
Crédito, Getty Images
- Author, Matías Zibell
- Role, Da BBC News Mundo em Ushuaia (Argentina)
- Há 3 horas
- Tempo de leitura: 7 min
Como a cidade mais ao sul da Argentina, Ushuaia há muito desfruta de sua reputação como o "fim do mundo" e como porta de entrada para viagens tanto à Antártida quanto para turistas explorarem a beleza natural dramática da Patagônia.
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Mas, nos últimos dias, está enfrentando um tipo diferente de fama, que lançou uma sombra sobre empresas e autoridades locais: a sugestão de que poderia ser o marco zero do surto de hantavírus no navio holandês MV Hondius.
O navio de cruzeiro agora está ancorado em Tenerife, nas Ilhas Canárias da Espanha, onde os passageiros estão sendo evacuados e enviados de volta para casa de avião. O navio iniciou sua viagem em 1º de abril, a mais de 9,6 mil quilômetros de distância, em Ushuaia, na província da Terra do Fogo.
A bordo estavam 114 passageiros e 61 tripulantes de 22 países. Embora se acredite que o vírus tenha chegado ao navio ali, sua origem precisa — e a identidade de quem o transportava — permanece incerta. Essa incerteza alimentou intensa especulação em partes da mídia. Leia também: 'Epstein abusou de mim enquanto estava em prisão domiciliar'
Uma teoria sugere que um passageiro pode ter sido infectado em um aterro sanitário nos arredores de Ushuaia, onde turistas costumam ir para observar pássaros e onde o lixo atrai ratos e camundongos.
Autoridades argentinas que falaram anonimamente a alguns meios de comunicação disseram que essa é sua principal hipótese.
Essa sugestão, no entanto, não foi bem recebida localmente.

Crédito, Matías Zibell / BBC News Mundo
"Na Terra do Fogo, não temos registro de casos de hantavírus em nossa história", disse Juan Facundo Petrina, diretor-geral de Epidemiologia e Saúde Ambiental da província. Mais de mundo
“E, especificamente, desde 1996 — quando o Sistema Nacional de Vigilância o incluiu entre as doenças de notificação obrigatória — não tivemos um único caso na Terra do Fogo.”
Petrina, que assumiu o cargo em 2021 durante a pandemia do coronavírus, tem reiterado esse ponto em todas as coletivas de imprensa e entrevistas que concedeu nos últimos dias.

Ele enfatizou que sua província é uma fonte improvável da infecção e que a zona endêmica do hantavírus fica a mais de 1,5 mil km ao norte. Leia também: Flávio Bolsonaro admite que pediu milhões a Vorcaro para filme do pai: o que se
“Para começar, não temos a subespécie do camundongo de cauda longa [que transmite a doença], nem compartilhamos as mesmas condições climáticas do norte da Patagônia — nem em umidade nem temperatura — para seu desenvolvimento”, disse ele.
“E se os roedores começarem a se mover, já que não respeitam os limites geográficos, é importante lembrar que somos uma ilha. Eles enfrentariam a limitação de cruzar o Estreito de Magalhães para infectar espécies locais, então isso seria uma dificuldade adicional, além do clima.”

Crédito, Matías Zibell / BBC News Mundo
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