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Campanha de Lula transforma proteção do Pix em bandeira e compara com defesa

João Pedro Pitombo Salvador O presidente Lula ( PT ) lamentou a decisão do governo Donald Trump de propor um novo tarifaço de 25% sobre bens importados do Brasil e

Campanha de Lula transforma proteção do Pix em bandeira e compara com defesa
João Pedro Pitombo
Salvador

O presidente Lula (PT) lamentou a decisão do governo Donald Trump de propor um novo tarifaço de 25% sobre bens importados do Brasil e acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu provável adversário nas eleições de outubro, de agir como um traidor da pátria.

"Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele. São na verdade vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores", disse Lula nesta terça-feira (2) em Catalão (GO).

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Em discurso, o presidente destacou as negociações que o Executivo tem mantido com o governo Donald Trump desde o ano passado e afirmou que a proposta de um novo tarifaço acontece dias depois de Flávio Bolsonaro ter se reunido com Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA.

Na sequência, chamou a família de Jair Bolsonaro (PL) de "família metralha", referiu-se aos filhos do ex-presidente como "os meninos do Bolsonaro" e os acusou de atuar contra os interesses nacionais. Disse ainda que Flávio "foi pedir arrego" a Trump em uma tentativa de prejudicá-lo para as eleições.

"Imbecil. Ele não sabe que não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar o povo brasileiro, vai prejudicar os empresários brasileiros, vai prejudicar o agronegócio", afirmou. Leia também: Aliados de Bolsonaro buscam união contra Lula em 2026

Nesta terça-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que pediu "expressamente" para que Trump não aplicasse uma tarifa sobre as empresas brasileiras.

Lula, por sua vez, lembrou que o filho do ex-presidente celebrou o tarifaço sobre produtos brasileiros adotado no ano passado. "No dia , no dia que o Trump nos puniu, ele disse: 'Obrigado Trump, faça o Brasil livre de novo.'"

O presidente Lula (PT) durante evento em Catalão (GO) - Ricardo Stuckert/Divulgação PR

Em seguida, voltou a fustigar Flávio Bolsonaro: "Esse cidadão hoje aparece na imprensa dizendo 'eu não falei nada'. Todo covarde é assim, fala a merda que fala, depois não tem coragem de assumir o que fala e fica tentando mentir."

Lula ainda citou o enforcamento de Tiradentes e perguntou o que mereceriam o senador e seus aliados.

"São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria, que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, pensem, meditem", disse o presidente. Mais de politica

Em cerimônia nesta tarde na Câmara Municipal de Belo Horizonte, onde recebeu a homenagem de cidadão honorário, Flávio sugeriu que a fala de Lula pode ter sido uma espécie de "apito de cachorro" para que as facções criminosas cometam um atentado contra ele.

O termo faz referência ao apito canino inaudível para humanos e usado para adestrar cães e costuma ser utilizado quando tenta-se passar uma mensagem codificada a um grupo específico.

"Eu espero que não seja verdade. Bastou eu atuar contra PCC e CV que ele [Lula] faz uma espécie de apito de cachorro para as facções me executarem. Peço a Deus que não tenha sido essa intenção, porque se foi, ele deveria estar preso", disse Flávio. Leia também: Lula sugere forca para 'traidores da pátria', e pré-campanha de Flávio vê

A pré-campanha do senador também decidiu entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal contra Lula, acusando-o de ter cometido crimes de ameaça e incitação ao crime.

A proposta de um novo tarifaço acontece após o governo Trump concluir a investigação da seção 301 contra o Brasil. A investigação acontece por meio do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que apontou práticas comerciais injustas do Brasil.

Agora, o USTR vai abrir uma consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho. A decisão sobre aplicação ou não cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Mesmo que preliminar, a decisão negativa para o Brasil acontece na esteira da decisão dos EUA de designar CV e PCC como terroristas e reforça a pressão do governo republicano sobre o governo Lula.

Mais tarde, Lula ergueu um cartaz com a mensagem "o pix é do Brasil" e defendeu o mecanismo de pagamentos instantâneos criados pelo Banco Central.

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