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Como Países Baixos se tornaram terceiro maior exportador de alimentos do mundo

Como Países Baixos se tornaram terceiro maior exportador de alimentos do mundo apesar do território pequeno Crédito, Guy Ackermans/WUR Legenda da foto, O professor Leo

Como Países Baixos se tornaram terceiro maior exportador de alimentos do mundo
Como Países Baixos se tornaram terceiro maior exportador de alimentos do mundo apesar do território pequeno
O professor Leo Marcelis mostra uma das plantas de tomate em uma estufa de alta tecnologia.

Crédito, Guy Ackermans/WUR

Legenda da foto, O professor Leo Marcelis é chefe do grupo de Horticultura e Fisiologia Vegetal da Universidade de Wageningen
Article Information
    • Author, Alejandra Martins
    • Role, BBC News Mundo
  • Há 2 horas
  • Tempo de leitura: 11 min

O resultado é uma produção até cinco vezes maior do que a de uma estufa de baixa tecnologia na América Latina.

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As plantas estão localizadas no campus da Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen (WUR), nos Países Baixos, um centro de renome mundial para pesquisa em produção de alimentos.

A universidade fica no coração do chamado Food Valley ("Vale da Alimentação", em tradução literal do inglês), um complexo de centros de pesquisa que permitiu que os Países Baixos se tornassem o terceiro maior exportador de alimentos do mundo (em valor monetário) com um território de pouco mais de 41.000 km², 70 vezes menor que a Argentina.

Como isso foi possível? A BBC Mundo (serviço em língua espanhola da BBC) conversou com especialistas da Universidade de Wageningen, incluindo pesquisadores latino-americanos, sobre inovações na produção de alimentos no país, possíveis aplicações na América Latina e o grande desafio para os Países Baixos: reduzir o consumo de energia e aumentar a sustentabilidade. Leia também: Como os Lundgren criaram o império das Pernambucanas e as controvérsias que

Condições favoráveis

Tanto o clima quanto a localização geográfica favorecem os Países Baixos, afirma à reportagem o cientista Leo Marcelis, chefe do grupo de Horticultura e Fisiologia Vegetal da Universidade de Wageningen.

"Temos um clima razoável e água em abundância. Temos um clima marítimo; os verões não são muito quentes e os invernos não são extremamente frios", aponta ele.

O país também tem milhões de potenciais consumidores europeus nas proximidades, acrescenta Marcelis, e o maior porto de transbordo da Europa Ocidental para o setor agrícola, Roterdã.

Entre os principais produtos exportados estão vegetais, carne, laticínios, plantas ornamentais e flores. Os maiores mercados são Alemanha, Bélgica, França e Reino Unido, entre outros.

Um cientista da Universidade de Wageningen exibe uma planta com tomates grandes e maduros em uma estufa de alta tecnologia.

Crédito, Wageningen University & Research Mais de mundo

Legenda da foto, Estufas de alta tecnologia do país têm produtividade até cinco vezes maior que convencionais

Grandes quantidades de matéria-prima também são importadas para processamento e exportação. Leia também: Anna Jarvis, a mulher que inventou o Dia das Mães e depois se arrependeu

Os Países Baixos são um dos principais exportadores mundiais de produtos de cacau, por exemplo, e o maior importador de grãos de cacau, que são processados ​​em produtos semiacabados, como pasta de cacau, manteiga e cacau em pó, para exportação.

"Há um aspecto muito importante que talvez nos diferencie de muitos outros países: a colaboração e a cooperação."

A troca de experiências entre os agricultores é uma tradição secular, evidente nos leilões de hortaliças e flores e nas cooperativas de produtores.

"Os agricultores costumam se encontrar semanalmente. Eles visitam as fazendas uns dos outros para ver as plantações e aprender uns com os outros."

E essa troca é facilitada pelas curtas distâncias entre eles.

Contêineres nas plataformas de carregamento do porto de Roterdã
Legenda da foto, Rotterdam é o maior porto de transbordo da Europa Ocidental para o setor agrícola

'Todo um ecossistema' de inovação

Vista aérea dos edifícios no extenso campus da Universidade de Wageningen, onde inúmeras empresas instalaram seus departamentos de pesquisa ao redor do centro acadêmico.
Legenda da foto, Marcelis afirma que no campus da Wageningen também há departamentos de pesquisa de grandes empresas como Unilever ou FrieslandCampina

Estufas com sensores

A professora mexicana Cristina Zepeda, jovem e de óculos, inspeciona plantas em uma estufa.
Legenda da foto, Cientista mexicana Cristina Zepeda é professora associada de ciências vegetais em Wageningen
O professor brasileiro Nilson Vieira, jovem e sorridente, olhando para a câmera.
Legenda da foto, Cientista brasileiro Nilson Vieira Junior é professor associado em Wageningen e se especializou em fisiologia vegetal e modelos computadorizados de culturas agrícolas

O principal gargalo: energia

Vasos de plantas monitorados por câmeras e sensores.

IA na pecuária

Foto em close-up do rosto de uma vaca leiteira
Legenda da foto, Pesquisador diz que redição em 25% de emissões de metano na pecuária em 25 anos é objetivo realista

De Wageningen à América Latina

Um cientista segura um monitor de temperatura na mão em frente a diversas plantas que crescem em substratos hidropônicos.
Legenda da foto, Luzes LED de diferentes cores permitem controlar quais compostos a planta produz
Pequenas plantas cultivadas em substratos hidropônicos
Legenda da foto, 'As plantas são cultivadas em substratos, o que permite um maior controle do fornecimento de nutrientes e possibilita a reutilização quase total da água de irrigação', destaca Vieira.
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