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Com novo tarifaço de Trump e déficit fiscal crescente, Brasil chega à eleição

Crédito, Matt Greenslade Legenda da foto, Segundo Ruchir Sharma, qualquer erro fiscal em um mundo em que o custo do capital está subindo pode fazer um estrago sério na

Com novo tarifaço de Trump e déficit fiscal crescente, Brasil chega à eleição
Sharma usando um terno marrom e uma camisa azul clara em baixo. Atrás dele há vários prédios

Crédito, Matt Greenslade

Legenda da foto, Segundo Ruchir Sharma, qualquer erro fiscal em um mundo em que o custo do capital está subindo pode fazer um estrago sério na economia brasileira
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    • Author, João Caminoto
    • Role, De Paris para a BBC News Brasil
  • Published Há 4 horas
  • Tempo de leitura: 10 min

Poucos analistas têm acompanhado a ascensão e queda das nações com a profundidade de Ruchir Sharma. Estrategista global, gestor de recursos e estudioso dos ciclos econômicos que definem o destino dos países, ele é chairman da Rockefeller International, fundador da Breakout Capital e colunista do Financial Times.

Leia no AINotícia: Mundo: Tarifas EUA-Brasil, Celebração na Inglaterra e Nomeação Diplomática

Autor de obras como Breakout Nations e What Went Wrong With Capitalism, Sharma combina análise macroeconômica com observação direta de campo em países emergentes— uma metodologia construída ao longo de três décadas.

Sua tese central sobre a América Latina parte de um dado que ele considera inconveniente, mas inegável: historicamente, investidores obtêm retornos muito maiores sob governos de direita na região.

É essa dinâmica que explica, em grande parte, o bom desempenho dos mercados latino-americanos nos últimos anos. E é por isso que o Brasil, para Sharma, é a grande incógnita de 2026— talvez a eleição mais importante do ano no mundo inteiro. Leia também: Mundo: Panorama do Oriente Médio e curiosidades animais

O cenário ficou ainda mais carregado com a decisão do governo de Donald Trump de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Se a medida entrar em vigor no dia 22 de julho, o Brasil se tornará o segundo país mais taxado pelos Estados Unidos no planeta, atrás apenas da China.

Para Sharma, o impacto direto da medida é mais limitado do que o número sugere, mas seus efeitos sobre o investimento estrangeiro e, sobretudo, sobre o tabuleiro eleitoral de outubro, são mais complexos de calcular.

Em entrevista à BBC News Brasil, ele fala sobre o que essa decisão significa para a corrida presidencial, o risco fiscal sob Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), a fragilidade estrutural da China, a bolha de inteligência artificial e o impacto das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia sobre a economia global.

BBC News Brasil– O governo americano anunciou uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, tornando o Brasil o segundo país mais taxado pelos EUA no mundo. Qual o impacto real dessa decisão?

Sharma– A tarifa de 25% incide sobre produtos que somam cerca de US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras. Mas, consideradas as isenções— pela Seção 232 e outras —, o impacto efetivo é mais estreito do que o número sugere. Em termos diretos, o efeito é limitado.

O risco maior é de segunda ordem: o impacto sobre o investimento estrangeiro direto e o fato de que esta é a segunda tentativa de Trump de usar tarifas como alavancagem sobre o Brasil em 13 meses. Isso sinaliza que a relação está estruturalmente contestada por este governo americano, não se trata de uma disputa isolada. Leia também: Tarifaço: diplomacia vê possível recurso à OMC como ‘simbólico’ e para ‘marcar

BBC News Brasil– E eleitoralmente? Essa decisão pode mudar o cálculo da corrida presidencial de outubro?

Sharma– A narrativa de soberania e nacionalismo de Lula pode funcionar a seu favor, algo semelhante ao que aconteceu no México. Mas seus índices de aprovação estão pressionados por causa do custo de vida e do crescimento fraco. Se a economia não reagir, essa vantagem pode não se sustentar.

O governo Lula já sinalizou que não vê caminho para negociação antes de outubro. Uma vitória de Flávio Bolsonaro criaria pressão para concessões rápidas em regulação digital e plataformas de tecnologia em troca da retirada das tarifas— o que tem seu próprio custo político doméstico.

No curto prazo, a leitura política favorece a narrativa de soberania de Lula. Mas a pressão econômica de médio prazo para negociar com Washington independe de quem vença— isso muda mais a postura negociadora do próximo governo do que define quem chega à Presidência em outubro.

Trump usando um terno azul e gravata vermelha

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Para Sharma, tarifas de 25% anunciadas pelo governo Trump sobre produtos brasileiros têm impacto mais estreito do que o número sugere
Xi Jinping e Lula dando um aperto de mão
Legenda da foto, Depender demais da China para crescer economicamente é uma estratégia arriscada, na avaliação de Sharma
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