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Camila Queiroz guarda células-tronco da filha: entenda o porquê e se vale a pena

Camila Queiroz guarda células-tronco da filha: entenda o porquê e se vale a pena Técnica tem grande interesse científico, mas atualmente só tem aplicação em casos muito

Camila Queiroz guarda células-tronco da filha: entenda o porquê e se vale a pena

Camila Queiroz guarda células-tronco da filha: entenda o porquê e se vale a pena Técnica tem grande interesse científico, mas atualmente só tem aplicação em casos muito raros A atriz e apresentadora Camila Queiroz revelou, na terça, 7, que decidiu congelar as células-tronco extraídas do cordão umbilical da filha, Clara. O procedimento é realizado imediatamente após o nascimento e permite a preservação dessas células para usos futuros.

A técnica vem atraído grande interesse científico devido à versatilidade das células-tronco que, em tese, podem ajudar a tratar ou até mesmo curar uma série de condições que desafiam a medicina. Em particular, atualmente elas oferecem esperanças principalmente em casos de transplantes, mesmo sem beneficiar a própria pessoa cujas células-tronco foram congeladas. Muitos usos, porém, ainda são alvo de estudos iniciais, com especialistas recomendando cautela sobre os potenciais e limitações da técnica no estágio atual da ciência.

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A conservação também é muito cara e é comum que as famílias desistam de arcar com os custos do congelamento sem jamais utilizar a amostra guardada. Entenda melhor como funciona o congelamento das células-tronco e por que ele ainda não representa uma panaceia. Como funciona o congelamento das células-tronco do cordão umbilical

Até poucas décadas atrás, o cordão umbilical de um bebê era encarado, no máximo, como algo para ser guardado já ressecado como uma recordação do nascimento. Hoje, sabe-se que ele também guarda um potencial tesouro para a saúde: ali dentro, ficam resquícios de sangue rico nas chamadas células-tronco hematopoiéticas, capazes de se transformar em outras células sanguíneas. O procedimento envolve a coleta do sangue do cordão umbilical imediatamente após o parto. Leia também: Saúde: Anvisa, medicamentos e infecções em destaque

Posteriormente, ele é submetido a análises e processamentos laboratoriais para separar as células de interesse médico dos glóbulos vermelhos típicos e eventuais impurezas, passando a seguir para o congelamento. Uma vez preservadas, as células são conservadas em nitrogênio líquido, a uma temperatura de quase 200 graus negativos. A técnica não coloca o bebê em risco, já que o sangue que interessa nesse caso está localizado no cordão umbilical (e na placenta), que é cortado em qualquer cenário, mesmo quando não há interesse em preservar as células-tronco.

Para que serve exatamente essa técnica? Para entender a importância das células-tronco encontradas no cordão umbilical, pode-se fazer a comparação: elas são semelhantes àquelas encontradas na medula óssea. Em anos recentes, um número crescente de pesquisas tem demonstrado que o transplante das células do cordão pode ter usos potenciais semelhantes aos de um transplante de medula.

Atualmente, elas podem ser empregadas no tratamento de cerca de 80 doenças, especialmente condições linfáticas ou hematopoiéticas com terapias mais difíceis. Usos consagrados incluem a anemia falciforme, a anemia de Fanconi e a adrenoleucodistrofia. Uma série de estudos ao redor do mundo tenta consolidar outras possibilidades terapêuticas em torno das células-tronco obtidas no cordão umbilical.

A maior polêmica em torno do congelamento das células do cordão umbilical, portanto, não é se isso tem utilidade, mas as promessas exageradas sobre seu potencial. Além disso, bancos privados vêm incentivando que famílias realizem o congelamento como uma “reserva” para o futuro da própria criança ou seus familiares, pagando caro por isso, mesmo que os usos com evidências mais robustas ainda se limitem a condições raras. Na prática, muitas dessas células-tronco para uso pessoal acabam guardadas à toa e nunca são usadas. Mais de saude

Por isso, em vez disso, o que muitos especialistas recomendam é a doação do sangue do cordão umbilical e placentário para bancos públicos. Essa é a posição, por exemplo, da Associação Americana de Pediatria (AAP) desde 2007, reafirmada em suas diretrizes atualizadas 10 anos mais tarde. Isso aumenta a possibilidade de tratamento para pacientes compatíveis que tenham alguma das doenças que podem ser aliviadas por essas células-tronco.

Como é a doação de sangue umbilical no Brasil No Brasil, bancos públicos de sangue umbilical e placentário são vinculados à Rede BrasilCord, que reúne 15 instituições. Há outros 15 bancos privados reconhecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em seu relatório mais recente sobre o tema, publicado em fevereiro deste ano com dados de 2024. Leia também: Saúde: Panorama das Novidades em Medicamentos e Segurança no Trânsito

Entretanto, a doação está suspensa no país. O entendimento atual é que manter esse material preservado não compensa os elevados custos da técnica: até o final de 2024, as coletas não aparentadas seguiam suspensas em toda a rede BrasilCord como consequência de uma decisão tomada ainda na pandemia e que não foi revertida mesmo após o final da emergência sanitária. Ainda segundo o relatório, no começo de 2025 o Instituto Nacional do Câncer (INCA), em decisão conjunta com a Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, optou por não abrir novas unidades nem ampliar o acervo existente.

“ A justificativa fundamenta-se na queda significativa do uso de células-tronco de sangue de cordão umbilical e placentário em transplantes, observada nos últimos anos, aliada aos elevados custos de manutenção do acervo dessas unidades”, destaca o documento. Mesmo com o pouco interesse nos bancos públicos, o documento também acaba desencorajando a preservação das células para uso próprio.

Os dados históricos da técnica reforçam como esse uso é extremamente raro: entre 2003 e 2024, foram realizadas 164.789 coletas em bancos privados; no mesmo período, apenas 9 foram empregadas em uso autólogo e outras 17 em uso aparentado, o equivalente a 0,00016% do total. Nos mesmos 21 anos, mais de 9 mil famílias rescindiram a contratação do congelamento, levando ao descarte de amostras que acabaram não tendo qualquer uso clínico ou científico.

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