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Conselho da Paz de Trump: quem são os membros e por que grupo é tão polêmico?

Legenda da foto, O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (centro), nomeou o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair (esquerda), e o secretário de Estado

Conselho da Paz de Trump: quem são os membros e por que grupo é tão polêmico?
Colagem com imagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (centro), vestindo paletó escuro, camisa branca e gravata azul; do ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair (esquerda), com paletó escuro e camisa branca de gola aberta; e do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio (direita), também usando paletó escuro, camisa branca e gravata azul
Legenda da foto, O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (centro), nomeou o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair (esquerda), e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio (direita), como membros do conselho executivo do Conselho da Paz
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    • Author, Luis Barrucho
    • Role, BBC World Service
  • Published 19 fevereiro 2026
    Atualizado Há 3 horas
  • Tempo de leitura: 9 min

O Hamas concordou com o "desarmamento total" em um acordo com o Conselho da Paz, um órgão internacional criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Descrevendo o acordo como "histórico", o conselho afirma que haverá um plano gradual que levará à retirada completa das forças israelenses. Israel, que controla cerca de dois terços da Faixa de Gaza, ainda não se pronunciou.

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Mas o que é o Conselho de Paz?

O presidente dos EUA, Donald Trump, está sentado com o presidente da Argentina, Javier Milei, o primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, o ministro da Corte do Primeiro-Ministro do Bahrein, Shaikh Isa bin Salman bin Hamad Al Khalifa, o ministro das Relações Exteriores do Marrocos, Nasser Bourita, o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, o primeiro-ministro da Bulgária, Rosen Zhelyazkov, e o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, durante o anúncio da criação do Conselho da Paz de Trump.

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Donald Trump lançou oficialmente seu Conselho de Paz à margem do Fórum Econômico Mundial, em Davos, em janeiro de 2026

O que é o Conselho da Paz?

A criação do órgão foi proposta no fim de setembro de 2025, como parte do plano de paz de 20 pontos apresentado pelo governo Trump para encerrar a guerra de dois anos entre Israel e Hamas e supervisionar a reconstrução de Gaza. Posteriormente, a ideia foi endossada por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. Leia também: Por que uma guerra limitada com EUA pode ser melhor para Irã do que a paz

No entanto, a carta constitutiva do órgão não menciona explicitamente Gaza nem os territórios palestinos, o que levantou temores de que pudesse ter um escopo mais amplo e assumir funções tradicionalmente desempenhadas pela Organização das Nações Unidas.

A iniciativa foi lançada formalmente quatro meses depois, em 22 de janeiro, à margem do Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Na estrutura atual, Trump atua como presidente do conselho vitalício, o que lhe confere ampla autoridade de decisão. Para aderir à instituição de forma permanente, é preciso pagar uma taxa de US$ 1 bilhão.

O presidente dos EUA, Donald Trump, exibe um documento impresso com sua assinatura durante a reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos. Ele está sorrindo e segura o documento de duas páginas, encadernado em um livro de apresentação, com ambas as mãos.

Crédito, AFP via Getty Images

Legenda da foto, Na estrutura atual, Trump atua como presidente vitalício do conselho

Quem integra o Conselho da Paz?

Dos 60 países convidados pela Casa Branca, mais de 20 aceitaram participar do Conselho da Paz, incluindo Israel, Catar, Arábia Saudita, Turquia e Egito. Mais de mundo

Nenhum dos principais aliados europeus dos Estados Unidos— entre eles o Reino Unido e a França— aderiu à iniciativa, e vários manifestaram preocupação de que ela pudesse ofuscar a Organização das Nações Unidas. A China e a Rússia tampouco aderiram ao grupo— embora Trump tenha feito um convite a Vladimir Putin. Leia também: 'Achei que um suplemento fitness era seguro, mas entrei em surto psicótico'

Trump retirou o convite feito ao Canadá sem dar qualquer explicação. Ottawa havia sinalizado interesse em participar, mas não pagaria a taxa de adesão de US$ 1 bilhão.

O Brasil também foi convidado, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condicionou sua participação à inclusão de representantes palestinos.

