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CEO da SAF ainda não vê Galo 'no mesmo nível' que Palmeiras e Flamengo

Além de perder por 4 a 0 em sua casa, o Galo chegou à terceira derrota seguida no Brasileirão e se aproximou da zona de rebaixamento

CEO da SAF ainda não vê Galo 'no mesmo nível' que Palmeiras e Flamengo
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Depois da goleada sofrida para o Flamengo, dentro da Arena MRV, no último domingo, o clima no Atlético-MG não ficou dos melhores. Além de perder por 4 a 0 em sua casa, o Galo chegou à terceira derrota seguida no Brasileirão e se aproximou da zona de rebaixamento.

Embora seja um dos gigantes do país, o Atlético-MG tem passado por uma grave crise financeira — totalizando cerca de R$ 1,7 bilhão em dívidas. O recém-chegado CEO da SAF, Pedro Daniel, veio para tentar melhorar a situação, mas ainda não crê que o clube mineiro tem poder para brigar no mesmo patamar que as potências Palmeiras e Flamengo, como contou em entrevista ao Fala Aí, programa do Canal UOL.

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Óbvio que a gente quer ganhar sempre, está até no nosso hino, mas tudo é um processo. A gente precisa entender que o mercado do futebol hoje está muito profissional. A gente compete com Flamengo, Palmeiras, empresas que faturam R$ 2 bilhões, e a gente ainda não tem o mesmo nível de faturamento. A gente tem que ser muito eficiente para poder ser competitivo e é o que estamos tentando fazer.
Pedro Daniel, CEO da SAF do Atlético-MG, ao Fala Aí

Pedro Daniel foi anunciado no cargo em dezembro de 2025 e possui vasta experiência financeira no futebol. Ao longo de 15 anos, ele trabalhou na reestruturação econômica de diversas equipes, incluindo os poderosos Palmeiras e Flamengo, e foi convidado para auxiliar o Galo depois de já prestar serviços para o clube. Leia também: Pierre Gasly recupera pódio no GP de Mônaco após FIA anular punições

Pedro Daniel, CEO da SAF do Atlético-MG, em entrevista ao 'Fala Aí', programa do Canal UOL
Pedro Daniel, CEO da SAF do Atlético-MG, em entrevista ao 'Fala Aí', programa do Canal UOL

Embora o trabalho de Pedro Daniel com a dívida do Atlético seja complicado, o CEO não pode baixar por total os gastos do clube. Sendo assim, é necessário achar um equilíbrio para conseguir manter o elenco competitivo e diminuir o valor que deve.

A gente teve a primeira janela de janeiro, fizemos alguns investimentos. Fizemos mais de 20 movimentações entre entradas e saídas para termos o perfil que acreditamos. Tudo é um processo, não dá para fazer tudo em dois, três meses. Eu entrei em janeiro e ainda estamos em abril, ainda é pouco tempo, mas as coisas estão acontecendo em uma velocidade rápida.

Destrinchando a dívida

O CEO também explicou como é composta a dívida de R$ 1,7 bilhão do Atlético. Enquanto a chamada dívida onerosa é a maior e que mais causa prejuízos, existem outros valores que vão se autopagando com o passar do tempo.

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As contratações de jogadores também são vistas como um investimento, principalmente se o retorno financeiro vier em forma de títulos. Mais de esporte

O que estamos fazendo é um processo de reperfilamento da dívida. A gente tem a dívida que chamamos de onerosa, que é a que machuca mais, e tem a dívida que a gente vê mais como um investimento. Por exemplo, contratação de atletas entra no balanço como contas a pagar, um passivo, mas é um investimento. A gente tem o CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) aqui da Arena, que é uma operação na qual a gente foi pegar dinheiro emprestado para construir a Arena. Eles se pagam, então estamos falando de quase R$ 300 milhões que faltam para a gente pagar, mas eles se autopagam, tem bilheteria, sócio-torcedor.

Tem o passivo mais oneroso, que é o bancário. São, mais ou menos, R$ 600 milhões. Esse é o que a gente está trabalhando para o aporte, porque tem um juros elevado, ele machuca nosso dia a dia. Então a gente está trabalhando o aporte exclusivo para esse passivo, basicamente pagar banco. Também tem o tributário, que são quase R$ 500 milhões. O tributário não faz sentido pagar antecipado, a gente tem um refinanciamento, acho que faltam 12 anos para se pagar. Não faz sentido a gente deixar de investir na nossa operação para antecipar um pagamento que está financiado.
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Em meio aos problemas para pagar as dívidas, os acionistas majoritários da SAF, Rubens e Rafael Menin, preparam um aporte de cerca de R$ 500 milhões para reduzir o valor devido aos bancos. Com isso, os Menin terão mais de 50% das ações da empresa.

A injeção de dinheiro, entretanto, está demorando mais que o previsto. O aporte estava programado para acontecer até o final de abril, mas deve ficar para o próximo mês devido à burocracia para aprovação, e os torcedores do Galo ficaram preocupados. O CEO, todavia, pede paciência com o ritual a ser seguido — o anúncio oficial depende da votação, da qual o Conselho Associativo também participará, que está marcada para o começo de maio.

A gente tem que diferenciar o que é operacional de anúncio oficial. Primeiro estamos falando de pagamento de dívida do banco, a ansiedade da torcida é curiosa para pagar. Mas quando a gente fala da parte estatutária, principalmente quando envolve a Associação, o anúncio oficial deve ser feito através de todo esse rito.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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