
Crédito, Reuters
- Author, Jeremy Bowen
- Role, Editor Internacional da BBC News
- Há 6 horas
- Tempo de leitura: 5 min
O cessar-fogo no Oriente Médio já completa quatro semanas, mas mostra sinais de desgaste.
Leia no AINotícia: EUA escoltam navios em Ormuz; Irã alega bloqueio e "avisos"
A determinação dos EUA e do Irã em manter a pressão mútua colocou a trégua em sério risco e este se tornou um momento perigoso.
Americanos e iranianos se encontraram para o diálogo na capital do Paquistão, Islamabad, mas saíram de mãos vazias.
Os paquistaneses estão tentando reavivar o processo, sem muito sucesso até agora. Leia também: 'Projeto Liberdade': o que sabemos sobre o plano de Trump para reabrir estreito de Ormuz
Tanto os Estados Unidos quanto o Irã querem um acordo. Mas eles têm acordos diferentes em mente e estão se mantendo firmes em suas "linhas vermelhas".
Até que um ou outro, ou de preferência ambos, decidam oferecer concessões, a retomada das hostilidades em grande escala permanece bloqueada.
Mais do que nunca, existe um forte risco de percepção equivocada e cálculo incorreto de intenções e consequências. Ambos são maneiras clássicas pelas quais as crises saem do controle e as guerras se intensificam.
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A decisão dos Estados Unidos de escoltar dois navios pelo Estreito de Ormuz provocaria uma reação do Irã em qualquer cenário. A questão urgente desta semana é se essa situação terminará aí ou se mais ações e reações impulsionarão um retorno a uma guerra total. Mais de mundo
O controle do Estreito de Ormuz tornou-se a questão central da crise. Ele estava aberto à navegação, sem restrições ou pagamento de pedágios, até 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel atacaram o Irã.
Agora, o Irã demonstrou como o fechamento do estreito pode significar tudo, desde uma arma ofensiva até uma fonte de receita e uma apólice de seguro. Esta semana, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse aos parlamentares que não haverá retorno ao antigo status quo.
Os EUA não podem permitir que o Irã transforme o Estreito de Ormuz em águas territoriais que o regime de Teerã possa controlar e usar para cobrar milhões em pedágios dos transportadores, sem aceitar que a vitória tática sobre as forças armadas iranianas se tornou uma derrota estratégica. Leia também: Cristão pode fazer terapia? Por que relação entre fé evangélica e a psicologia é tão polêmica
O fechamento do estreito tem consequências econômicas globais. O tempo que a fronteira permanecer fechada determinará a gravidade das consequências da guerra para pessoas em todo o mundo.
A escassez de petróleo e gás, bem como de hélio para indústrias de alta tecnologia e de matérias-primas para fertilizantes, está tendo um impacto cada vez mais severo em milhões de pessoas muito distantes da zona de guerra. A crise de fertilizantes ameaça causar fome em países que não possuem segurança alimentar.

Os motivos do presidente Donald Trump, declarados e não declarados, são sempre complexos e mutáveis. Ele usou as redes sociais para tentar persuadir os comerciantes de petróleo a não aumentarem o preço da gasolina para os motoristas americanos.
Ele também deve estar frustrado com a resiliência e a determinação do regime iraniano em resistir a toda a dor que os Estados Unidos e Israel infligem ao país. Um regime preparado para atirar em seus próprios cidadãos nas ruas por protestarem, como as forças de segurança da República Islâmica fizeram mais uma vez em janeiro, não vai se preocupar muito com o bem-estar deles – pelo menos não até que isso afete sua permanência no poder.
A frustração de Trump é resultado de sua própria decisão precipitada de ir à guerra presumindo uma vitória fácil, sem pensar nas consequências do que aconteceria e no que fazer se não fosse fácil. Os EUA demonstraram o poder de suas forças armadas altamente eficientes, mas a tomada de decisões instáveis do presidente deixou o país em um impasse estratégico.

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