A linha de produção do caça sueco Gripen E no Brasil deverá ser expandida devido à compra do modelo pelo governo da Ucrânia. Na semana passada, Kiev e Estocolmo firmaram acordo para a venda de 20 aviões da fabricante Saab. O negócio, de quase R$ 15 bilhões, será bancado pelo empréstimo que a União Europeia conseguiu descongelar para os ucranianos após a saída do poder do premiê da Hungria, Viktor Orbán, aliado de Vladimir Putin que vinha vetando a transação.
" Para este primeiro lote, teremos de aumentar a produção. Precisamos expandir no Brasil e talvez ter novas unidades", afirmou o chefe de vendas da fabricante Saab, Mikael Franzén.
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Hoje, a empresa tem capacidade de produzir cerca de 20 Gripen por ano. " Talvez precisaremos ir a 30, ou mais", disse o executivo em uma conversa com jornalistas em Linköping, cidadezinha sueca onde fica a fábrica do Gripen. Leia também: Coordenador de campanha de Flávio acusa aliados de Lula de fake news ao falar
A linha brasileira está na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, no interior paulista. Ele ressalvou que o contrato ainda não está assinado. A fábrica brasileira entregou para testes de voo seu primeiro Gripen feito localmente em março, e tem outros três aviões em produção.
A expansão no Brasil não visa montar aviões para Kiev, ainda que eles usarão partes produzidas no Brasil, como painel digital da aeronave. Além de atender ao contrato brasileiro, a fábrica paulista deverá produzir os 15 modelos E, para um piloto, que a Colômbia comprou no ano passado. Os três aviões de dois lugares, designados
F nessa geração, serão fabricados na Suécia. A Ucrânia, que perdeu segundo o site de monitoramento Oryx 114 aviões na guerra, com o reforço de modelos americanos F-16 europeus, soviéticos MiG-29 poloneses e eslovacos, além de alguns Mirage-2000 franceses, hoje tem 99 aeronaves.
Além dos Gripen, Zelenski negocia até uma centena de caças franceses Rafale, mas esse negócio é duvidoso —o modelo é mais caro para adquirir e operar. Franzén não quis comentar outro impacto potencial para o Brasil da negociação com Kiev. Como parte do acordo, Estocolmo concordou em doar 16 Gripen C/D, modelos de geração anterior à do brasileiro, de sua atual frota de 96 caças. Mais de politica
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, quer que os aviões sejam entregues a partir da virada do ano para reforçar suas defesas contra os invasores russos, em guerra no país desde 2022. Os modelos novos, da família E/F usada pelo Brasil, só deverão começar a chegar em 2030. O problema é que a FAB (Força Aérea Brasileira) vinha negociando com o governo sueco a aquisição desses aviões mais antigos para suprir o apagão em uma de suas capacidades, a de ataque a solo.
Ela é exercida hoje pelos AMX baseados em Santa Maria (RS). São 23 aviões que já tiveram sua vida útil estendida de 2025 para 2027. Os Gripen novos deveriam substituí-los, mas hoje só há 11 dos 36 caças comprados no país. Leia também: Risco de 'super el niño' faz governo montar grupo de especialistas para
Sua prioridade a partir da entrada neste ano em uso 100% operacional, com todos os armamentos testados, é a defesa do centro do poder a partir da base da FAB em Anápolis (GO). A doação dos Gripen antigos da Suécia para a Ucrânia dificulta o desejo dos militares de ver 12 desses aviões transferidos rapidamente para Santa Maria. Segundo Franzén, este é um tema a ser discutido entre os governos.
Voltaram a circular nos meios militares especulações acerca da compra de um vetor novo para o país, talvez o italiano M-346FA ou mesmo F-16 americanos antigos de algum arsenal europeu —uma ideia algo exótica, dado que o avião não é especializado em ataque a solo—, que havia sido ventilada pela própria FAB. Como outras empresas de defesa com alcance global, a Saab tem vivido uma fase de grande crescimento na atual fase de instabilidade com as guerras na Europa e no Oriente Médio. A empresa vendeu em 2025 quase o dobro do que em 2022, chegando ao equivalente a R$ 42 bilhões.
Para este ano, a previsão é de 20% de crescimento. Viu sua força de trabalho ser acrescida quase 10% ao ano no período, chegando a 30 mil funcionários, com 59% de suas vendas no mercado externo. O jornalista viaja a convite da Saab Comentários
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