A menopausa e os 52 anos: um ciclo de poder
Ler matéria →Câncer: um quarto dos brasileiros não sabe que é possível prevenir a doença Pesquisa revela que grande parte da população desconhece a mitigação do risco de câncer, impactando a prevenção O câncer não é uma sina— mas nem todo mundo está ciente disso. Uma pesquisa que ouviu 6,5 mil brasileiros mostra que 27% não sabem que o risco da doença pode ser mitigado.
A falta de conhecimento é uma barreira para que a população adote hábitos saudáveis e demande políticas públicas eficazes de prevenção. Só neste ano estão previstos 781 mil novos casos de câncer. “É preciso exigir o combate rigoroso ao uso e à venda de cigarros eletrônicos, a atenção para o desenho urbano e a garantia de ambientes livres de ultraprocessados”, defende a nutricionista Evelyn Santos, gerente da Umane, associação que realizou o levantamento com a Vital Strategies.
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A pesquisa teve apoio do Instituto Devive e do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O grau de informação O percentual de entrevistados que reconhecem fatores de risco para o câncer
Palavra de Especialista VEJA SAÚDE: Nove a cada dez pessoas reconhecem o fumo como um fator de risco para o câncer. O que podemos aprender com as décadas de campanhas antitabagistas e aplicar com outros fatores de risco menos conhecidos, como sedentarismo e alto consumo de carne vermelha?
Evelyn Santos: O principal aprendizado é evitar que o intervalo entre a descoberta científica e a política pública seja tão longo. Os primeiros grandes estudos associando o cigarro ao câncer foram publicados em 1950.
Quantas vidas perdemos nas décadas que demoramos para vencer o forte lobby da indústria que lucrou muito com todo esse sofrimento, até implementarmos algumas das intervenções como aumento de impostos, ambientes livres de fumo e restrição de ? A lição que fica para os fatores como sedentarismo e má alimentação é que precisamos nos organizar para que a ciência vire política pública mais rapidamente. Não podemos esperar mais de 50 anos para proteger a saúde da população após validar, de forma inequívoca, os impactos negativos de cada um dos produtos nocivos que vão surgindo ao longo do tempo. Mais de saude
Como podemos cobrar das autoridades/governos que invistam mais na prevenção do câncer (e não apenas no tratamento)? Investir, por exemplo, no acesso à atividade física, no acesso à alimentação de qualidade, em vacinas, em combate à poluição atmosférica etc. A cobrança precisa ser prática, local e intersetorial. Leia também: NR-1 ganha destaque após novo desdobramento em nr-1: o que realmente muda
Começar por exigir a fiscalização das regulamentações já existentes, como o combate rigoroso ao uso e venda de cigarros eletrônicos nos municípios. A atenção para o desenho urbano também é importante, para cobrar do executivo e legislativo locais a criação de espaços seguros e iluminados que promovam a mobilidade ativa e o exercício físico. E no eixo da alimentação, a pressão deve focar em garantir ambientes livres de ultraprocessados e dos conflitos de interesse das indústrias em ações em espaços públicos, especialmente nas escolas, restaurantes e eventos públicos, dado o enorme volume de pessoas impactadas.
Por fim, entender e valorizar a importância das políticas públicas que operam de forma integrada, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Saúde na Escola (PSE). Eles mostram que a prevenção não se faz apenas em hospitais, mas na construção de ambientes urbanos e sociais mais saudáveis.
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