Relatório da ONU alerta para impacto ambiental crescente da inteligência
Ler matéria →O corpo humano possui uma impressionante capacidade de adaptação. Por meio de mecanismos como a transpiração, consegue suportar uma ampla faixa de temperaturas e manter o equilíbrio térmico mesmo em condições adversas. No entanto, essa resistência tem limites, e cientistas alertam que algumas regiões do planeta estão se aproximando de níveis perigosos para a sobrevivência.
Para entender esse risco, pesquisadores utilizam um indicador chamado temperatura de bulbo úmido. Diferentemente da temperatura registrada por um termômetro comum, essa medida combina calor e umidade, revelando se o organismo ainda consegue se resfriar de forma eficiente. Trata-se de uma ferramenta importante para avaliar o impacto real das ondas de calor sobre a saúde humana.
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Crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis
O principal sistema de resfriamento do corpo é a evaporação do suor. Quando o ar está muito úmido, esse processo se torna menos eficiente, dificultando a perda de calor. Se a temperatura de bulbo úmido atingir 35°C, o organismo deixa de conseguir dissipar calor adequadamente, mesmo que a pessoa esteja na sombra, hidratada e sem realizar esforço físico.
Embora esse valor seja considerado o limite máximo de sobrevivência humana, os efeitos nocivos do calor aparecem muito antes. Crianças, idosos, trabalhadores expostos ao ar livre e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis. Atualmente, o calor extremo já está associado a centenas de milhares de mortes por ano em todo o mundo.

Algumas localidades já enfrentam condições próximas desse limite. Jacobabad, no sul do Paquistão, é frequentemente citada entre as cidades mais quentes do planeta e registrou episódios de calor e umidade considerados perigosos para a saúde. Segundo estudos, regiões do sul da Ásia e do Oriente Médio poderão enfrentar situações semelhantes com maior frequência nas próximas décadas, caso o aquecimento global continue avançando. Leia também: Quanto custaria um Citroën C3 Zenith hoje, com a inflação?
A gravidade desse cenário levou a Universidade das Nações Unidas a classificar o calor extremo como um dos principais pontos de inflexão de risco global. O termo é usado para descrever situações em que determinados limites são ultrapassados, provocando impactos amplos, duradouros e difíceis de reverter.
Calor extremo evidencia discrepâncias sociais
Os efeitos das altas temperaturas também revelam uma importante dimensão social. Em muitas partes do mundo, as populações mais vulneráveis são justamente aquelas que possuem menos recursos para enfrentar o problema. A falta de acesso a ar-condicionado, energia elétrica confiável, água potável e serviços de saúde aumenta significativamente os riscos durante períodos de calor intenso.
Além disso, as diferenças podem ser observadas dentro das próprias cidades. Bairros com mais áreas verdes, árvores e espaços sombreados costumam registrar temperaturas menores do que regiões dominadas por concreto e asfalto. Esse fenômeno, conhecido como ilha de calor urbana, faz com que determinadas áreas permaneçam quentes até mesmo durante a noite.

Diante desse desafio, especialistas defendem investimentos em estratégias de adaptação. Entre as medidas mais comuns estão a ampliação da arborização, a criação de parques, o uso de telhados refletivos e a construção de espaços sombreados. Essas soluções ajudam a reduzir a temperatura local sem exigir grande consumo de energia.
Outras alternativas dependem de sistemas ativos de resfriamento, como ventiladores e aparelhos de ar-condicionado. Embora sejam eficazes, esses equipamentos nem sempre estão acessíveis para toda a população. Além disso, durante ondas de calor severas, o aumento do consumo de energia pode sobrecarregar as redes elétricas. Mais de tecnologia
Leia mais:
- O que é o estresse térmico, causado por exposição a altas temperaturas?
- Qual o limite de calor que o corpo humano consegue suportar?
- Como as mudanças climáticas estão piorando a qualidade do ar?
Algumas cidades já adotam projetos mais abrangentes, como o conceito de “cidade esponja”. O modelo combina áreas verdes e sistemas de drenagem capazes de absorver a água da chuva, reduzindo enchentes e contribuindo para o resfriamento do ambiente urbano. A proposta busca tornar as cidades mais resilientes aos efeitos das mudanças climáticas. Leia também: ChatGPT grátis vale a pena? Veja o que dá e o que não dá para fazer
O calor extremo também começa a alterar a rotina de trabalho e lazer. Em alguns países do Oriente Médio, atividades ao ar livre já enfrentam restrições nos horários mais quentes do dia. Eventos esportivos também foram impactados. A Copa do Mundo de 2022, no Catar, por exemplo, precisou ser realizada durante o inverno local para reduzir os riscos associados às temperaturas elevadas.
Além das obras de infraestrutura, ações comunitárias podem salvar vidas. Sistemas de alerta, campanhas de conscientização e programas de apoio a idosos e pessoas vulneráveis ajudam a reduzir os impactos das ondas de calor e permitem respostas mais rápidas durante emergências.
Apesar disso, especialistas destacam que a adaptação tem limites. Medidas urbanas e tecnológicas podem diminuir os danos, mas não eliminam a causa principal do problema. Para evitar que condições extremas se tornem cada vez mais frequentes, cientistas defendem a redução das emissões de gases de efeito estufa e a diminuição da dependência de combustíveis fósseis. Sem esse esforço, o desafio deixará de ser apenas conviver com o calor e passará a ser administrar consequências cada vez mais difíceis de controlar.
Com informações do site Earth.com e do relatório decenal da ONU
Flavia Correia
Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.
Tags:
Aquecimento global
calor extremo
sobrevivência
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