"Se o Conselho for para cuidar de Gaza, o Brasil tem todo o interesse de participar. Agora, é muito estranho que você tenha um Conselho e não tenha um palestino na direção. O Brasil tem todo o interesse de participar, mas é preciso que os palestinos estejam na mesa, senão não é uma comissão de paz", disse Lula em entrevista ao UOL em 5 de fevereiro.

Em janeiro, Lula havia criticado a proposta. Durante um evento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador, o presidente brasileiro afirmou que Trump queria "ser dono da ONU".

Gráfico do Conselho da Paz, intitulado “Quem integra o conselho executivo da Paz?”, mostra uma grade com os nomes dos membros e seus cargos. No topo está Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA; Jared Kushner, assessor da Casa Branca e genro de Trump; e Steve Witkoff, enviado especial dos EUA. Na linha inferior estão Tony Blair, ex-primeiro-ministro do Reino Unido; Marc Rowan, CEO da empresa de capital privado Apollo Global Management; e Ajay Banga, presidente do Banco Mundial. Um último nome aparece abaixo da grade: Robert Gabriel, assessor de segurança nacional dos EUA. Fonte: Casa Branca.

Na reunião inaugural do Conselho, em fevereiro, Trump afirmou que os Estados-membros contribuíram com US$ 7 bilhões para a reconstrução de Gaza após o desarmamento do Hamas.

Gráfico do Conselho de Gaza, intitulado “Quem integra o conselho executivo de Gaza?”, mostra uma grade com os nomes dos membros e seus cargos. Na primeira linha estão Steve Witkoff, enviado especial dos EUA; Jared Kushner, assessor da Casa Branca e genro de Trump; e Tony Blair, ex-primeiro-ministro do Reino Unido. Na linha seguinte aparecem Hassan Rashad, chefe da inteligência do Egito; Marc Rowan, CEO da empresa de capital privado Apollo Global Management; e Hakan Fidan, ministro das Relações Exteriores da Turquia. Na linha inferior estão Reem Al‑Hashimy, ministra de Estado dos Emirados Árabes Unidos para cooperação internacional; Nickolay Mladenov, político búlgaro e ex-enviado da ONU para o Oriente Médio; e Sigrid Kaag, coordenadora especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio. Outros nomes mostrados abaixo da grade são Ali Al‑Thawadi, ministro de Assuntos Estratégicos do Catar, e Yakir Gabay, bilionário israelense do setor imobiliário. Fonte: Casa Branca.

Como funciona o Conselho da Paz?

  • o Founding Executive Board (Conselho Executivo Fundador, em tradução livre), com foco de alto nível em investimentos e diplomacia;
  • o Gaza Executive Board (Conselho Executivo de Gaza, em tradução livre), responsável por supervisionar todo o trabalho em campo do Comitê Nacional para a Administração de Gaza, um grupo de tecnocratas encarregado da governança temporária e da reconstrução do território.
  • o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio;
  • o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff;
  • Jared Kushner, genro de Trump;
  • o ex-primeiro ministro do Reino Unido, Tony Blair.

O Conselho da Paz pode 'consertar' Gaza?

Imagens captadas por drone mostram a destruição em um bairro residencial da Cidade de Gaza em 24 de outubro de 2025, após a retirada das forças israelenses da área, em meio a um cessar-fogo entre Israel e o Hamas em Gaza.
Legenda da foto, ONU estima que cerca 80% dos prédios em Gaza foram destruídos ou danificados
Adultos e crianças caminham em meio ao entulho e prédios destruídos. Tendas são vistas ao fundo.
Legenda da foto, Palestinos caminham entre as ruínas do bairro de Al Tuffah, na zona leste da Cidade de Gaza, em meio ao cessar-fogo entre Israel e o Hamas.
O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair cumprimenta Donald Trump, ambos usam ternos na cor azul, camisas brancas e gravatas vermelhas. O presidente também usa um broche com a bandeira dos EUA na lapela.
Legenda da foto, Nenhum dos dois órgãos criados em conjunto com o Conselho de Paz inclui representantes palestinos
Kaja Kallas, discursa em um pódio durante o último dia da Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha
Legenda da foto, A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, afirmou que o Conselho da Paz é um instrumento pessoal de Trump
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