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Crédito, James Gill- Danehouse/Getty Images; YouTube/Reprodução; Antoine Flament/Getty Images; e Robbie Jay Barratt- AMA/Getty Images
- Author, Pedro Martins
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Published Há 2 horas
- Tempo de leitura: 9 min
Acostumado a importar tendências dos Estados Unidos e da Europa, o mercado brasileiro de mídia esportiva agora vive uma inversão de papéis: passou a exportar para o mundo o modelo de transmissões lideradas por influenciadores digitais em plataformas nativas da internet, como YouTube e Twitch, nos moldes da CazéTV e da Goat.
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As transmissões de jogos da Copa do Mundo pela CazéTV, criada pelo apresentador Casimiro Miguel, teriam quebrado recordes de lives no YouTube— a partida entre Brasil x Japão, por exemplo, teria sido acompanhada simultaneamente por cerca de 19 milhões de pessoas.
Enquanto no Brasil a CazéTV responde a acusações de promoção irregular de bets, a LiveMode, empresa por trás do canal, expandiu sua operação para Portugal. Ela reuniu influenciadores, humoristas e jornalistas portugueses para lançar sua operação no país em parceria com o camisa 7 da seleção portuguesa, Cristiano Ronaldo.
O projeto está no início, mas a empresa diz já considerar a iniciativa bem-sucedida. Sua primeira grande transmissão, o jogo entre Brasil e Marrocos na Copa do Mundo, teria alcançado quase um terço dos lares portugueses, informou à imprensa portuguesa a LiveMode, que não respondeu aos pedidos de entrevista da BBC News Brasil. Leia também: Como é o necrotério improvisado onde cadáveres se acumulam a céu aberto
No Reino Unido, influenciadores como Mark Goldbridge e o ex-jogador Gary Neville passaram a transmitir partidas da Bundesliga— a principal liga de futebol da Alemanha —, e na França o streamer Zack Nani adquiriu direitos da Saudi Pro League— a liga saudita de futebol— e dos jogos da seleção francesa sub-21.
Isso sem contar as competições criadas especificamente para o ambiente digital, como a Kings League, formada pelo ex-zagueiro da Espanha Gerard Piqué em parceria com o influenciador espanhol Ibai Llanos.
Embora ainda estejam longe da escala alcançada pela CazéTV, que rivaliza com a maior e mais tradicional emissora do Brasil, a Globo, essas iniciativas já sacodem a mídia esportiva internacional.

Crédito, Robbie Jay Barratt- AMA/Getty Images
Segundo a consultoria britânica Ampere, especializada nos mercados de mídia e esportes, a América Latina é a região onde é mais disseminado o consumo de transmissões em que os chamados criadores de conteúdo reagem e comentam as partidas. Mais de mundo
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No México, que lidera o ranking, 73% dos fãs de esportes acompanham esse tipo de conteúdo; no Brasil, quarto colocado na lista, o índice chega a 62%. Leia também: Por que a Guiana Francesa exigia visto de brasileiros? Entenda regras
Para Minal Modha, diretor de pesquisas da Ampere, isso está ligado ao consumo excepcionalmente alto de redes sociais na região. Não por acaso, países como o Brasil costumam figurar entre os que mais passam tempo conectados a essas plataformas.
Nesse contexto, transmissões como as da CazéTV são capazes de unir duas paixões do público local. "Assistir a um jogo com um influenciador comentando combina o prazer do esporte com aquele que vem do uso das redes sociais", explica Modha.
Sua visão encontra eco na avaliação de Victor Machado, diretor de TV, entretenimento e esportes do YouTube no Brasil. Para ele, uma das principais razões para o sucesso da CazéTV é o senso de comunidade criado pelo canal.
Isso se deve tanto aos apresentadores, que dizem ser amigos e manter uma relação que vai além das transmissões, quanto ao próprio Casimiro, que desperta identificação por não ter o perfil de um narrador consagrado, mas ser o espelho de um torcedor comum.
Casimiro começou a comentar partidas esportivas de maneira despretensiosa em transmissões online. Só depois de viralizar, profissionalizou a atividade e passou a rentabilizá-la.



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