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Canetas emagrecedoras podem desacelerar o envelhecimento, aponta estudo

Canetas emagrecedoras podem desacelerar o envelhecimento, aponta estudo Além da perda de peso, medicamento foi associado a uma desaceleração de cerca de 9% em

Canetas emagrecedoras podem desacelerar o envelhecimento, aponta estudo

Canetas emagrecedoras podem desacelerar o envelhecimento, aponta estudo Além da perda de peso, medicamento foi associado a uma desaceleração de cerca de 9% em indicadores biológicos de envelhecimento Talvez você já esteja cansado de saber o que as famosas canetas antiobesidade e diabetes, vulgo “emagrecedoras”, fazem: imitam a ação do hormônio GLP-1 para promover saciedade e melhorar os níveis de glicose.

Só que não para por aí. A ciência não para de descobrir possíveis efeitos dessas substâncias a serem explorados. Na esteira das novas pesquisas sobre elas, um estudo recente aponta que elas poderiam retardar o envelhecimento biológico (o real desgaste das células e do funcionamento do corpo, independentemente de quantos anos você tem).

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Sim. Um pequeno trabalho, feito pela Universidade da Califórnia em San Diego, concluiu que, ao acalmar a inflamação e reduzir o excesso de gordura, a semaglutida (princípio ativo do Ozempic) ainda pode atrasar a chegada de vários sinais moleculares ligados a esse processo. Na pesquisa, feita com adultos que vivem com o vírus da imunodeficiência humana (HIV), a substância foi associada a uma desaceleração de aproximadamente 9% no ritmo de envelhecimento.

Além disso, em uma das métricas utilizadas, os participantes tratados com semaglutida exibiram marcadores no DNA que indicavam uma idade biológica cerca de 4,9 anos inferior à estimada para o grupo que não usou o medicamento. Como o estudo foi feito Para chegar a esses resultados, os pesquisadores utilizaram dados de um ensaio clínico, feito por outro grupo de cientistas, que já havia sido publicado. Essa pesquisa anterior envolveu 108 adultos com uma condição chamada lipohipertrofia associada ao HIV, quadro que causa acúmulo de gordura na região abdominal, um efeito colateral de antigas terapias antirretrovirais.

Durante o estudo, metade dos participantes recebeu injeções semanais de semaglutida, enquanto o restante obteve injeções de placebo. O objetivo era apenas avaliar os efeitos da semaglutida sobre a gordura abdominal. Mas, com as informações desta pesquisa anterior em mãos, a equipe da California resolveu focar numa análise do envelhecimento celular de 84 dos participantes, ao longo de 32 semanas (oito meses). Leia também: Laser íntimo ganha destaque após novo desdobramento em laser íntimo: conheça

Para isso, foi utilizado um conjunto de “relógios epigenéticos”, tecnologias que utilizam modificações no DNA para prever a idade biológica de uma pessoa. Vale lembrar que, diferente da idade cronológica (o tempo de vida desde o nascimento), a idade biológica mede o desgaste das células, tecidos e órgãos, mostrando se estão mais jovens ou envelhecidas em relação ao esperado. O principal processo observado pelos relógios é a metilação do DNA, um tipo específico de alteração no material genético humano que traz impactos importantes para o organismo.

Para entender melhor, é importante pensar que, ao longo da vida, o DNA acumula pequenas marcações químicas— advindas desse tal processo chamado de metilação— que mudam de forma previsível conforme envelhecemos, funcionando como um registro do desgaste celular. Ao medir essas marcas, a equipe da pesquisa pôde avaliar se o tratamento com semaglutida estava associado a um padrão de envelhecimento biológico mais lento ou mais rápido. Além da idade biológica quase 5 anos mais jovem, foram notadas melhorias em marcadores relacionados à inflamação e ao envelhecimento de órgãos e sistemas, como coração e cérebro.

O estudo constatou que o medicamento diminuiu os processos biológicos associados, por exemplo, ao risco de mortalidade por todas as causas e doenças relacionadas à idade. E aqui um parêntese: pessoas com HIV frequentemente apresentam envelhecimento acelerado, mesmo quando a doença está bem controlada. Os resultados, portanto, são promissores, mas os próprios autores ressaltam que eles devem ser interpretados com cautela.

É que essa é uma análise feita depois da conclusão do estudo original (o que é chamado de post-hoc), ou seja, não estava prevista no desenho inicial da pesquisa, e envolveu um número relativamente pequeno de participantes, fatores que influenciam a qualidade dos dados. Além disso, todos os voluntários viviam com HIV, o que dificulta saber se os mesmos efeitos ocorreriam na população em geral. Por isso, serão necessários estudos maiores e planejados especificamente para investigar o envelhecimento antes que se possa concluir que a semaglutida tem potencial para retardar o envelhecimento.

Por que a semaglutida pode retardar o envelhecimento Segundo especialistas, é difícil dizer se os efeitos observados são consequência indireta da perda de peso e da melhora metabólica ou de uma ação específica da semaglutida sobre os mecanismos do envelhecimento. Seja como for, é fato que ela realmente pode ajudar, embora mais estudos sejam necessários para entender o quanto e o porquê dessa melhora. Mais de saude

“ A redução da gordura visceral [a “barriga de chope”], a melhora da resistência à insulina e a diminuição da inflamação podem, por si só, levar a uma melhora dos relógios epigenéticos”, explica Fábio Leonel, geriatra e diretor da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo (SBGG-SP). “

Além disso, sabe-se que a semagalutida age sobre a inflamação, o que também pode estar relacionado a esses efeitos”, acrescenta Paulo Miranda, ex-presidente e atual coordenador da Comissão Internacional da Sociedade Barasileira de Endocrinologia (Sbem). Também, ao melhorar fatores cardiometabólicos, a semaglutida impede processos intimamente ligados à aceleração do envelhecimento celular e ao surgimento de doenças relacionadas à idade. O que falta saber Miranda faz a ressalva de que a alusão a um potencial ganho de expectativa de vida ligado à semaglutida, por exemplo, é simplesmente exploratória. Leia também: Mito ou verdade ganha destaque após novo desdobramento em mito ou verdade

“Ela não pode ser tida como uma verdade, porque nós não temos como estabelecer esta relação de causalidade”, diz. Segundo o especialista, estudo ainda não tem força suficiente para isso. “

Precisamos de estudos com um número muito maior de pessoas “, reforça.

“O mais provável, neste momento, é que seus benefícios metabólicos e anti-inflamatórios expliquem parte significativa dos efeitos observados”, destaca Leonel. Ainda assim, o gerontólogo ressalta que o estudo representa uma evidência importante de que a semaglutida pode influenciar biomarcadores modernos de envelhecimento biológico. “

Entretanto, ainda não podemos afirmar que ela prolonga a vida ou rejuvenesce o organismo”, diz. Assim sendo, o principal achado é que uma intervenção metabólica eficaz parece modificar marcadores moleculares associados ao envelhecimento. “Ou seja, há uma conexão cada vez mais evidente entre obesidade, inflamação, metabolismo e longevidade saudável

“, conclui.

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