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Como é estar na linha de frente da guerra às drogas no Equador

Crédito, Lee Durant/BBC Article Information Author, Orla Guerin Role, Correspondente internacional no Equador, BBC News Published Há 42 minutos Tempo de leitura: 10 min

Como é estar na linha de frente da guerra às drogas no Equador, onde nem a
Dois policiais equatorianos com óculos de sol, capacetes e balaclavas, sentados em um carro com a jornalista da BBC Orla Guerin na parte de trás, vestindo uma jaqueta com a palavra 'IMPRENSA' em inglês

Crédito, Lee Durant/BBC

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    • Author, Orla Guerin
    • Role, Correspondente internacional no Equador, BBC News
  • Published Há 42 minutos
  • Tempo de leitura: 10 min

Na cidade de Durán, no Equador, assolada pelas drogas e pelas gangues rivais, o capitão da polícia Jean Carlos Bustamante sabe exatamente o que precisa enfrentar.

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Não se trata apenas dos criminosos que matam e, às vezes, esquartejam seus rivais. Existem inimigos dentro da própria polícia.

"Temos muitas, muitas pessoas ruins dentro da nossa unidade, dentro do Estado, dentro da política", lamenta ele. "Temos muitos, muitos corruptos. Eles recebem pagamento das gangues."

Bustamante conta que os únicos policiais em quem ele pode confiar são os membros da sua equipe escolhida a dedo, que ficam bem ao lado dele. Leia também: Os planos da Amazon e da Apple para inteligência artificial — e as dificuldades

Com 34 anos, o capitão é o mais velho dos policiais e trabalha com a experiência adquirida nos seus tempos de oficial das forças especiais.

O sol se põe em Durán e ele lidera sua equipe em um bairro muito pobre. Ali, as janelas ficam trancadas atrás de grades metálicas e os lábios são selados pelo medo.

Pergunto o que acontece se os moradores locais denunciarem as gangues.

Policial de balaclava e colete protetor mostra um saco plástico cheio de um pó branco

Crédito, Lee Durant/BBC

Legenda da foto, A polícia captura os criminosos e apreende drogas, mas existem queixas de que a corrupção do Judiciário impede que haja mudanças reais no Equador

Bustamante se dirige a uma casa abandonada. Ele acredita que ali haja armas escondidas, já que os atiradores não guardam suas armas em casa.

Ele e sua equipe se posicionam, cercando a parede, fortemente armados e em formação compacta. Com um aríete, eles derrubam a porta. Leia também: Por que a africana Ceuta é uma cidade espanhola

Os policiais encontram duas pistolas, uma enferrujada e outra pronta para ser disparada, além de uma metralhadora e munição. O capitão afirma estar feliz com o resultado.

"Primeiro, porque estamos em segurança", explica ele. "Segundo, porque são duas armas a menos para as gangues."

Mas a vitória é pequena nesta guerra de desgaste. Bustamante reconhece que as gangues têm "muitas armas e muito mais dinheiro que o Estado".

Ele conhece muito bem os riscos envolvidos. Já são três amigos próximos perdidos na luta contra as gangues. E ele também perdeu o medo "anos atrás", ao contrário dos seus pais.

"Minha mãe diz 'tenha cuidado, talvez você acabe morrendo ali'", ele conta. "Meu pai me liga todo o tempo e pergunta 'você está bem, meu filho? Diga-me que você está bem.'"

Gráfico mostra o número total de mortes violentas no Equador, entre os anos de 2015 e 2025. Até 2020, as mortes permanecem entre 900 e 1.200 por ano, até subirem drasticamente: cerca de 2.500 em 2021, 4.800 e 2022 e mais de 8.000 em 2023. Há uma leve queda para cerca de 6.800 em 2024 e um novo aumento para cerca de 9.000 em 2025, o maior número registrado.
Mapa do Equador mostrando o número de mortes violentas por província em 2025. As províncias do litoral têm as cores mais escuras, que indicam maiores números de mortos.
Homem com uma pistola sentado sobre uma cama. Ele veste calção azul, camiseta branca, boné preto e uma balaclava vermelha sobre o rosto
Legenda da foto, Jonathan (nome fictício) conta que tem quatro policiais na sua folha de pagamento

Colete à prova de balas e chinelo

Sete jovens com balaclavas brandem armas automáticas em plena luz do dia, de frente para a câmera, dois deles em uma moto
Legenda da foto, Membros de gangues andam abertamente pelas ruas com armas, em plena luz do dia
Policiais de pé ao lado de um corpo e de uma motocicleta virada na rua, com pessoas observando atrás da fita da polícia
Legenda da foto, As mortes violentas dispararam no Equador ao longo dos últimos 10 anos
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