Cloudflare demite 20% dos funcionários para focar em IA Empresa cortará mais de 1.100 vagas globais. Mercado reagiu mal ao anúncio e ações despencaram 24%.
Empresa cortará mais de 1.100 vagas globais. Mercado reagiu mal ao anúncio e ações despencaram 24%.
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A Cloudflare, gigante de infraestrutura de internet e cibersegurança, anunciou a demissão de cerca de 20% de sua força de trabalho global. O corte afeta mais de 1.100 funcionários e faz parte de uma profunda reestruturação interna motivada, segundo a empresa, pela adoção de inteligência artificial nas operações da companhia. O movimento gerou forte instabilidade no mercado financeiro. Leia também: iPhone 16 Plus atinge menor preço do ano com 40% OFF na Amazon
As ações da Cloudflare chegaram a despencar 24% nas negociações desta sexta-feira (08/05), de acordo com a agência Reuters e a CNBC. A justificativa oficial não está ligada a uma crise financeira. Em um comunicado interno, o CEO Matthew Prince e a cofundadora Michelle Zatlyn afirmaram que a Cloudflare está reimaginando as suas áreas para operar no que chamaram de “era de IA agêntica”.
Durante uma teleconferência, Prince foi direto: “Não foi uma decisão fácil, mas é a decisão certa”. Para dar a dimensão dessa transformação, a diretoria revelou que o uso interno de ferramentas de IA cresceu 600% apenas nos últimos três meses.
Esse salto impulsionou a adoção de um modelo de trabalho em que a automação virou protagonista. Prince chegou a descrever o avanço da IA como o “maior vento a favor” da história da empresa. Até o final de 2025, a Cloudflare contava com 5.156 empregados.
Com a onda de demissões, a empresa estima que precisará arcar com encargos trabalhistas e financeiros que podem chegar a US$ 150 milhões já no segundo trimestre deste ano, cerca de R$ 737 milhões na cotação atual. O anúncio dos cortes acabou ofuscando o balanço positivo da companhia. No primeiro trimestre de 2026, a Cloudflare registrou uma receita total de US$ 639,8 milhões (R$ 3,1 bilhões) — um salto de 34% em relação ao mesmo período do ano anterior, superando as previsões de analistas. Mais de tecnologia
Além disso, a empresa conseguiu diminuir o seu prejuízo líquido para US$ 22,93 milhões (R$ 112,7 milhões), uma melhora significativa em comparação aos US$ 38,45 milhões (R$ 189 milhões) registrados no início do ano passado. O que esfriou os ânimos dos investidores foram as projeções para os próximos meses. A Cloudflare espera uma receita de até US$ 665 milhões (R$ 3,26 bilhões) para o segundo trimestre, valor um pouco abaixo da marca de US$ 665,3 milhões (R$ 3,27 bilhões) aguardada pelo mercado. Leia também: Apple e Intel fecham acordo preliminar para fabricação de chips; Trump
A perspectiva para o ano completo, no entanto, segue otimista: a companhia calcula fechar 2026 ultrapassando a barreira dos US$ 2,8 bilhões (R$ 13,7 bilhões) em receita. A reestruturação promovida pela Cloudflare reforça um temor cada vez maior entre economistas e profissionais de tecnologia: o impacto real da IA nos postos de trabalho. Alés dos profissionais formalmente contratados das empresas, ela também influencia a oferta de trabalho a freelancers – inclusive no Brasil.
Esse movimento está longe de ser um caso isolado. Em fevereiro, a empresa de pagamentos Block anunciou o corte de mais de 4.000 funcionários, quase metade de todo o seu quadro global. A justificativa, vale notar, foi idêntica: uma revisão estratégica para incorporar a IA em suas operações.
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