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Nathalia Garcia
Brasília
O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu nesta quarta-feira (17) a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual pela terceira vez seguida, de 14,5% para 14,25% ao ano. O colegiado fez alerta sobre o risco fiscal no país, em meio a um cenário mais desafiador para inflação.
A decisão do Banco Central foi tomada de forma unânime pelo presidente Gabriel Galípolo e por mais seis diretores do colegiado, que está com dois desfalques. Das oito reuniões do ano, quatro já foram realizadas com quórum reduzido.
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No comunicado, o comitê manteve a indefinição sobre os próximos passos ao afirmar que a magnitude total do ciclo de queda de juros "será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta."
O comitê iniciou o processo de flexibilização de juros em março, quando a Selic estava em 15% ao ano. Desde então, foram dois cortes na mesma dose, de 0,25 ponto percentual.
Para esta quarta, a expectativa majoritária do mercado financeiro era de outra redução de 0,25 ponto na Selic, a 14,25% ao ano. Das 34 instituições consultadas pela agência Bloomberg, somente três apostavam na manutenção de juros no patamar de 14,5% ao ano. Leia também: Com juros altos, franquias ampliam opções de crédito para atrair empreendedores
A diferença entre os juros dos Estados Unidos e do Brasil está em 10,5 pontos percentuais. Mais cedo, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) decidiu manter os juros na faixa entre 3,5% e 3,75% na primeira reunião liderada por Kevin Warsh, mesmo com a pressão do presidente Donald Trump por uma drástica redução da taxa.
Apesar da perspectiva mais favorável com o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para reabrir o estreito de Hormuz, o cenário ainda é de instabilidade. Segundo Trump, os bombardeios no Oriente Médio podem ser retomados. Para o comitê, o ambiente externo permanece incerto diante da indefinição sobre os termos do acordo para cessar o conflito no Oriente Médio.
"Antes do acordo iraniano, alguns analistas acreditavam na possibilidade de manutenção [da taxa] já nesta reunião ou uma sinalização clara de pausa no ciclo", afirmou Rafael Ihara, economista-chefe da Meraki Capital.
Além das tensões no campo geopolítico, o Copom abordou o risco fiscal e demonstrou incômodo com a piora nas expectativas de inflação, que se afastaram ainda mais da meta.
O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No atual modelo, de avaliação contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora deste intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto). Mais de economia
O Copom disse que a manutenção dos juros altos por um longo período ajudou a esfriar a economia. No entanto, mencionou que os indicadores mostraram aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre deste ano e sinais de resiliência do mercado de trabalho.
"O comitê reconheceu que a atividade econômica e a inflação estão acelerando, e suas projeções se afastaram ainda mais da meta de 3%", afirmou Caio Megale, economista-chefe da XP.
Nas últimas semanas, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou uma série de medidas fiscais e parafiscais, com potencial para impulsionar o consumo das famílias. Leia também: Vini iguala Zico e Romário e alcança superstição de títulos do Brasil em Copas
O "pacote de bondades" inclui o novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas, além de aumento em linhas de crédito para pessoas físicas (caminhoneiros, taxistas, motoristas de aplicativos) e empresas de diferentes setores, como habitação e agronegócio.
Segundo economistas, a forte expansão fiscal explica em grande medida a reaceleração da demanda e vai na contramão do trabalho do BC para controlar a inflação.
Uma das novidades do comunicado foi a inclusão do risco fiscal entre os fatores do balanço que poderiam puxar os preços para cima. No texto, o Copom mencionou que "estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo" enfraquecem os canais de transmissão da política monetária.
Em outras palavras, o Copom alertou que novos estímulos fiscais podem atrapalhar o processo de queda da Selic. O comitê disse também que segue acompanhando os impactos da questão fiscal sobre a política de juros e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza.
"Os indicadores correntes de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mantendo-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026", disse.
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