7 dias e milhões em luto: como vai ser o funeral do ex-líder supremo do Irã Ali
Ler matéria →Como é o necrotério improvisado onde cadáveres se acumulam a céu aberto após terremotos na Venezuela: 'estou com medo do que vou encontrar lá'- Author, Norberto Paredes- Role, BBC News Mundo- Reporting from, Enviado especial a La Guaira, Venezuela- Published- Tempo de leitura: 7 min " Não, irmão, não, irmão! Não!
Por que você está fazendo isso comigo? ", grita uma mulher enquanto o marido tenta segurá-la para que ela não desabe no chão. A cena se repete uma vez ou outra nos arredores de Los Silos, uma imponente estrutura de concreto em La Guaira que, em meio à tragédia provocada pelo terremoto duplo de 24/6 na Venezuela, deixou de funcionar como instalação portuária de armazenamento e passou a servir como um necrotério improvisado.
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Ali, sob o forte sol tropical, dezenas de famílias aguardam entre a angústia e o medo. Vieram para confirmar a morte de seus parentes. As autoridades instalaram cadeiras dentro e fora do prédio, onde também foram montadas várias tendas.
A espera é longa. Longa demais, talvez, para quem já passou dias entre hospitais, abrigos e escombros. Na fila, o luto parece se espalhar de uma pessoa para outra.
Ninguém conversa. Alguns olham fixamente para o vazio. Outros consultam o celular para ler notícias ou responder mensagens. Leia também: Como o Brasil, com CazéTV, influenciadores e bets, virou laboratório para novo
A poucos metros dali, militares das Forças Armadas Bolivarianas, armados com fuzis, controlam o acesso. " Tenho medo do que vou encontrar lá dentro, mas é a única maneira de pôr fim a essa agonia", diz uma mulher antes de atravessar o portão.
Ela procura o sobrinho há quase uma semana. " Procurei por ele em todos os lugares: no prédio, nos hospitais, falei com todo mundo.
e ninguém sabe de nada. " Lá dentro, a primeira coisa que chama a atenção é o cheiro de decomposição.
O cheiro e as imagens Vários parentes levam as mãos à boca. A maioria cobre o rosto com máscaras de tecido, que não conseguem bloquear o mau cheiro.
Em poucos minutos, muitos deixam de reagir: acabam se acostumando ao odor nauseante. A poucos metros dali, centenas de corpos estão enfileirados, cobertos por sacos plásticos e expostos ao sol e ao calor intenso de La Guaira, o que acelera a decomposição. Os corpos estão organizados de acordo com a data em que foram resgatados. Mais de mundo
Em uma das extremidades, uma tenda oferece cremação gratuita. Na outra, uma pequena unidade de odontologia forense tenta identificar corpos que já quase não conservam traços humanos. As famílias têm duas opções.
Quem acredita que conseguirá identificar o parente pelas roupas que ele vestia é encaminhado para uma área específica. Os demais— a maioria— se acomodam diante de dois televisores. É ali que começa mais um calvário.
Mais de mil imagens de corpos passam na tela em uma sequência que parece interminável. Os mortos têm o rosto inchado, a pele escurecida e marcas provocadas pelos impactos, pelo calor e pela passagem do tempo. Alguns já não podem ser reconhecidos. Leia também: 7 dias e milhões em luto: como vai ser o funeral do ex-líder supremo do Irã Ali
As famílias procuram qualquer vestígio que permita identificar seus parentes: uma tatuagem, uma pulseira, uma peça de roupa ou algum objeto de casa que tenha aparecido na fotografia. Quando necessário, as duas funcionárias que passam as imagens em um iPad voltam a foto e ampliam detalhes, como os dentes, uma tatuagem ou uma cicatriz. Diante de um dos televisores, uma mulher começa a chorar ao reconhecer o filho por causa de um cobertor repleto de poeira que aparece em uma das imagens.
Outra mulher a abraça, embora não a conheça. O silêncio é interrompido pelo toque de um telefone. 'Isso parece um filme de terror' "Tio, estou aqui tentando reconhecer minha mãe.
mas é muito difícil. A maioria dos corpos parece carbonizada", sussurra um jovem. "
Isso parece um filme de terror", diz ao sair Liliana González, moradora de Catia La Mar, de 60 anos, que conseguiu reconhecer o sobrinho, de 37 anos, por causa de uma tatuagem. "Eu estava procurando minha tia. mas minha prima, que é enfermeira, me disse que meu sobrinho estava aqui", conta.
"[O nome dele] não estava na lista. Tive que ver as imagens. "
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