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Cada paciente, um tratamento: a tendência que veio para ficar na oncologia

Cada paciente, um tratamento: a tendência que veio para ficar na oncologia O tratamento do câncer avança para abordagens personalizadas, baseadas no perfil molecular de

Cada paciente, um tratamento: a tendência que veio para ficar na oncologia

Cada paciente, um tratamento: a tendência que veio para ficar na oncologia O tratamento do câncer avança para abordagens personalizadas, baseadas no perfil molecular de cada tumor, com detecção precoce e terapias-alvo Não faz muito, há cerca de vinte anos, a oncologia operava sob uma lógica essencialmente homogênea. O diagnóstico de câncer era definido pelo órgão de origem do tumor, e o tratamento seguia protocolos padronizados, aplicados de forma ampla a populações inteiras de pacientes com o mesmo tipo de câncer.

Esse modelo trouxe avanços, mas tinha limites sérios em eficácia, em toxicidade e na capacidade de responder à variabilidade biológica entre tumores e entre indivíduos. A transformação que vivemos hoje na oncologia é do tratamento por categoria para o tratamento por perfil. O que define o protocolo terapêutico já não é apenas onde o tumor está localizado, mas o que ele é.

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Quais mutações carrega, quais biomarcadores expressa, quais alterações moleculares determinam seu comportamento. Dois pacientes com câncer de mama podem receber tratamentos completamente diferentes, enquanto dois pacientes com tumores em órgãos distintos podem receber a mesma terapia, se em a mesma alteração genética. O câncer tem nome e sobrenome.

Essa transformação se apoia em quatro pilares que se reforçam mutuamente: a detecção precoce, o diagnóstico de precisão, as terapias personalizadas e, no horizonte próximo, as vacinas contra o câncer. Da reação à previsão: detectar antes de sentir Durante décadas, a medicina oncológica foi essencialmente reativa. O paciente apresentava sintomas, recebia o diagnóstico, iniciava o tratamento. Leia também: Bonnie Tyler acorda de coma após um mês; veja o estado de saúde da cantora

Esse modelo está sendo substituído por uma abordagem preditiva. O objetivo agora é identificar o tumor antes que ele se manifeste clinicamente, quando as chances de cura são muito maiores. Tecnologias como a biópsia líquida tornaram isso possível: tumores liberam fragmentos de DNA na corrente sanguínea que podem ser detectados por exames de sangue, permitindo identificar a doença precocemente, monitorar a resposta ao tratamento e rastrear recidivas.

A primeira pergunta de uma consulta oncológica no futuro não será “onde está doendo? ”, mas, sim, “o que o seu sangue está dizendo? ”

O mapa molecular do tumor O sequenciamento genômico, por sua vez, permite mapear o perfil molecular de cada tumor com um nível de detalhe impensável há duas décadas. Sabemos hoje que um tumor primário pode ter características moleculares distintas das suas metástases, e que as próprias metástases podem diferir entre si.

Essa heterogeneidade tumoral é uma das razões pelas quais o monitoramento molecular contínuo passa a ser parte essencial do cuidado oncológico. Não se trata apenas de diagnosticar melhor, mas de acompanhar a doença ao longo do tempo e ajustar a estratégia conforme ela evolui. Terapias-alvo: mais precisão, menos toxicidade

As terapias-alvo são o exemplo mais visível dessa personalização. Por muitos anos, a quimioterapia foi o recurso central do tratamento sistêmico do câncer. Ela age de forma ampla, atingindo células tumorais, mas também células saudáveis. Mais de saude

As terapias-alvo identificam alterações moleculares específicas do tumor e agem diretamente sobre elas, com mais precisão e menos toxicidade. Em vários tipos de câncer metastático, o impacto foi expressivo: pacientes que passaram a viver por muitos anos com a doença controlada e com qualidade de vida preservada. Vacinas contra o câncer: a próxima fronteira

A tecnologia de RNA mensageiro, que ganhou projeção mundial durante a pandemia de covid-19, está sendo agora aplicada ao tratamento do câncer e pode representar uma das maiores revoluções da oncologia nos próximos anos. O princípio é identificar proteínas anormais por genes mutados, presentes somente nas células tumorais, e produzir uma resposta imune direcionada a estas moléculas. Uma vacina feita para cada paciente com fragmentos do tumor obtidos na cirurgia e usada no pós-operatório para complementar o tratamento no lugar da quimioterapia convencional. Leia também: Orforglipron ganha destaque após novo desdobramento em orforglipron: nova

A mesma tecnologia pode também criar vacinas para prevenção direcionadas para moléculas frequentemente mutadas nos indivíduos diferentes. Ah, sim, a IA está acelerando muito a identificação dos melhores alvos moleculares para estas vacinas, então podemos esperar várias boas notícias para os próximos anos. +

O desafio do acesso O desafio que se coloca agora não é só científico. É também econômico.

Terapias altamente individualizadas, como as células CAR-T para leucemias, linfomas e mieloma múltiplo, chegam ao mercado com custos que ainda limitam o acesso. Uma parte da resposta está em novos modelos de financiamento, como acordos de compartilhamento de risco entre hospitais e indústria farmacêutica, nos quais o pagamento pelo medicamento é condicionado à resposta clínica do paciente. O A.C.Camargo Cancer Center já opera nesse modelo para outros medicamentos oncológicos e busca expandir essa lógica para as terapias celulares.

A oncologia personalizada não é mais uma promessa. É uma realidade em construção, e cada avanço reforça a convicção de que tratar bem exige tratar cada paciente pelo que ele é, não pela categoria em que se enquadra.

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