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Cepa andina do hantavírus, a única transmissível entre humanos, é confirmada em navio

Cepa andina do hantavírus, a única transmissível entre humanos, é confirmada em navio Vírus Andes foi identificado em passageiros que foram evacuados de cruzeiro para

Cepa andina do hantavírus, a única transmissível entre humanos, é confirmada em navio

Cepa andina do hantavírus, a única transmissível entre humanos, é confirmada em navio Vírus Andes foi identificado em passageiros que foram evacuados de cruzeiro para tratamento no país. Ao todo, três mortes já foram conectadas ao surto Autoridades sanitárias da África do Sul confirmaram que dois pacientes evacuados do MV Hondius, cruzeiro transatlântico onde estourou um surto de hantavírus, haviam contraído a versão do patógeno conhecida como vírus Andes, o único transmissível entre seres humanos.

Ele também está sendo chamado informalmente de cepa andina. A informação foi divulgada pelo Ministério da Saúde local, após testar duas pessoas que foram levadas ao país para tratamento quando começaram a se sentir mal – uma delas morreu na chegada. A detecção dessa cepa, também chamada de Andesvírus ou ANDV, reforça os alertas em relação ao restante das pessoas a bordo do barco.

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Originário de Ushuaia, no sul da Argentina, de onde partiu no começo de abril, o cruzeiro deveria seguir viagem até Cabo Verde, na costa da África. Após a confirmação dos casos de hantavírus, porém, nenhum país vinha se dispondo a deixar o MV Hondius atracar. Agora, a expectativa é que ele se dirija às Ilhas Canárias, que pertencem à Espanha, nos próximos dias. Leia também: ciro nogueira

Três mortes já foram registradas, uma confirmada por hantavírus e outras duas suspeitas da doença. Enquanto isso, outros pacientes sintomáticos vêm sendo evacuados aos poucos para tratamento e quarentena. Entenda melhor o que se sabe sobre a situação atual do surto e como a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem lidando com a situação.

Por que o Andesvírus preocupa? O Andesvírus é a única cepa do hantavírus com casos documentados que indicam fortemente uma transmissão de pessoa para pessoa. Embora outros tipos de hantavírus sejam comuns no resto do mundo, eles geralmente só são contraídos pela inalação de partículas de excretas (fezes, urina e saliva) de ratos contaminados, o que torna os casos em seres humanos relativamente raros.

Já o vírus Andes é endêmico no sul da Argentina, com alguns casos observados também no Chile, mas não tem circulação confirmada em outros lugares. A detecção da cepa em passageiros de diferentes nacionalidades num cruzeiro transatlântico acendeu o alerta de autoridades sanitárias internacionais para garantir que o surto fique contido apenas ao grupo que estava a bordo, sem risco de espalhar o vírus para outros países. A preocupação também se justifica devido à própria gravidade dos contágios por hantavírus: como a doença é rara, somente casos já graves costumam despertar atenção mais séria.

Isso leva a uma letalidade conhecida de cerca de 40% dos casos confirmados da doença. Também existe uma diferença entre as doenças provocadas pelo patógeno: na América do Sul, o que inclui o Brasil, o vírus mais presente causa principalmente a chamada síndrome cardiopulmonar por hantavírus (SCPH), enquanto na África, Europa e Ásia é mais comum a febre hemorrágica com síndrome renal (FHSR). Como não é familiar em outros continentes, a SCPH pode não despertar suspeita de hantavírus em pacientes europeus e ser confundida com outras doenças respiratórias, prejudicando medidas de isolamento preventivo e quarentena. Mais de saude

+ Casos já identificados Um total de oito casos possíveis da doença foram identificados no navio, sendo três deles já confirmados: - A mulher holandesa de 69 anos que morreu na África do Sul em 26 de abril; - Um homem britânico, também de 69 anos, que segue internado em estado crítico na África do Sul; - Um homem suíço que retornou ao país natal e está sendo tratado em um hospital de Zurique.

Além desses casos, também morreram outros dois passageiros: em 11 de abril, o primeiro óbito foi registrado ainda a bordo, de um homem holandês de 70 anos, marido da mulher que depois viria a morrer na África do Sul; em 2 de maio, uma pessoa de 69 anos de cidadania alemã também acabou falecendo dentro do barco. Os dois são considerados casos suspeitos, mas ainda não foram confirmados oficialmente. Nesta quarta-feira (6), mais três pessoas foram evacuadas do barco com sintomas respiratórios para seguir tratamento na Holanda. Leia também: atp roma 2026

Segundo informações preliminares, um deles seria o médico do cruzeiro, o que traz um nível de preocupação extra devido ao convívio constante com tripulantes e passageiros doentes. Qual o risco para o resto do mundo? Até o momento, a OMS vem reforçando que o surto no MV Hondius não deve causar pânico, apenas alerta e boa vigilância epidemiológica nos países implicados.

Embora seja preocupante que o vírus Andes possa ter sido levado para fora da Argentina, a capacidade de transmissão entre seres humanos observada até hoje sempre foi bem menor do que doenças com potencial de gerar uma pandemia: é preciso um contato próximo e prolongado para esse contágio – exatamente como ocorre em pessoas confinadas em um cruzeiro. No momento, os pacientes identificados têm sido internados em hospitais com leitos de isolamento, enquanto as outras pessoas ainda a bordo foram orientadas a manter isolamento entre si.

Não há evidência de uma transmissão sustentada da doença fora do contexto específico do navio e o potencial epidêmico segue sendo considerado baixo.

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