
- Author, Dalia Ventura
- Role, BBC News Mundo
- Published Há 23 minutos
- Tempo de leitura: 8 min
"Estas plantas podem matar", diz a placa no portão de ferro preto e, para reforçar o aviso, há uma caveira com ossos cruzados.
O alerta não é brincadeira: o terreno cercado atrás desses portões é o jardim mais letal do mundo. E está aberto ao público.
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Ele fica no extremo nordeste da Inglaterra, nos terrenos do castelo de Alnwick, residência ancestral dos duques de Northumberland.
Se você o vir, talvez ele pareça familiar: o castelo serviu de cenário para Hogwarts, a Escola de Magia e Bruxaria, nos dois primeiros filmes de Harry Potter — algo curiosamente apropriado, já que este jardim remete aos terrenos onde, séculos atrás, cresciam plantas usadas por médicos, herbalistas ou religiosos que muitas vezes eram vistos como magos, feiticeiros... ou bruxas malignas.
Essa ambiguidade não é apenas histórica ou cultural, mas está na própria natureza dessas plantas. Uma das coisas que se aprende no Jardim dos Venenos é que, às vezes, a linha que separa a morte da cura é tênue. Leia também: Por que uma barata se tornou a nova estrela da política na Índia
Entre as mais de 100 espécies de plantas tóxicas, intoxicantes e narcóticas que abriga está, por exemplo, a que o Livro Guinness dos Recordes considera a planta mais venenosa do mundo: Ricinus communis.
Originária da África, mas amplamente naturalizada na América tropical e subtropical, ela produz a toxina ricina, extremamente perigosa.
Ainda assim, suas sementes são usadas desde a Antiguidade para a produção do óleo de rícino, uma substância que, após o processamento adequado, não contém ricina.
Esse óleo foi tradicionalmente utilizado como laxante e também em usos industriais e cosméticos, desde lubrificantes até componentes de alguns produtos para cuidados com a pele e o cabelo.
Mas, por mais perigosa que seja, a planta da mamona, sozinha, costuma provocar apenas uma leve irritação ao contato — diferentemente de outros habitantes desse jardim peculiar, capazes de causar danos até mesmo apenas ao serem tocados… ou, em certos casos, inalados. Mais de mundo

Crédito, Getty Images
"Antes de entrar, os visitantes precisam receber uma palestra informativa sobre segurança", explicou à BBC Dean Smith, guia do jardim.
Eles são advertidos de que não devem tocar, provar nem cheirar nada. Leia também: 'Foi como uma pedrada no rosto': adolescente estuprada fala à BBC sobre decisão
O que podem fazer, porém, é ouvir — e se surpreender.
No seu jardim
Algo que chama atenção, sobretudo entre jardineiros amadores, é que muitas das plantas que crescem no jardim são muito comuns.
"Muitas das que estão aqui crescem de forma silvestre, e a maioria é surpreendentemente fácil de cultivar", conta Smith.
Uma delas é a Nerium oleander, nativa da região do mar Mediterrâneo e do Saara, mas amplamente difundida na América Latina, onde recebe muitos nomes, como espirradeira, loendro, louro-rosa, rosa-de-São-José e loureiro-romano.

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