Cartões de criptomoedas avançam sem cobrança de IOF sob novas regras do Banco
Ler matéria →Com a Selic (taxa básica de juros da economia) em patamar elevado nos últimos anos, o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) voltou a oferecer remuneração atrativa aos investidores. Ao mesmo tempo, os títulos atrelados à inflação permitem contratar uma taxa real (acima do IPCA) para os próximos anos. Diante desse cenário, muitos investidores se perguntam qual é a melhor opção.
A resposta não depende apenas da rentabilidade oferecida hoje, mas principalmente do prazo e do objetivo do investimento, segundo especialistas ouvidos pela Folha. Para objetivos de curto prazo, o CDI, que acompanha a Selic, atualmente em 14%, tende a ser mais adequado por oferecer menor exposição às oscilações do mercado. Já para metas de longo prazo, como a aposentadoria, os títulos IPCA+ permitem proteger o poder de compra e garantir antecipadamente uma remuneração real, desde que sejam mantidos até o vencimento.
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" A lógica é casar o investimento com a obrigação. Se o meu compromisso futuro cresce com a inflação, faz sentido que esse investimento também esteja vinculado à inflação", afirma Martin Hauser, planejador financeiro CFP pela Planejar.
A principal diferença entre os dois indexadores está na previsibilidade do retorno. Enquanto a rentabilidade do CDI depende do comportamento futuro da taxa de juros, os títulos atrelados ao IPCA permitem ao investidor contratar antecipadamente uma taxa real para os próximos anos. "
Quando você vai traçar uma meta de longo prazo, é muito mais adequado pensar em IPCA+", diz Michael Viriato, colunista da Folha e assessor da Casa do Investidor. Isso não significa, porém, que o IPCA+ seja a melhor opção em qualquer cenário. " Leia também: Economia: Panorama de Mercado e Notícias Relevantes
Você compra o título não para ganhar do CDI, mas para se proteger da inflação", afirma. Com a Selic em 14% ao ano, o CDI continua entre as aplicações mais atrativas da renda fixa. A questão, portanto, não é escolher um indexador em detrimento do outro, mas entender qual deles está mais alinhado ao objetivo de cada investimento.
Segundo Viriato, para um prazo de dois anos, o CDI seria a opção mais adequada. Em dez anos, porém, a decisão passa a depender também da disposição para enfrentar períodos em que os títulos atrelados à inflação podem apresentar um desempenho inferior ao do CDI. Segundo o especialista, quem tem como prioridade obter a maior rentabilidade possível no curto prazo pode preferir os investimentos pós-fixados.
Robson Gonçalves, professor de MBAs da FGV (Fundação Getulio Vargas), afirma que o IPCA+ é adequado para quem faz um planejamento de longo prazo, como a aposentadoria ou a educação dos filhos, e não pretende resgatar o dinheiro antes do vencimento. Já o CDI pode funcionar melhor para uma reserva que o investidor possa precisar acessar no caminho. No IPCA+, embora seja possível resgatar o título antes do vencimento, o investidor fica sujeito à marcação a mercado.
Ou seja, se os juros subirem depois da compra, o título pode perder valor no momento do resgate. Hauser, da Planejar, diz que o investidor que opta pelo CDI assume o chamado risco de reinvestimento. A taxa elevada de hoje vale apenas para o período atual, e não há garantia de que o dinheiro poderá ser reaplicado aos mesmos juros daqui a dois, três ou cinco anos.
" Transformar a taxa de hoje em uma premissa para os próximos dez, 15 anos é perigoso, porque a taxa de hoje está muito acima da média histórica", afirma. Para Hauser, o prazo do investimento deve ser compatível com o momento em que o dinheiro será utilizado. Mais de economia
No caso do IPCA+, quanto mais próximo estiver o vencimento do momento em que o recurso será necessário, menor tende a ser a exposição à chamada 'duration', medida que indica a sensibilidade do preço de um título às mudanças nas taxas de juros. A estratégia, diz o planejador, não precisa ser uma escolha entre um indexador e outro. O CDI pode concentrar os recursos destinados a compromissos mais próximos, enquanto o IPCA+ pode financiar objetivos de médio e longo prazo.
" CDI e IPCA+ deixam de ser concorrentes quando cada um tem uma função clara dentro do planejamento. "
A ideia de que um investimento deve ser escolhido segundo o objetivo que se pretende proteger também aparece em um estudo da XP e da Atlantiqis, que questiona a noção de que o CDI seja, necessariamente, o ativo "livre de risco" para o investidor brasileiro. O estudo mostra que, entre janeiro de 2019 e janeiro de 2023, o retorno nominal acumulado do CDI, de cerca de 27%, foi praticamente consumido pela inflação do período. Em 2020 e 2021, período da pandemia de Covid-19, o investimento teve retorno real negativo, de 1,73% e 5,37%, respectivamente. Leia também: Ibovespa Futuro cai com exterior e mercado avalia medidas do Tesouro dos EUA
Na prática, isso significa que um investimento pode ter baixa oscilação e ainda assim não proteger o poder de compra do investidor. Para uma pessoa que está juntando dinheiro para uma despesa futura que acompanha a inflação, por exemplo, o risco relevante não é apenas perder dinheiro nominalmente, mas chegar ao momento de usar os recursos e descobrir que eles não cresceram no mesmo ritmo da obrigação. O Brasil, inclusive, já oferece títulos públicos desenhados para objetivos específicos de longo prazo.
O Tesouro RendA+ é voltado à formação de uma renda complementar para a aposentadoria, enquanto o Tesouro Educa+ foi criado para ajudar no planejamento de despesas com educação. VANTAGEM DOS INDEXADORES Um tema que vem sendo acompanhado de perto pelo mercado financeiro é a situação fiscal do país, que pode influenciar as expectativas para inflação e juros.
Para Robson Gonçalves, da FGV, um eventual ajuste fiscal no próximo ano poderia reduzir as pressões sobre os preços e abrir espaço para uma queda maior da Selic. " Se você tiver um ajuste fiscal, você vai retirar a pressão da inflação.
Cai o IPCA, mas cai a Selic também", afirma. Nesse cenário, a vantagem atual do CDI em relação ao IPCA+ tenderia a diminuir. Com juros menores, o pós-fixado perderia parte da atratividade, enquanto a possibilidade de garantir antecipadamente uma taxa real poderia tornar os títulos atrelados à inflação mais interessantes para objetivos de longo prazo.
O movimento contrário também precisa ser considerado. Uma piora das expectativas fiscais poderia manter os juros elevados por mais tempo, prolongando a vantagem do CDI no curto prazo. Para quem já comprou um IPCA+, porém, uma alta dos juros pode reduzir o preço do título caso seja necessário resgatá-lo antes do vencimento.
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