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- Author, Michelle Spear
- Role, The Conversation*
- Há 6 minutos
- Tempo de leitura: 5 min
Muitas pessoas vão reconhecer essa situação tão comum. Alguém insiste que um objeto simplesmente não está ali, que é impossível de encontrá-lo, apesar de dizer que fez uma busca minuciosa e eficaz. Outra pessoa chega, dá uma olhada rápida no mesmo lugar e encontra o objeto quase de imediato.
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"Está bem debaixo do seu nariz!"
Essa situação frustrante (para os dois envolvidos) revela algo fundamental sobre como o cérebro funciona. Encontrar objetos em ambientes do nosso dia a dia depende de um processo chamado busca visual, e nosso cérebro não é tão eficiente nisso.
Mesmo quando algo está à nossa frente, o cérebro pode não perceber que ele está ali. Em outras palavras, olhamos, mas não vemos. Leia também: Como a roupa da filha de Kim Jong Un mostra que ela está sendo preparada para virar líder da Coreia do Norte
À primeira vista, procurar algo parece simples. Olhamos uma superfície — a bancada da cozinha, a mesa de trabalho, a gaveta de "tudo" — até encontrar o objeto.
Os psicólogos costumam descrever a atenção como um holofote que percorre o campo visual. Onde ele se concentra, a informação é processada em detalhes. O que fica fora dele recebe muito menos atenção.
Existe uma razão anatômica para o olhar se mover o tempo todo. O centro da retina — a fóvea — concentra a visão mais nítida. Mas ocupa apenas uma pequena parte do campo visual, do tamanho aproximado da unha do polegar e na distância do braço estendido.
Para enxergar bem uma cena, os olhos precisam se mover repetidamente, levando diferentes partes do ambiente a essa pequena área de alta resolução.

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Esses movimentos são movimentos sacádicos, também conhecidos como "sacadas", e acontecem o tempo todo. Mesmo quando achamos que estamos olhando fixamente para algo, os olhos se movem discretamente de um ponto a outro.
Na maioria das vezes, esse sistema funciona muito bem. Ele permite que a gente se oriente em ambientes visuais complexos sem ficar sobrecarregado de informação.
Olhando sem enxergar
A visão, afinal, não é apenas o que vemos. Leia também: Como são as 'prisões para obesos' da China: pesagem duas vezes por dia, exercícios intensos e lanches proibidos
Uma das demonstrações mais conhecidas desse fenômeno aparece em um vídeo em que um grupo de pessoas troca passes com uma bola de basquete. Quem assiste deve contar o número de passes. Enquanto o espectador se concentra na tarefa, uma pessoa vestida de gorila atravessa a cena tranquilamente.
Cerca de metade dos espectadores não percebe o gorila.
O gorila não está escondido. Ele passa pelo centro da tela. Mas o cérebro, concentrado em contar os passes de basquete, simplesmente não o registra.

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Assim que a informação visual chega ao cérebro, ela é processada por diferentes vias. Uma delas, frequentemente chamada de via dorsal, segue em direção ao lobo parietal do cérebro, área responsável por funções essenciais como a percepção espacial e a orientação da atenção.
Homens e mulheres procuram de forma diferente?

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