos de telas maiores, acima de 65 polegadas, equipamentos com maior valor agregado e tecnologia mais avançada.

Ainda assim, o desempenho está distante do observado em outras edições do Mundial. “Existe demanda e a oferta está adequada, mas estamos longe de repetir o comportamento de 2018, quando as vendas cresceram cerca de 30%”, afirma Mateus Andrade Rabelo, gerente sênior de custom services da NielsenIQ.

Segundo ele, a Copa de 2022 não serve como parâmetro de comparação porque ocorreu no fim do ano, coincidindo com Black Friday e Natal, dois períodos tradicionalmente fortes para o varejo.

Os especialistas do setor avaliam que o mercado brasileiro de televisores atravessa uma fase diferente daquela observada há uma década. Se em 2014 a realização da Copa no Brasil levou milhões de consumidores a anteciparem a troca dos aparelhos, hoje boa parte das famílias já possui televisores de tela plana e alta definição, reduzindo a necessidade de renovação. Mais de economia

Além disso, o atual cenário de juros elevados torna o parcelamento mais caro e reduz o espaço para compras de maior valor. O resultado é uma mudança de perfil: em vez de um aumento expressivo no número de aparelhos vendidos, o mercado observa maior procura por equipamentos premium, especialmente telas maiores e modelos com recursos avançados de conectividade. Leia também: “Crescimento da direita em todo mundo é fruto de insatisfação”, diz Paulo Guedes

Recorde histórico continua distante

Os dados da Eletros mostram que dificilmente o mercado conseguirá repetir o desempenho registrado em 2014, quando a Copa realizada no Brasil impulsionou a venda de aproximadamente 15 milhões de televisores, recorde histórico do setor. Mesmo assim, a expectativa para 2026 permanece positiva. Caso as projeções se confirmem, as vendas podem alcançar cerca de 14,5 milhões de unidades, o que representaria o segundo melhor resultado da história da indústria nacional de televisores. “Seria um desempenho muito relevante para o setor, mesmo sem repetir os números históricos de 2014”, afirma Nascimento.

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Anna França

Jornalista especializada em economia e finanças. Foi editora de Negócios e Legislação no DCI, subeditora de indústria na Gazeta Mercantil e repórter de finanças e agronegócios na revista Dinheiro

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