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Ler matéria →Como a Rússia manda soldados feridos de volta para a linha de frente na Ucrânia

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- Author, BBC News Rússia
- Published Há 12 minutos
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Depois de pisar em uma mina terrestre, Oleg Shikin foi levado ao hospital com estilhaços no crânio, queimaduras no rosto e na mão e ferimentos no olho esquerdo, no peito, nos braços e nas pernas. Parte de seu crânio teve de ser removida cirurgicamente.
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Shikin havia se alistado para, em troca, ser libertado de uma colônia penal russa. Nos últimos quatro anos, enquanto a Rússia busca recrutar mais soldados para a guerra contra a Ucrânia, dezenas de milhares de presos fizeram a mesma escolha.
Após o tratamento, Shikin foi encaminhado para uma avaliação médica militar, que determinaria se ele estava "inapto para o serviço militar", condição que permite que soldados sejam dispensados durante a guerra.

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O caso de Shikin é um entre dezenas revelados pela BBC News Rússia. Documentos judiciais disponíveis ao público mostram acusações recorrentes de que comandantes enviaram soldados feridos de volta ao combate, em vez de encaminhá-los às avaliações médicas exigidas por lei.
Segundo a lei russa sobre o Dever e o Serviço Militar, duas categorias de aptidão, "inapto" e "parcialmente apto", podem levar à dispensa antecipada. Elas devem ser determinadas por uma junta médica militar composta por clínico-geral, cirurgião, neurologista, psiquiatra, oftalmologista, otorrinolaringologista, dentista e, quando necessário, outros especialistas.
Como não havia sido avaliado por uma junta médica completa, Shikin alegou ao Tribunal Militar da Guarnição de Nijni Novgorod que havia sido tratado de forma ilegal. O tribunal aparentemente concordou e ordenou que seu comandante garantisse a realização da avaliação.

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Muitos ex-detentos ficam presos às Forças Armadas, o que permite que sejam "cinicamente descartados" na guerra, segundo Sergei Krivenko, diretor do grupo de direitos humanos Citizen Army Law. Mais de mundo
O Tribunal Militar do Distrito Sul, por exemplo, decidiu que os antecedentes criminais de Rustam Farzaliyev o impediam de deixar as Forças Armadas, apesar de ele ter sido considerado "parcialmente apto", devido a uma "doença socialmente relevante".
O ex-detento Vitaly Kamenyuk, por sua vez, afirmou que havia sido considerado apto para o serviço com base apenas no parecer de um neurologista e que lhe haviam negado uma avaliação mais formal, embora seu atestado médico original reconhecesse uma "lesão grave".
Voluntários comuns que perderam dedos ou têm condições como o vírus da imunodeficiência humana (HIV), tuberculose, câncer ou transtornos mentais foram dispensados por serem considerados "parcialmente aptos". Leia também: Trump e secretário de Guerra batem boca por falta de mísseis e frustração

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Mas os ex-detentos não são os únicos a reclamar das avaliações médicas.
Em 2022, quando centenas de milhares de reservistas foram convocados, o Ministério da Defesa da Federação Russa emitiu uma diretriz de guerra segundo a qual eles deveriam passar por um exame médico ao chegar às unidades militares, "para descartar doenças infecciosas, assim como ferimentos e enfermidades que impedissem a mobilização". Somente se o exame identificasse "inaptidão" eles seriam avaliados por uma junta médica completa.

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