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Ler matéria →Como age a pílula que dá esperança contra um dos cânceres mais letais que existem

Crédito, Steve Gschmeissner/Science Photo Library via Getty Images
Published 8 junho 2026, 16:31 -03
Atualizado Há 1 hora
Tempo de leitura: 4 min
Entre os pacientes diagnosticados com câncer pancreático metastático entre 2015 e 2021, cerca de 97% morreram em até cinco anos após o diagnóstico.
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O câncer de pâncreas é tão letal, em parte, porque não existem exames eficazes de detecção e porque a doença raramente provoca sintomas perceptíveis em seus estágios iniciais. Quando um paciente apresenta sinais, como icterícia (amarelamento da pele) ou dor abdominal, o câncer muitas vezes já se espalhou para outros órgãos.
Como oncologista gastrointestinal e pesquisador especializado em ensaios clínicos de fases iniciais, vejo de perto a necessidade urgente de tratamentos mais eficazes para pacientes com câncer de pâncreas. Por décadas, acreditava-se ser impossível atingir com sucesso o principal mecanismo responsável pela maioria dos casos dos cânceres de pâncreas.
Mas essa visão está mudando rapidamente graças a um novo medicamento capaz de inibir a principal proteína que impulsiona o câncer de pâncreas, quase dobrando a taxa de sobrevida de pacientes com formas avançadas da doença. Leia também: O que se sabe sobre terremoto de magnitude 7,8 que atingiu as Filipinas
Tumores 'intratáveis'
Historicamente, o tratamento padrão para câncer pancreático avançado dependeu da quimioterapia, com medicamentos potentes desenvolvidos para destruir células que se dividem rapidamente. Embora a quimioterapia possa retardar a progressão da doença, sua eficácia costuma ser limitada pela capacidade das células cancerígenas do pâncreas de desenvolver resistência a esses medicamentos.
A força do câncer de pâncreas está em sua genética. Mais de 90% dos tumores pancreáticos são impulsionados por mutações em um gene chamado KRAS. Esse gene codifica proteínas que funcionam como interruptores, ativando e desativando o crescimento celular.
Quando o KRAS sofre mutação, o interruptor fica permanentemente "ligado", fazendo com que as células cancerígenas se multipliquem sem controle.
Por décadas, cientistas consideraram o KRAS "impossível de atingir com medicamentos". A superfície da proteína é extremamente lisa e não possui as cavidades moleculares que os remédios tradicionais precisam para se conectar e desligar esse mecanismo.
Como os tratamentos existentes não conseguiam agir sobre essa proteína, o combate ao câncer de pâncreas se apoiou principalmente em drogas tóxicas, mais parecidas com instrumentos de impacto amplo do que com terapias precisas. Mais de mundo
A quimioterapia tenta controlar a doença destruindo células em larga escala, o que também provoca danos importantes a tecidos saudáveis e causa diversos efeitos colaterais.

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O que é o daraxonrasib?
Um novo medicamento chamado daraxonrasib representa um avanço importante no tratamento do câncer pancreático metastático.
O daraxonrasib é administrado por via oral, uma vez ao dia. Em vez de se ligar diretamente ao KRAS, ele se conecta a uma molécula chamada ciclofilina A, presente nas células e responsável por ajudar proteínas a adquirirem sua estrutura tridimensional final.
Esse complexo proteico então consegue se ligar ao KRAS ativo e bloquear os sinais que estimulam a multiplicação das células cancerígenas.
A empresa responsável pelo desenvolvimento do medicamento, a Revolution Medicines, apresentou em os resultados de um estudo clínico de fase 3 com 500 pacientes com câncer pancreático metastático que já haviam recebido tratamento anteriormente.
Próximos passos para o daraxonrasib
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