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Crédito, PRF
- Author, Vitor Tavares
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Published Há 2 horas
- Tempo de leitura: 9 min
Era madrugada de uma quinta-feira, 11 de junho, quando os agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) se depararam com uma situação que nos últimos meses deixou de ser novidade em Roraima: um grupo de 43 pessoas arrastando malas pesadas caminhavam pelo acostamento da BR-401, em Cantá, a cerca de 10 quilômetros da capital, Boa Vista.
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Eram crianças, mulheres e homens que haviam entrado "escondidos" no Brasil horas antes pela fronteira com a Guiana, alguns dias após saírem de seu país-natal, Cuba.
"São pessoas que estão chegando aqui em situação bem degradante, alguns sem se alimentar, comendo só biscoito e com doenças respiratórias e gastrointestinais", relata Isaias Magalhães, agente e chefe da comunicação da PRF em Roraima.
Abandonado por uma rede clandestina de "coiotes" que o atravessaram pela fronteira, o grupo se juntou a outros 13 mil cubanos que fizeram pedidos de refúgio ao Brasil neste ano, considerando os dados até abril de 2026 do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), do Ministério da Justiça em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). Leia também: 'Guerra' por ingressos de turnê do BTS vira pesadelo para fãs que caíram
Nos registros da Polícia Federal da entrada regular de estrangeiros em postos de controle de fronteira aéreo ou terrestre, 6 mil cubanos entraram no país em 2026.
O Ministério da Justiça ressalta que os pedidos de refúgio não correspondem necessariamente a novas chegadas ao país, já que parte dos solicitantes pode ter ingressado no Brasil em anos anteriores e formalizado o pedido apenas agora.
Ainda assim, a diferença entre os 13 mil pedidos de refúgio e os cerca de 6 mil registros de entrada regular de cubanos sugere um aumento das migração por rotas irregulares ou não registradas nos postos migratórios oficiais, algo percebido por pesquisadores e organizações de acolhimento em Roraima.
Os números também confirmam uma virada que começou em 2025, quando os cubanos passaram os venezuelanos e se tornaram a nacionalidade com mais pedidos de refúgio no Brasil. No ano passado, foram cerca de 42 mil pedidos cubanos, 20 mil a mais do que os venezuelanos.
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Como a Guiana não exige vistos a cubanos, milhares têm viajado de avião de Havana até o aeroporto de Georgetown, capital guianense, com escalas em países como a República Dominicana. De lá, seguem numa viagem que chega a 20 horas por estrada (em grande parte de terra) até Lethem, na fronteira com o Brasil.
Ali, são atravessados por coiotes de maneira irregular, num barco pelo rio Tacutu. No Brasil, entram em carros superlotados que seguem em alta velocidade até a região de Boa Vista, onde pedem refúgio para permanecer no Brasil. Leia também: A fantástica metamorfose de Messi: as cinco vidas do maior artilheiro
São rotas que "expõem as pessoas a diferentes riscos de proteção, como condições inseguras de transporte, endividamento e situações de exploração", explica Thaisa Freitas, coordenadora do Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados em Roraima, que tem visto o crescimento expressivo no atendimento a cubanos.
Segundo a lei brasileira, o estrangeiro que chega ao território nacional pode solicitar reconhecimento como refugiado "a qualquer autoridade migratória que se encontre na fronteira". Ou seja, em tese, os cubanos não precisariam se submeter à travessia clandestina.
Mas, segundo imigrantes e fontes que conversaram com a BBC News Brasil, muitos cubanos são levados a acreditar que precisam fazer esse trajeto por meio de atravessadores irregulares, pagando valores que passam de 10 mil dólares (R$ 51,4 mil) desde a saída de Cuba.

Crédito, PRF
A professora Marcia Maria de Oliveira, que desenvolve projetos de pesquisa sobre migrações na Universidade Federal de Roraima (UFRR) e tem ouvido os imigrantes cubanos, diz que as orientações corretas não estão chegando em Cuba.
A saga de uma família cubana ao Brasil


O Brasil apenas como passagem
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