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Como sobrevivem os partidos que não recebem Fundo Partidário: doações, filiados

Câmara aprova projeto que enfraquece fiscalização e alivia punições a partidos políticos A maior parte dos partidos brasileiros depende do Fundo Partidário para se manter

Como sobrevivem os partidos que não recebem Fundo Partidário: doações, filiados

Câmara aprova projeto que enfraquece fiscalização e alivia punições a partidos políticos

A maior parte dos partidos brasileiros depende do Fundo Partidário para se manter. Mas um grupo de 9 siglas sobrevive quase sem esse repasse: são partidos que têm praticamente todo o dinheiro vindo de doações, contribuições de filiados, outras contribuições, receitas diversas e depósitos judiciais.

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Os dados da prestação de contas eleitorais mostram que, entre 29 partidos com prestação disponível, 20 tiveram o Fundo Partidário como principal fonte de receita em 2025.

Outras 9 siglas tiveram 99,9% ou 100% das receitas vindas de outras fontes. São elas: DC, PSTU, Agir, Missão, UP, Mobiliza, Democrata, PCB e PRTB. Leia também: Presidente do TSE reúne institutos de pesquisa para tratar de critérios

O acesso aos recursos do Fundo Partidário depende de um desempenho mínimo nas eleições para a Câmara dos Deputados, desde uma emenda constitucional de 2017. Pela regra, os partidos precisam obter ao menos 3% dos votos válidos para deputado federal, distribuídos nacionalmente, ou eleger pelo menos 15 deputados federais.

O maior valor entre os partidos desse grupo foi declarado pelo DC, com R$ 2,8 milhões em receitas. Segundo os dados da prestação de contas, 99,9% do total veio de outros recursos, principalmente doações de pessoas físicas. O partido declarou ter R$ 197,97 do Fundo Partidário no período. As despesas declaradas pelo DC somaram R$ 2,7 milhões.

Infográfico mostra como nove partidos que não receberam Fundo Partidário em 2025 financiaram suas atividades com doações, contribuições de filiados e outras receitas.— Foto: Equipe de Arte/g1

Dois partidos desse grupo registraram despesas maiores que as receitas declaradas no ano: Mobiliza e PRTB. No caso do Mobiliza, as despesas superaram as receitas em R$ 181,5 mil. No PRTB, a diferença foi de R$ 12 mil.

Outras siglas ficaram praticamente no limite entre o que arrecadaram e o que gastaram. O PSTU, por exemplo, declarou R$ 1,4 milhão em receitas e R$ 1,4 milhão em despesas, com saldo positivo de apenas R$ 3 mil. No Agir, a diferença foi de R$ 10,5 mil. No DC, de R$ 25,8 mil. Mais de politica

O peso dos filiados varia bastante entre as siglas. No PSTU, eles foram a principal base financeira do partido em 2025: as contribuições somaram R$ 1,06 milhão, cerca de 75% de toda a receita declarada. Na UP, os filiados também tiveram papel relevante, com R$ 246,2 mil, valor próximo ao arrecadado com doações de pessoas físicas. No PCB, as contribuições de filiados somaram R$ 48 mil e ficaram atrás apenas das outras contribuições.

A distância em relação aos maiores partidos é grande. O PL, por exemplo, declarou R$ 318,3 milhões em receitas em 2025, sendo R$ 312,2 milhões do Fundo Partidário, o equivalente a 98,1% do total. As despesas do partido somaram R$ 207,5 milhões.

O PT declarou R$ 240,1 milhões em receitas, dos quais 80,4% vieram do Fundo Partidário. As despesas somaram R$ 238,3 milhões. Leia também: CIEE lança prêmio para jornalistas que cobrem transformações do trabalho

  • Democracia Cristã (DC)

O DC arrecadou R$ 2,7 milhões em 2025. As três maiores fontes de receita foram doações de pessoas físicas, com R$ 1,8 milhão; transferências recebidas de direções estaduais, com R$ 583 mil; e outras receitas diversas, com R$ 186,7 mil.

Entre as doações de pessoas físicas, os maiores repasses identificados foram de Karen Cristina Alves dos Santos, com R$ 160 mil, e Marcelo Correia de Vasconcelos, com R$ 150 mil. Karen aparece como sócia-administradora de uma empresa de seguros em Minas Gerais. Marcelo aparece como sócio-administrador em empresas de diferentes ramos, como holdings, eventos, energia elétrica, comércio farmacêutico, atividades imobiliárias e aluguel de máquinas. Os maiores valores vieram de São Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais.

Com despesas totais de R$ 2,74 milhões em 2025, o DC concentrou seus gastos sobretudo na folha de pessoal, sua maior rubrica isolada. Logo atrás vêm as transferências financeiras efetuadas. Somadas, as duas categorias respondem por quase metade de tudo o que o partido gastou no ano. Ao incluir os recolhimentos ao erário, ou seja, valores devolvidos aos cofres públicos, terceira maior despesa, o total ultrapassa 60% do orçamento. Aluguéis, condomínios e receitas devolvidas completam o quadro das cinco maiores rubricas, mas com peso menor.

  • Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU)

  • Tribunal Superior Eleitoral
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