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Como ataques dos EUA no Caribe estão mudando as rotas do narcotráfico na região

Como ataques dos EUA no Caribe estão mudando as rotas do narcotráfico na região Crédito, Reuters Article Information Author, Norberto Paredes Role, BBC News Mundo Há 1

Como ataques dos EUA no Caribe estão mudando as rotas do narcotráfico na região
Como ataques dos EUA no Caribe estão mudando as rotas do narcotráfico na região
Navio em chamas em imagem retirada de um vídeo publicado em 15 de setembro de 2025, mostrando o que o presidente americano Donald Trump descreveu como um ataque militar dos Estados Unidos a um navio de um cartel de drogas venezuelano em direção ao seu país

Crédito, Reuters

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    • Author, Norberto Paredes
    • Role, BBC News Mundo
  • Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 8 min

Os ataques dos Estados Unidos contra barcos no Caribe começam a trazer efeitos visíveis, mas não necessariamente os desejados.

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Aparentemente, a quantidade de droga que sai diretamente da Venezuela teria diminuído. Mas especialistas alertam que o tráfico não está se reduzindo, mas sim sendo levado por outras rotas e métodos de mais difícil detecção.

A Venezuela é um dos principais pontos de saída de cocaína da América do Sul há décadas. Isso se deve à sua posição geográfica estratégica e à sua proximidade, tanto dos países produtores como a Colômbia e o Peru, quanto dos grandes mercados consumidores nos Estados Unidos e na Europa.

Mas a recente intensificação das operações americanas no Caribe, com interceptações e até ataques a embarcações suspeitas de narcotráfico, aumentou significativamente o risco de operação no litoral venezuelano. E esta mudança está levando o tráfico para outros países da região, segundo os especialistas. Leia também: Surto de hantavírus: MAPA mostra rota de cruzeiro e cronologia da crise

Em setembro de 2025, Washington reforçou sua presença naval no Caribe, sob o pretexto de lançar uma nova campanha contra o narcotráfico, liderada pelo Comando Sul dos Estados Unidos.

Desde então, o exército americano realizou dezenas de ataques contra embarcações suspeitas, no mar do Caribe e no Oceano Pacífico. Foram cerca de 45 operações registradas até março de 2026, que deixaram mais de 150 mortos.

Os funcionários americanos apresentam estas ações como parte da luta antidrogas, mas alguns analistas destacam que elas também tiveram objetivos políticos.

As operações militares coincidiram com a escalada das tensões entre os Estados Unidos e o governo da Venezuela, que culminou em janeiro de 2026 com a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro. Ele foi deposto e levado para Nova York, nos EUA, para responder a acusações de prática de narcotráfico.

Especialistas legais e organismos internacionais questionaram a legalidade destas operações. Eles destacam que as ações americanas podem ter violado normas do direito internacional e constituir uso extrajudicial da força.

Mesmo com esta campanha agressiva, o diretor do programa de supervisão de defesa do Escritório de Washington para a América Latina, Adam Isacson, afirma que o fluxo de drogas para os Estados Unidos não diminuiu. Leia também: Navio com surto de hantavírus inicia desembarque de passageiros em ilha

Na verdade, ele declarou que os dados fornecidos pelas autoridades de fronteira americanas demonstram que, nos sete meses que se passaram desde o início dos ataques às lanchas, foi detectada uma quantidade ligeiramente maior de cocaína que nos sete meses anteriores.

"Isso significa que a cocaína está chegando aos Estados Unidos, independentemente dos ataques", afirmou ele à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC).

"Não estamos observando uma redução real, mas sim, provavelmente, menos visibilidade, devido à mudança de táticas", explica Isacson.

Outras rotas

O pesquisador Alex Papadovassilakis, jornalista da organização InSight Crime, afirma que, no momento, não há evidências de que o fluxo de cocaína no Caribe tenha sido reduzido.

"Não observamos nenhuma prova de redução sustentada do transporte de cocaína através da região como um todo", declarou ele à BBC.

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