O banco dos réus do Fórum de Maravilha recebe hoje (14) os três acusados de um dos crimes mais bárbaros registrados no Sertão alagoano: o assassinato da adolescente Ana Clara Firmino da Silva, de apenas 12 anos, e a tentativa de homicídio contra um jovem de 14 anos. O julgamento, que começou pela manhã, é marcado por depoimentos tensos e contradições evidentes entre os envolvidos. O Ministério Público de Alagoas (MPAL), representado pelo promotor José Antônio Malta Marques, sustenta as qualificadoras de feminicídio e motivo fútil.
“ Eles ceifaram a vida de uma menina por tamanha estupidez. O homem precisa saber ouvir um não”, declarou o promotor.
Leia no AINotícia: Vini Jr. e Virginia Fonseca
Depoimentos revelam emboscada A primeira testemunha a ser ouvida foi o adolescente sobrevivente. Ele detalhou o momento em que o grupo chegou em um veículo prata simulando um assalto — tese que o MPAL afirma ser apenas um álibi.
“Assim que ele desceu, já deu uma facada. Ela mandou eu correr, eu corri e não vi mais nada”, relatou o jovem, descrevendo o pânico da abordagem que ocorreu apenas cinco minutos após terem chegado ao local. Contradições e a “Bainha da Faca” Leia também: Vini Jr. e Virginia Fonseca

Policiais militares que efetuaram as prisões reforçaram a robustez das provas. Segundo o sargento que comandou a ocorrência, o casal José Jonas da Silva Júnior e Edineide Pereira Santos apontou, no momento da detenção, que Lailton Soares Silva foi o autor dos golpes. Um detalhe crucial foi a apreensão da bainha da faca na casa dos pais de Lailton, compatível com a arma cravada no corpo da vítima.
Réus em conflito no tribunal O interrogatório dos réus expôs o racha na defesa. Lailton Soares Silva negou a autoria, alegando que estava “dormindo no banco de trás” e que acordou apenas com o impacto da freada.
Ele ainda afirmou que o casal teria lhe oferecido R$ 7 mil e um carro para assumir a culpa. ACOMPANHE AS NOTÍCIAS DE ALAGOAS NO INSTAGRAM
Por outro lado, o réu José Jonas negou ter oferecido dinheiro e afirmou que Lailton estava “agoniado” antes do crime. Jonas relatou que, ao descer do carro, Lailton já estava atacando a menina. “Eu fui olhar a menina e quando cheguei lá ia tirar a faca, mas vi que já estava morta e voltei”, disse Jonas à Justiça.

Revitimização e histórico de violência A acusação reagiu duramente às tentativas da defesa de questionar o comportamento da vítima, o que foi classificado como “revitimização”. Em contraste, o irmão de Lailton prestou depoimento afirmando que viu o irmão com a calça suja de sangue na manhã seguinte e que Jonas teria retornado ao local do crime para procurar câmeras de segurança. Mais de esporte
O julgamento segue em andamento no fórum local sob a presidência do juiz Jader de Medeiros Neto. Devido à complexidade do caso e ao grande número de depoimentos e acareações, os trabalhos devem se estender pela noite. A expectativa é que o veredito final e o resultado da sentença sejam confirmados durante a madrugada ou apenas nesta sexta-feira (15).
O CRIME Na madrugada do dia , Ana Clara, de apenas 12 anos, foi brutalmente assassinada enquanto conversava com um amigo na Travessa Sagrada Família, no Centro da cidade de Maravilha. De acordo com as informações, um veículo Leia também: aston villa x liverpool: o impacto imediato para a temporada
Ônix prata se aproximou e os ocupantes desceram, atacando os dois jovens com golpes de faca. Ana Clara – que era filha do radialista Ailton Silva – foi atingida nas costas, e a lâmina ficou cravada em seu corpo. Ela morreu no local.
O amigo, de 14 anos, conseguiu fugir e foi socorrido. Após o crime, os envolvidos retornaram às suas residências. Durante as investigações, a Polícia Civil conseguiu descobrir que o crime teria sido motivado por vingança uma vez que um dos acusados nutria interesse pela adolescente e teria sido rejeitado.
Ao avistá-la conversando com outro rapaz, teria a perseguido e cometido o crime. Um casal que estava no veículo também está sendo julgado por participação. Em maio de 2025, quatro meses após o crime, o Instituto de Criminalística de Arapiraca executou a reprodução simulada do feminicídio para esclarecer contradições entre os acusados.
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