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Ler matéria →Como cartéis de droga do México terceirizaram laboratórios de metanfetamina na África

Crédito, Reuters
- Author, Simi Jolaoso
- Role, Correspondente da BBC News na África
- Reporting from, Ogun state
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 7 min
O juiz nigeriano estava vestido com trajes formais, os advogados mantinham a formalidade e o protocolo jurídico foi seguido— mas a audiência não aconteceu no conforto de um tribunal em Lagos. Ela foi realizada dentro de um suposto laboratório clandestino de drogas, em meio a uma floresta densa.
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Três mexicanos e sete nigerianos foram apresentados algemados enquanto o juiz Musa Kakaki inspecionava os produtos químicos e os equipamentos que, segundo a acusação, eram usados para produzir a perigosa droga sintética ilegal metanfetamina, conhecida como meth, crystal meth ou, localmente, ice.
Um cheiro forte, amargo e penetrante tomava conta do laboratório improvisado, por causa de um grande tambor contendo a droga em estado líquido, que estava em processo de cristalização. Outro odor intenso vinha de recipientes abertos com um líquido escuro e viscoso, descrito como metanfetamina "bruta", ou seja, ainda não processada.
Outros materiais estavam espalhados pelo prédio inacabado, incluindo cilindros de gás propano e sacos de soda cáustica. Leia também: Por que uma guerra limitada com EUA pode ser melhor para Irã do que a paz
A transferência temporária do Tribunal Superior Federal para esse local, a cerca de duas horas de carro de Lagos, foi uma medida incomum no sistema judiciário da Nigéria. Mas a Agência Nacional de Repressão às Drogas (NDLEA, na sigla em inglês) afirmou que ela era necessária para que fosse possível compreender a dimensão da operação.
Quando os suspeitos foram presos, em maio, a agência classificou a apreensão como a maior já realizada no país envolvendo metanfetamina. Segundo a NDLEA, foram encontrados mais de duas toneladas da droga, avaliadas em cerca de US$ 360 milhões (cerca de R$ 2 bilhões).
Na ocasião, a agência afirmou ter "desferido mais um golpe devastador" e desmantelado "uma organização nigeriano-mexicana altamente sofisticada de produção de metanfetamina, avaliada em milhões de dólares".

No mês seguinte, agentes encontraram outro laboratório de metanfetamina escondido em uma floresta no vizinho Estado de Oyo.
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Dessa vez, prenderam cinco suspeitos, entre eles um mexicano descrito como "especialista em metanfetamina".
As operações reforçam uma tendência mais ampla: o papel cada vez maior da África— e, em especial, da África Ocidental— no comércio global de drogas sintéticas. Além de servir como rota para o tráfico, o continente tem se tornado também uma base de produção para organizações criminosas. Leia também: 'Achei que um suplemento fitness era seguro, mas entrei em surto psicótico'
Especialistas mexicanos na fabricação de metanfetamina, frequentemente chamados de cooks (cozinheiros), têm sido encontrados cada vez mais trabalhando ao lado de moradores locais em laboratórios na Europa e na África, segundo autoridades de combate ao crime.
A produção de metanfetamina ficou muito mais sofisticada nas últimas décadas.
"Eles aperfeiçoaram o processo a ponto de produzirem a metanfetamina com o mais alto grau de pureza e potência que existe hoje", disse à BBC James Griego, que lidera as operações de combate ao narcotráfico do Comando dos Estados Unidos para a África (Africom).
O Africom, responsável pelas operações militares americanas no continente africano, forneceu informações de inteligência a diversas agências nacionais de combate às drogas para ajudar nas operações.
"Quem procura consumir metanfetamina sabe que a produzida pelos mexicanos é a melhor do mundo para esse fim", acrescentou Griego.



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