TSE veta acesso de Marçal a fundos eleitoral e partidário e participação
Ler matéria →A influência política crescente dos evangélicos no Brasil serve de modelo para a direita radical na Europa. E em Portugal, o Chega está a tentar copiar as pisadas de Bolsonaro e Michelle e agarrar esta fatia do eleitorado. A maioria das democracias modernas consagra a separação entre o Estado e a fé.
Mas, na prática: religião e política estão estrategicamente entrelaçadas. No Brasil, o crescimento do poder dos evangélicos nas últimas décadas tem sido enorme, e eles são hoje uma forte base de sustentação do bolsonarismo. Sendo Bolsonaro católico, foi fundamental a mulher Michelle, ativa evangélica, para falar para esta ala, que representa quase 30% da população.
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Em Portugal, André Ventura tanta copiar esta fórmula de sucesso. O líder do Chega é católico assumido e alegadamente praticante, mas desde a fundação do partido que tem proximidade com as franjas evangélicas em ascensão. Já em 2020, a revista Visão, que eu dirigi, noticiava que líderes evangélicos faziam campanha pelo partido da direita radical.
Agora, o Chega tenta aumentar a sua influência através de um movimento de mulheres conservadoras, onde estão várias brasileiras evangélicas e também Rita Matias, a mulher com mais protagonismo no partido. Tal como fazem os Bolsonaro, Ventura tenta assim jogar nos dois tabuleiros. É claro que, em Portugal, esta corrente não é tão forte como no continente americano.
Os últimos dados oficiais, de 2021, mostravam uma população com 80% de católicos e menos de 200 mil evangélicos e protestantes. Mas o número está a crescer muito, também graças à imigração brasileira– 65% das igrejas criadas nos últimos anos são pastoreadas por missionários brasileiros. Mas porquê todo este interesse? Mais de politica
Desde logo, porque, no mundo, estas igrejas têm muito dinheiro e uma clara estratégia de poder. E depois, porque, segundo os especialistas, os crentes evangélicos são muito fiéis às indicações dos seus sacerdotes. Eles podem ser menos, mas são muito obedientes. Leia também: Sem Lula, Flávio e Zema, eleição presidencial terá debate de estreia com menor
De resto, as incongruências são as mesmas dos dois lados do Atlântico. Muitos destes crentes não seguem nem aplicam a palavra de Cristo na relação com os outros. E estas mulheres conservadoras querem ter um papel político ativo, ao mesmo tempo que defendem a menorização feminina e o regresso a um tempo e a um modo em que elas não podiam fazer nada sem a autorização dos maridos, além de cuidar dos filhos.
Depois de tantas antes delas terem lutado pelo direito ao voto, a autonomia e a igualdade perante a lei, estas pobres mulheres fazem agora uso desta liberdade para pedir a submissão. Deus as perdoe por tanta insensatez. Comentários
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