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ceará sc x fortaleza

A conscientização por um ambiente livre de preconceitos nos estádios, combatendo atitudes que se camuflam sob a justificativa do tal “futebol raiz”, tem evoluído nos

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Publicado 01:00 | mai. 17, 2026 Tipo Notícia Por Mateus Moura
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VOZÃO Pride marca presença nos jogos do Ceará (Foto: AURÉLIO ALVES)
Foto: AURÉLIO ALVES VOZÃO Pride marca presença nos jogos do Ceará

Por décadas, cânticos homofóbicos foram normalizados entre as torcidas brasileiras — e, no Clássico-Rei, a realidade não é diferente. A conscientização por um ambiente livre de preconceitos nos estádios, combatendo atitudes que se camuflam sob a justificativa do tal “futebol raiz”, tem evoluído nos últimos anos, mas o progresso ainda está distante do cenário ideal que o tema exige.

Hoje, simbolicamente, Ceará e Fortaleza se enfrentam pela Série B na mesma data em que se celebra o Dia Mundial contra a LGBTfobia. O confronto surge como uma oportunidade para que os clubes se posicionem contra a homofobia estrutural no futebol, onde a masculinidade exacerbada historicamente construiu um ambiente hostil, com impactos profundos no público LGBTQIA+.

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Embora os olhares estranhos, as “piadas” e as ofensas deixem traumas, eles não foram suficientes para afastar quem, por amor ao clube e à própria identidade, decidiu ocupar um espaço onde nem sempre foi bem-vindo. Tanto no Ceará quanto no Fortaleza, a união de torcedores se transformou em obstinação: de um lado, o Vozão Pride; do outro, a Resistência Tricolor Feminista. São vozes que romperam um longo silêncio. Leia também: vila nova x avaí: o detalhe que mais repercutiu

O coletivo alvinegro foi fundado em 2020 por um grupo de amigos. Inicialmente, a intenção era movimentar redes sociais com “memes” ligados ao Ceará, ideia que se fundiu à necessidade de abordar, também, questões sérias: suas existências, os preconceitos e a segurança nos estádios. Ana Beatriz, que faz parte do Vozão Pride, contou ao Esportes O POVO que a arquibancada ainda não é atrativa para boa parte do público LGBTQIA+.

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“Hoje em dia é mais tranquilo para mulheres LGBT, mas ainda vemos comentários e olhares para amigos homens, sejam homossexuais ou homens trans. Também não vemos muitas mulheres trans no estádio. Vejo que melhorou, mas muito pouco. As pessoas não se sentem seguras nem atraídas para ir à arquibancada, exatamente por ser um local machista e homofóbico. Sinto que ainda precisam existir mais ações por parte do governo e dos clubes mostrando que é, sim, um espaço para as pessoas LGBT”, contou.

Hoje, inevitavelmente, Ana Beatriz e outras pessoas terão de lidar com manifestações homofóbicas na Arena Castelão, grande parte reproduzida em músicas cantadas por torcidas organizadas dos dois clubes. Embora medidas contra a LGBTfobia venham sendo tomadas com mais rigor desde 2023, as atitudes deploráveis na arquibancada persistem. Mais de entretenimento

“O Clássico-Rei sempre resgata essa memória de cânticos e xingamentos homofóbicos e machistas. É bem frustrante, principalmente porque, vez ou outra, isso parte do próprio clube e de jogadores. Acho que falta isso por parte do clube: a questão de educar quem faz parte dele, se atualizar e se modernizar nessas questões. Também somos parte do povo, e o time é do povo. Qual o sentido, então, em ofender essa parte da torcida?”, refletiu a torcedora do Vovô.

Talita Maciel faz parte da Resistência Tricolor Feminista e frequenta jogos do Leão desde 2005. Mesmo após sofrer lesbofobia — algo que passou a acontecer quando se assumiu bissexual — por torcedores do próprio clube que ama, ela se manteve inabalável. Ao Esportes O POVO, ela admite que ainda passa por situações desconfortáveis nas arquibancadas. Leia também: São João da Boa Vista: 4 morrem carbonizados em acidente na SP-344

"A gente ainda se atravessa por olhares curiosos, falas um tanto violentas. Porque a partir do momento que o torcedor que está do meu lado não me desrespeita, mas desrespeita uma arbitragem feminina, proferindo insultos e xingamentos de cunho pejorativo, eu também me sinto violentada. [...] De uma certa forma, eu não me sinto plenamente acolhida, mas não deixo de exercer meu papel de torcedora", garantiu.

A atmosfera no clássico, potencializada à rivalidade, fazem Talita reconhecer que não vivenciará o cenário ideal no Gigante da Boa Vista, mas se permite sonhar com dias melhores, em que não enfrentará hostilidade e poderá estar ao lado de amigas que não costumam ir aos jogos.

"Para mim, a maior vitória do Clássico-Rei seria eu poder sair de casa e torcer para o meu time me sentindo plenamente livre, segura, que eu soubesse que o Estado está ali para me amparar, que os colegas de arquibancada também pudessem reagir a isso. Falta muito, para além da vitória do Fortaleza. Essa vitória fora de campo precisaria que esse conjunto de atores sociais tivessem atuação mais firme, mais contundente", ponderou.

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