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Caso Deolane revela como fintechs fizeram ‘explodir’ recursos do PCC, diz

Deolane Bezerra (©dra.deolanebezerra/Instagram) Publicidade A Polícia Civil de São Paulo fez uma análise financeira de quase uma década de movimentações de recursos que

Caso Deolane revela como fintechs fizeram ‘explodir’ recursos do PCC, diz
Deolane Bezerra (©dra.deolanebezerra/Instagram)
Deolane Bezerra (©dra.deolanebezerra/Instagram)

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A Polícia Civil de São Paulo fez uma análise financeira de quase uma década de movimentações de recursos que ligam a cúpula do PCC à advogada e influenciadora Deolane Bezerra Santos e constatou que o uso de fintechs fez explodir o total de valores movimentados pelo grupo criminoso. A informação consta da representação da Polícia Civil à Justiça pela decretação da prisão dos suspeitos, entre eles Deolane e o líder da facção, Marco Camacho, o Marcola ou “Narigudo”.

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O Estadão busca contato com a defesa. O espaço está aberto.

Deolane chegou ontem de uma viagem à Roma. Às 6hs da manhã desta quinta, 21, a força-tarefa da Operação Vérnix a prendeu em sua residência, no condomínio Tamboré, na Grande São Paulo.

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A Justiça também decretou e prisão de outros cinco investigados, inclusive do chefe da facção, Marco Camacho, o Marcola, que já está custodiado em presídio de segurança máxima em Brasília, condenado a 300 anos. A conclusão dos investigadores sobre a “explosão” provocada pelo uso de fintechs pelo crime organizado se baseia na análise do período de movimentações financeiras de Deolane, no período de a , para o grupo de pessoas físicas e jurídicas por ela usadas. Leia também: TSE entende que uso de igreja para promover candidaturas é abuso de poder

A análise comparativa com os relatórios do giro financeiro de 2018 a 2022 evidencia, segundo a polícia, “uma alteração substancial no padrão econômico-financeiro da investigada e de suas empresas, revelando incremento significativo de créditos e interações financeiras, especialmente a partir do segundo semestre de 2022”. Um primeiro relatório demonstra movimentações atípicas, porém, “mais moderadas, que não ultrapassavam R$ 1 milhão”. O segundo relatório abarca o “salto exponencial no volume de recursos, com destaque para o ingresso de mais de R$ 30 milhões provenientes de empresas de meios de pagamento, inclusive fintechs”.

Padrões de fracionamento

De acordo com a polícia, o cruzamento de dados bancários e fiscais permitiu ainda identificar padrões típicos de fracionamento, pulverização e circularidade de valores, além de recorrentes transações envolvendo empresas com indícios de funcionamento incompatível com sua natureza declarada.

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“Destacam-se, nesse cenário, as empresas PagFast Cobrança e Serviços em Tecnologia Ltda., Lucas Cosméticos Ltda. e Jarinu Anúncios do Brasil Ltda., responsáveis por transferências que somam mais de R$ 5,7 milhões para a Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda”, escreveram os investigadores. Os policiais anexaram ao inquérito um laudo da perícia que concluiu existir “uma verdadeira malha financeira estruturada em torno da figura de Deolane Bezerra Santos, envolvendo pessoas físicas e jurídicas interligadas, com movimentação global superior a R$ 140 milhões em créditos e débitos”. O Estadão também busca contatos das empresas.

Esse grupo envolveria cinco empresas, das quais a advogada figura como sócia, além de outros 14 alvos da ação desta quinta-feira na Operação Vérnix. Mais de economia

Ambiente financeiro

Para os policiais, “o aumento do uso de fintechs pelo crime organizado reflete a adaptação das organizações criminosas ao ambiente financeiro digital e demanda, por parte dos órgãos de investigação e controle, uma atuação coordenada, tecnicamente especializada e permanentemente atualizada”.

Eles evitaram usar a Operação Carbono Oculto, que apurou a captura do setor de combustíveis pelo PCC, como exemplo do emprego de fintechs pelo crime organizado. Depois da descoberta da relação das contas bancárias de Deolane Bezerra dos Santos com a movimentação do dinheiro da transportadora Lado a Lado, controlada pelos irmãos Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Alejandro Herbas Camacho, o Júnior, a Polícia Civil de São Paulo fez uma devassa nas empresas em nomes dos investigados e de seus familiares.

A Polícia indica cinco empresas com as quais a advogada teria algum tipo de participação como sócia. Em nome de Deolane, os policiais encontraram uma empresa em Santo Anastácio, cujo endereço era usado ainda por outras 12 pessoas jurídicas. O lugar simples – um imóvel de paredes de madeira na periferia da cidade – seria um indício de que todas as empresas ligadas à Deolane são mera fachada. Leia também: Trump diz que EUA enviarão mais 5.000 soldados para Polônia

O contador de Deolane

Todas essas empresas tinham um mesmo contador – Eduardo Affonso Rodrigues, que passou a ser investigado também. Outra empresa em nome de Deolane, na cidade de Martinópolis, ficava em um endereço onde estavam registradas mais 15 empresas. A reportagem não conseguiu localizar sua defesa.

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Em um terceiro endereço ligado ao contador, os policiais encontraram o registro de outras nove empresas. Os policiais verificaram ainda as relações amorosas de Deolane e constataram que ela tem um filho com um ex-presidiário, de quem foi advogada. Durante as investigações, Deolane chegou a fazer um boletim de ocorrência denunciando que seus dados pessoais estariam sendo usados para a abertura de contas em bancos.

“Considerando que naqueles autos eram investigadas pessoas integrantes da facção, de fácil conclusão que Deolane, em virtude de seu estreito vínculo criminoso com aqueles investigados, foi certamente avisada sobre aqueles levantamentos investigativos realizados no bojo daquele processo”, pontuam os policiais da Operação Vérnix. Os policiais encontraram, no período de 2018 a 2021, depósitos fracionados com valores inferiores a R$ 10 mil nas contas de Deolane que, somados, chegam R$ 1,067 milhão.

“Nota-se que todos os depósitos em espécie foram divididos em valores inferiores a R$ 10 mil, ou seja, de todos os depósitos em espécie não identificados aportados nas contas de Deolane Bezerra Santos, nenhum teve valor igual ou superior a R$ 10 mil”, diz a representação da Polícia à Justiça para deflagração da operação. Em pelo menos três oportunidades, a Polícia conseguiu demonstrar que os depósitos na conta da advogada haviam sido ordenados por Everton de Souza, o “Player”, em favor de Ciro César Lemos – “operador” da transportadora do PCC – por meio de mensagens apreendidas.

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