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Como a Austrália, conhecida por sua fauna exuberante, tornou-se o epicentro

Obedecemos e examinamos troncos e galhos, procurando entre a vegetação rasteira e as flores silvestres de cores vívidas algum sinal das listras do animal ou de um

Como a Austrália, conhecida por sua fauna exuberante, tornou-se o epicentro das
A tartaruga-do-rio Mary aparece submersa, em primeiro plano, com a cabeça voltada para a câmera. Ela tem olhos grandes, pele escamosa e uma característica “cabeleira” de algas verdes crescendo sobre a cabeça e o casco.

Crédito, Christopher van Wyk

Legenda da foto, A Austrália tem algumas das espécies mais raras do mundo, como a tartaruga-do-rio-Mary, vista na fotografia, mas está perdendo esses animais em ritmo alarmante
Article Information
    • Author, Tiffanie Turnbull
    • Reporting from, Dryandra, Western Australia
  • Published Há 2 horas
  • Tempo de leitura: 12 min

"Olhos bem abertos." Esta á a ordem que vem do banco da frente do carro.

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Obedecemos e examinamos troncos e galhos, procurando entre a vegetação rasteira e as flores silvestres de cores vívidas algum sinal das listras do animal ou de um movimento rápido.

Estamos à procura do mirmecóbio, também conhecido como numbat, um raro marsupial australiano que parece uma mistura de esquilo com tamanduá.

Os numbats já foram numerosos em toda a parte sul do continente, mas a floresta de Dryandra, no sudoeste da Austrália, é um dos poucos lugares onde eles ainda vivem. Leia também: O plano bilionário da China para fazer uma nova revolução industrial

Enquanto avançamos lentamente pelas trilhas em meio à mata, os pesquisadores explicam como essa expedição anual ajuda a acompanhar a sobrevivência da espécie.

Classificados como animais ameaçados de extinção até este mês, os numbats vêm se recuperando. O trabalho da equipe que acompanhamos contribuiu para que fossem retirados da lista vermelha internacional de espécies ameaçadas, um raro sinal de esperança em um país que enfrenta uma crise de extinção.

Esta região da Austrália está no centro dessa crise: é um dos últimos refúgios de muitos animais levados à beira da extinção por espécies invasoras, doenças, expansão urbana, destruição de habitats e mudanças climáticas.

Em determinado momento, uma cacatua-negra-de-Carnaby, ameaçada de extinção, sobrevoa nosso carro. Em uma ilha próxima à costa está uma das últimas populações do marsupial mais raro do mundo, o potoroo de Gilbert. Nas águas azul-safira ao redor da ilha mergulha o leão-marinho-australiano, cada vez mais raro.

Um numbat lambe o focinho sobre um tronco queimado.

Crédito, Sharon Jones/BBC Mais de mundo

Legenda da foto, A floresta de Dryandra é um dos poucos lugares onde ainda é possível encontrar numbats vivendo na natureza

A Austrália há muito é celebrada como um santuário da natureza, lar de algumas das espécies de plantas e animais mais singulares do mundo. Mais de 80% delas não existem em nenhum outro lugar.

Voluntários dedicados e conservacionistas com poucos recursos têm conseguido conter parte das ameaças crescentes. Ainda assim, especialistas temem que, sem medidas urgentes e coragem política, a biodiversidade que a Austrália diz valorizar caminhe para uma devastação.

"Nem é preciso imaginar. Isso está acontecendo diante dos nossos olhos", diz o professor Euan Ritchie à BBC News. Leia também: Os milhões de argentinos com dívidas em atraso e o que isso indica

As ameaças que levam à extinção

Se já é difícil avistar um animal raro na natureza, o numbat complica ainda mais a tarefa: do tamanho de um esquilo, ele é especialista em camuflagem, explica o biólogo Tony Friend, uma referência na conservação no estado da Austrália Ocidental.

"Hoje eles resolveram dormir até mais tarde", brinca Rob McLean, presidente da Numbat Taskforce, grupo de voluntários que torna possível boa parte do trabalho de Friend, feito com recursos limitados.

Durante duas semanas a cada primavera, quando os filhotes começam a sair das tocas, a equipe percorre diariamente o mesmo trajeto e registra cada numbat avistado. Anota as coordenadas de GPS, mede a distância até a estrada e usa uma equação complexa para estimar a densidade dos animais nessa floresta e, a partir daí, avaliar a situação da população como um todo.

Tony Friend durante trabalho de campo.

Crédito, Sharon Jones/BBC

Legenda da foto, O biólogo Tony Friend começou a trabalhar em Dryandra na década de 1980

Uma pessoa permanece em silêncio, concentrada, junto a cada janela. Outra vai na parte de trás da caminhonete, abaixando-se de vez em quando para desviar dos galhos das árvores ao redor.

Um gato feral segura um pequeno mamífero na boca.
Uma cacatua-negra-de-Carnaby voa sobre uma área de vegetação seca, com as asas abertas e as pernas estendidas. A luz dourada do fim do dia destaca sua plumagem escura e a cauda avermelhada.
Legenda da foto, A cacatua-negra-de-Carnaby é outra espécie que luta para sobreviver no sudoeste da Austrália
Mapa da Austrália mostrando os habitats remanescentes do numbat.

Cem espécies perdidas — e a conta só aumenta

Décadas de fracassos

Vicki Power ao lado de Tony Friend, que segura um numbat nas mãos no zoológico de Perth, na década de 1980.
Legenda da foto, Vicki Power e Tony Friend passaram décadas tentando salvar o numbat
Vista aérea de viveiros de salmão próximos à ilha de Bruny, na Tasmânia.
Legenda da foto, O governo de Albanese aprovou uma lei para proteger a criação de salmão após pressão de autoridades da Tasmânia
A imagem mostra um agente de conservação ao lado de um veículo em uma área de mata, acompanhada por uma foto de um numbat australiano de pelagem listrada.
Legenda da foto, "Jacko", um numbat, observa a área da traseira do veículo

Numbat é a esperança

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